Pô, diz ae, o cristianismo realmente é demais. Mais uma vez lembrando que estou me referindo ao cristianismo bíblico e não cultural. Certo?
Todos nos sabemos que o maior mistério é o fato de Deus ter-se feito homem – Jesus sendo cem por cento Deus e cem por cento homem. Todas as outras coisas – dilúvio, muralhas de Jericó, multidão passando pelo meio do mar, a força de Sansão, etc. – quando comparados ao nascimento, morte e ressurreição de Jesus, são como nada. Mas o cristianismo é cheio dessas. Ele conseguiu manter coisas distintas e ao mesmo tempo valorizá-las em sua força. No cristianismo as cores não se misturam. O preto continua sendo preto e o branco continua branco. Eu me arrisco dizer que no cristianismo não existe a cor cinza. A bíblia diz que o leão deitou-se com o cordeiro (acho que está em Isaías 11). A tendência do pensamento dessa geração é dizer que o leão se torna como o cordeiro e por isso poderão andar juntos. Como se a fera deixasse de ser uma fera ou que o uma cor deixasse de ser pura – que o vermelho se misturasse com o branco para ser cor-de-rosa. Tenho que dizer que não entendo dessa maneira. Isso seria um erro brutal. Seria o cordeiro absorvendo o leão em vez de leão comer o cordeiro. (parafraseei Chesterton)
O verdadeiro problema é o seguinte: Pode o leão deitar-se com o cordeiro e ainda manter sua grande ferocidade? Esse é o problema que a igreja enfrenta, é o problema que nós enfrentamos. Mas é o milagre que Jesus conseguiu explicar. Jesus é cem por cento viril e cem por cento sensível. Ele consegue odiar o sistema religioso de sua época e chorar pelos perdidos; consegue chicotear os caras que profanavam o templo (vale lembrar que desde que o E.S. passou a morar em nós, nos fez templos; e profanar o templo é profanar o próprio corpo), chamar os religiosos de hipócritas e merecedores do inferno, e ao mesmo tempo Jesus consegue morrer numa cruz para dar vida eterna a quem nele crer. Ele é chamado de “O Leão da Tribo de Judá” e também de “O Cordeiro de Deus” que tira o pecado do mundo.
Subestimam o cristianismo os que dizem que ele descobriu a misericórdia; qualquer um poderia descobrir a misericórdia. De fato todo o mundo o fez. Mas descobrir o plano para ser misericordioso e também severo, só Jesus o fez. A psicologia moderna é mestra em dizer que as coisas poderão ser cinza. Dirá que o ser humano não poderá ser tão orgulhoso e também não poderá se humilhar tanto; dirá que as coisas têm limites e que devemos equilibrar um pouco de cada uma delas. Mas dizer: “Aqui você poderá ser totalmente orgulhoso e ali você pode rastejar” – isso só a Palavra de Deus pode ensinar. Esse foi o grande feito envolvendo a ética cristã, a descoberta de um novo equilíbrio – o equilíbrio entre os extremos e não a mistura das cores.
Por esse motivo é que não abro mão da Verdade, que não sou politicamente correto. Mas ao mesmo tempo busco sabedoria da parte de Deus para separar as coisas, os sentimentos, e não misturá-los. Quero ser como Jesus. Quero amar as pessoas e saber repudiar com muita força toda idéia religiosa. Não gosto de preceitos que aprisionam o homem, gosto dos que servem para libertar. O mundo funciona de acordo com a cultura de seu tempo e a religião não consegue escapar disso, mas o cristianismo verdadeiro permanece – eu já disse que o evangelho tem vida própria – com grande força e velocidade, arrebentando com novas seitas e doutrinas. Ser crente é viver ferozmente em meio a tantos modismos e crenças que se conformam a necessidade de cada nova geração; ser crente é viver uma aventura de inigualável força e sensibilidade; ser crente é ser de pura cor e jamais de meio tom só para agradar a todos.
Valeu
Paulo David Muzel Jr - Tropical

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