quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Não se deve matar um idealista

Acho que nos meus 36 (falta pouco mais de um mês para 37), posso dizer isso:
Pessoas que não são idealizadoras, ou que entregaram seus sonhos para administrarem o sistema que está em vigor, que desistiram da visão pela grande dificuldade que encontrada pela frente, são essas as pessoas que infelizmente tem contribuído para “matar” cada nova geração de idealizadores.

Quando um homem mais velho censura o idealismo de um jovem, ele fala mais ou menos assim: “Sim, claro, quando a gente é jovem – sonhador – tem esses ideais abstratos, imaginamos que podemos mudar o mundo, e construímos castelos no ar. Mas quando você ficar mais velho, todos seus sonhos se desfazem como nuvens e a gente passa a acreditar na política prática, aprendemos a conviver com o mundo como ele é”. Parafraseei Chesterton.

Ouço isso há muito tempo. Desde a adolescência até hoje em dia ouço as mesmas coisas de pessoas mais velhas. Respeito à experiência e maturidade de cada uma dessas pessoas. Pois eu também poderia dizer as mesmas coisas para alguém mais novo do que eu; porém não o faço. Descobri que muitos homens mais velhos, ainda que bem intencionados e acreditando em suas próprias experiências, estavam mentindo. O que de fato aconteceu é exatamente o contrário do que eles previram. Diziam que eu perderia meus ideais e começaria a acreditar nos métodos da prática política. Eu não perdi meus ideais nem um pouco. Aperfeiçoei cada ideal com base no que a bíblia diz e também na minha vida prática. Minha fé nas verdades fundamentais é exatamente o que sempre foi. O que perdi é a antiga fé infantil na política prática.

“Uma visão é sempre sólida e confiável. A realidade é que muitas vezes é uma fraude.” G.K. Chesterton

Não quero fazer politicagem para me encaixar dentro do sistema, ainda que conviva com ele todos os dias; ainda que tenha que lutar contra todas as minhas vaidades. Poderia me encaixar dentro de qualquer lugar e ainda ter uma posição de certo renome. Poderia abandonar meus sonhos idealistas para viver a realidade do pragmatismo religioso. Poderia, pelas circunstâncias e dificuldades, considerar impossível viver um novo tempo, conformar-me com os modelos já existentes e assim ter uma vida um pouco mais tranqüila. Mas sei que as pessoas que marcaram as gerações são justamente aquelas que se mantiveram fiéis até o fim e que não “dançaram conforme a música”. Eu também não dançarei.

Parece que sou um revolucionário de guerra. Não se assustem. Só gostaria de motivá-los para viverem uma vida intensa. Motivá-los a viverem os sonhos que Deus plantou no coração de cada um de vocês. Quero que vocês entendam que logo o vigor da juventude passará e se vocês não lutarem por um ideal, poderão se tornar velhos “assassinos” de jovens sonhadores - frustrados. Mas sei que o mais valioso sonho é vida íntima com Deus. A motivação deve ser correta. 

“Apaixonar-se por alguém é mais poético do que se apaixonar pela poesia.” A crença em Jesus Cristo é algo como apaixonar-se por alguém e não algo como apaixonar-se pela poesia. Não se trata de algo semelhante como tocar, dançar, pregar ou quaisquer outras atividades eclesiásticas e sociais. Trata-se, pelo contrário, de algo semelhante a escrever as próprias cartas de amor ou assuar o próprio nariz. Seria bom que essas coisas cada um pratique para si mesmo, ainda que as faça mal feitas. Parafraseei - de novo - Chesterton.

Paulo David Muzel JR - Tropical

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