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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O Dízimo é para os Cristãos?

Ensina-se geralmente nas igrejas que cristãos devem dizimar (uma palavra que significa dar “um décimo” de sua renda) na sua igreja local. Os cristãos são ensinados que eles devem os primeiros dez por cento de sua renda à igreja onde frequentam, e que qualquer doação a pessoas ou ministérios necessitados deve entrar em uma categoria separada chamada de “ofertas” e devem ser dados somente depois que o primeiro décimo foi dado à igreja. Os pregadores falam como se a Bíblia realmente ensinasse tal coisa, embora o a Bíblia em nenhuma parte mencione o que nós hoje chamamos de “igreja local,” e o Novo Testamento nunca aplica nenhum dever de dizimar aos Cristãos.

O Dízimo foi ordenado aos filhos de Israel para o sustento dos Levitas (Num.18: 21). Dessa forma, os Levitas, que eram consagrados ao ministério por tempo integral e não podiam receber lucros empregatícios, poderiam desfrutar de um padrão de vida que fosse aproximado ou ligeiramente mais elevado do que a média nacional de Israel. Os Levitas, por sua vez, contribuíam com um décimo de sua renda aos sacerdotes para o sustento dos mesmos (Num.18: 26-28). O sistema foi projetado para liberar um grande número de homens para ministrar nas coisas do tabernáculo/templo e ensinar a lei aos povos. A fração “um décimo” não era arbitrária, mas correspondia às necessidades do número de ministros de tempo integral que precisavam de sustento.

Desde quando Deus aboliu o templo e sacerdócio Levítico, não permanece mais nenhuma razão óbvia para que o dízimo deva continuar a definir a medida de como um Cristão deva dar a Deus. A igreja geralmente não libera um ministro em tempo integral para cada dez famílias (embora esta relação não seria excessiva), assim não há nenhuma razão bíblica ou lógica para que a mesma porcentagem da renda do cristão deve ser destinada aos cofres da igreja como foi requerido dos Israelitas em sua sustentação do clero do templo. Essa é, sem dúvida, a razão pela qual nem Jesus nem os apóstolos nem sequer sugeriram esse dever aos seus discípulos. O Dizimo era para a sustentação do sistema ritual de Israel. Estes aspectos cerimoniais da lei foram eliminados com a chegada de uma aliança melhor. Às vezes argumenta-se que o Dizimo “não acabou junto com a Lei” pela simples razão de que o Dizimo foi praticado antes do advento da Lei Judaica, e tem, consequentemente, uma legitimidade própria independente da lei. A evidência total de que o Dizimo foi praticado antes da época de Moisés consiste em duas passagens em Gênesis. Em Gênesis 14:20, Abraão deu um décimo das sobras de sua recente conquista contra o Rei Quedorlaomer para o sacerdote Melquisedeque. Também, em Gênesis 28:20 - 22, Jacó, acordando de seu sonho famoso, fez votos para dar a Deus um décimo de toda a prosperidade que Deus desse a ele durante a sua ausência de Canaã. Estas passagens ensinam ou sugerem que indivíduos tementes a Deus devam devotar regularmente dez por cento de sua riqueza a Deus? Dois episódios isolados não podem estabelecer tal padrão, sendo que não temos registro de Abel, de Enoch, de Noé, de Isaque, de Judá ou de José observando tal prática. Tampouco temos o registro de que Abraão ou Jacó tenham feito isso em outras ocasiões, exceto nesses dois casos. Nós não temos nenhuma razão para acreditar que Abraão dizimava regularmente. Consequentemente, ninguém pode estabelecer a partir das Escrituras que o Dizimo era uma prática reconhecida ou exigida antes da época de Moisés. Além disso, mesmo se nós tivermos uma base bíblica para tal ensino, não seria coerente afirmar que o dizimo continua como um dever dentro da Nova Aliança. Lembre-se, circuncisão e sacrifícios animais (ambos comandados na lei de Moisés) eram definitivamente práticas regulares antes da Lei Mosaica, mas isso não fornece um argumento concreto para a continuação dessas práticas após a época de Cristo.
O Dízimo é mencionado no Novo Testamento tem três conexões. Hebreus 7 simplesmente relata a história de Abraão e de Melquisedequi, sem nenhuma referência a qualquer transferência ou extensão desse dever aos Cristãos novos. Os Evangelhos relatam Cristo dizendo que os escribas e Fariseus pagavam seus dízimos meticulosamente, enquanto negligenciavam “as questões mais importantes da lei” (Mateus.23: 23/ Lucas 11:42). Jesus diz que eles deveriam fazer ambos (isto é, dizimar e observar as questões mais importantes), mas isso indica somente o que era exigido dos Fariseus como homens Judeus que viviam sob a lei do Velho Testamento, e não nos diz nada sobre algum dever transferido para discípulos Cristãos. Finalmente, nós temos a “oração de auto-felicitação” de um Fariseu em uma parábola (Lucas 18:12), que se gaba de pagar dízimos de tudo que possui, mas a parábola em momento algum indica que esse homem deva ser um modelo para que os Cristãos o imitem.

Não é de se surpreender que defensores do dízimo não façam muito uso destes versículos do Novo Testamento. As pregações geralmente dão enfoque à admoestação do Velho Testamento contra aqueles que não estavam trazendo os dízimo para a casa do tesouro (Malaquias 3: 10). O argumento é sempre mais ou menos assim: “A casa do tesouro é o lugar aonde você vai para receber o seu alimento. Espiritualmente, você recebe o seu alimento na sua igreja local. Consequentemente, Deus te ordena a dar dez por cento de sua renda à igreja onde você é membro. Qualquer coisa que exceda esse montante não é dízimo e sim oferta.”
Pode-se facilmente especular a respeito da motivação que as igrejas tem para ensinar dessa forma. O único erro com a linha de ensino exposta no parágrafo anterior é que não há um só ponto bíblico legítimo contido nele. Primeiramente, a “casa do tesouro” não era o lugar aonde os Judeus iam para receber seu alimento. A “casa do tesouro” se refere aos salões de armazenamento dentro do templo judaico (Ne 10: 38) onde o alimento era armazenado exclusivamente para os sacerdotes. Eram somente os sacerdotes que comiam lá, e todo o excesso era dado aos pobres (Deut 26: 12), e não existia o conceito de uma “dispensa particular” de onde o dizimista pudesse retirar o seu próprio sustento. Adicionalmente, não é uma premissa absoluta que cada cristão receba sua principal alimentação espiritual à partir da sua igreja local. É a negligência dessa alimentação pelas igrejas locais que tem contribuído para a proliferação de ministérios paraeclesiásticos para compensar essa deficiência. Finalmente, nada nessa passagem é dirigido aos crentes do Novo Testamento. Os padrões de contribuição para o Cristão são definidos em termos inteiramente diferentes.

Esses termos são encontrados no ensinamento de Cristo, que todo aquele que deseja seguir a Cristo deve rejeitar “tudo o que tem” (Lucas 14:33/ cf. Mat13: 44-46). A lei cerimonial serviu apenas como uma tipologia profética da revelação de Cristo. Essa revelação ensina que todo o povo de Deus, “tendo sido comprado por um preço,” não mais pertence a si mesmo, mas são propriedade integral e absoluta de Jesus Cristo (1 Cor 6: 19-20). Todo o tempo e todas as possessões do Cristão pertencem a Deus - um fato demonstrado pela lei cerimonial através da exigência de se dar a Deus um símbolo representativo do nosso tempo e possessões (um dia da sua semana, e um décimo das suas possessões).

Ao invés do dízimo, o NT ensina a “mordomia” (Lucas 12:42; 16:1ff; 19:12-13/ Mat 25:14/ Tito 1:7). O cristão é um “mordomo”, ou “gerente,” das possessões de outrem (de Deus). Ele NÃO está numa parceria ou sociedade com Deus, onde Deus detêm 10% das ações e o Cristão detêm 90%. Quando ele vem para Cristo, o pecador arrependido entrega TUDO o que ele tem para Deus e não reivindica a posse de nada (Atos 4:32). Desde o momento de sua conversão, o crente torna-se responsável pelo gerenciamento de todos os seus recursos (monetários ou de outra natureza) visando os interesses e os ganhos do seu Mestre. Aqueles que procuram reservar uma parte de suas vidas para si mesmos não necessitam se candidatar! (Lucas 9:23).

Qual, então, é a responsabilidade do mordomo?
Ele deve conduzir seus recursos exatamente da mesma maneira que seu mestre o faria se estivesse em seu lugar. Como Deus gastaria/investiria o seu dinheiro? Bem, as Escrituras nos dão toda a orientação que nós necessitamos nesta matéria. Em Sua Palavra, Deus expressa sua preocupação com os pobres e com o sustento daqueles que ministram a Palavra de Deus. Um presente oportuno aos pobres é um presente ao próprio Deus (Prov19: 17/Mat 25: 37-40), e é o método prescrito de depositar tesouros no céu (Marcos 10:21 /Lucas 12:33). Dar ao necessitado é uma mera expressão do mandato para amarmos ao próximo assim como amamos a nós mesmos (Lucas 10:27 - 37).

O sustento dos ministros do reino é similarmente uma expressão de nosso dever para amar Deus, procurar primeiramente o reino de Deus (Mat 6: 33). Estes ministros incluem aqueles que ensinam a Palavra de Deus (como os Levitas - Gal 6: 6/1 Cor 9: 11/1 Tim 5: 17-18). Isto incluiria o pastor da sua igreja local (se ele de fato ensinar a Palavra de Deus) e outros dos quais se recebe direção e sustento espiritual. Também incluiria ministros itinerantes e missionários (Lucas 8:2 - 3/ Fil.4: 16-18/3 Jo 5-8). Há tamanha variedade de ministérios – alguns mais e outros menos necessitados, e alguns mais ou menos dignos de receberem sustendo – que o mordomo responsável fará um bocado de pesquisa antes de comprometer os fundos do Mestre a uma determinado pedido de auxílio financeiro. No final das contas, o exercício da mordomia responsável exigirá bastante oração e busca da direção do Espírito Santo. É algo bem mais sério e trabalhoso do que simplesmente assinar um cheque para a assembléia local (que pode estar considerando a substituição do carpete do santuário pela terceira vez nessa década) repassando um décimo do seu salário.

Nós devemos também reconhecer que Deus também providenciaria as necessidades de seus servos e suas famílias. Consequentemente, uma determinada quantidade de nossa renda deve ser devotada à alimentação, moradia e a vestimenta de nossas famílias (1 Tim.5: 8). Também não há proibição de alguma medida de investimento no nosso próprio lazer (1 Tim.6: 17). Quanto deve ser investido em tais coisas? Isso está entre o mordomo e seu mestre, e não é para que outro julgue (Rom.14: 4). Entretanto, nós devemos estar vigilantes quanto a nossa própria tendência pecaminosa de julgar nossas próprias ações (e gastos) de maneira mais favorável do que os fatos evidenciariam. Na eternidade, nosso regozijar será proporcional a nossa abnegação pessoal nessa vida e à nossa generosidade aos pobres e ao trabalho de Deus.
No século seguinte à era apostólica, os Cristãos entendiam que o dízimo havia sido substituído pela Rendição completa a Deus. Em sua obra Contra Heresias, Irineus escreveu:
“[Os santos do Antigo Testamento] ofereceram seus dízimos; mas aqueles que receberam a liberdade separam tudo o que eles possuem para o uso do Senhor, entregando de forma alegre e livre, não como coisas pequenas em busca de coisas maiores, mas como aquela pobre viúva, que depositou todas as suas energias no tesouro de Deus.”
O Didache (início do segundo século) tem nas Escrituras um aliado quando ele aconselha, “Não exite em dar, e não dê com má graça; pois você descobrirá quem é Ele que te pagará em retorno... Não vire as costas ao necessitado, mas compartilhe tudo com o seu irmão e não considere nada com sendo seu bem pessoal.”

Amen

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

“Super-apóstolos”

Que o mundo dá voltas, todos nós já sabemos, mas se sabemos disso, por que é que não tomamos os devidos cuidados? Tenho dito em minhas pregações que não adianta muito só ouvir pregações, pois estas tem muito do próprio pregador. É necessário que todos leiam a bíblia, estudem a Palavra, busque pela inspiração do Espírito Santo e se desenvolvam num relacionamento pessoal com Deus para que assim se tornem íntimos dele. Repito as palavras de Jesus, o erro é a falta de conhecimento – tanto das escrituras como do poder de Deus. 

Colocarei abaixo um dos textos da carta de Paulo aos corintos (IICO11). Farei alguns comentários entre colchetes, mas mesmo assim gostaria que você fizesse sua própria avaliação lendo e estudando posteriormente na sua própria bíblia.


Igreja de Coríntios,

Eu gostaria que vocês me suportassem mesmo quando sou um tanto louco. Por favor, me suportem! O mesmo zelo que Deus tem por vocês eu também tenho. Porque vocês são como uma virgem pura que eu prometi dar em casamento somente a um homem, que é Cristo. Pois, assim como Eva foi enganada pelas mentiras da serpente, eu tenho medo de que a mente de vocês seja corrompida e vocês abandonem a devoção sincera e pura a Cristo. Porque vocês suportam com alegria qualquer um que chega e anuncia um Jesus diferente daquele que nós anunciamos. E aceitam um espírito e um evangelho completamente diferentes do Espírito de Deus e do evangelho que receberam de nós. 

[Ultimamente eu também tenho ouvido um evangelho bem esquisito, mas me parece que existe um publico que aceita muito bem o que se tem pregado, ainda que seja outro evangelho].

Eu não acho que tenho menos valor do que esses tais "super-apóstolos"!

[Aqui Paulo foi bem irônico]

Talvez eu seja um principiante no falar, mas no conhecimento não sou. Sempre e em todas as situações temos dado provas disso a vocês. Quando anunciei a vocês a boa notícia de Deus, fiz isso completamente de graça. Eu me humilhei para engrandecer vocês. Será que houve algum mal nisso? [Mal em não cobrar nada e se humilhar?]

Enquanto estive trabalhando entre vocês, fui pago por outras igrejas. Por assim dizer, eu estava roubando delas para ajudar vocês. E, durante o tempo em que estive com vocês, quando precisava de alguma coisa, não incomodava ninguém; pois os irmãos que vieram da Macedônia me trouxeram tudo o que eu precisava. O que aconteceu no passado e acontecerá no futuro é isto: eu nunca exigirei que vocês me ajudem. Pela verdade de Cristo, a qual está em mim, eu garanto que ninguém, em nenhum lugar da Acaia, tirará de mim este orgulho de anunciar o evangelho sem cobrar nada. Por que estou dizendo isso? Será que é porque não amo vocês? Deus sabe que os amo!

O que estou fazendo agora vou continuar a fazer a fim de evitar que aqueles tais "apóstolos" tenham motivo para se gabar e dizer que fazem um trabalho igual ao nosso. Aqueles homens são apóstolos falsos e não verdadeiros. Eles mentem a respeito dos seus trabalhos e se disfarçam, apresentando-se como verdadeiros apóstolos de Cristo.

E isso não é de admirar, pois até Satanás pode se disfarçar e ficar parecendo um anjo de luz. Portanto, não é nada demais que os servidores dele se disfarcem, apresentando-se como pessoas que fazem o bem. Mas no fim eles receberão exatamente o que as suas ações merecem. [Agora Paulo pegou pesado].

Repito: ninguém deve pensar que eu estou louco. Mas, se vocês pensam isso, então me recebam como louco para que assim eu tenha alguma pequena coisa de que me gabar. De fato, o que estou dizendo agora não é o que o Senhor me mandou dizer. Quanto a eu me gabar, estou realmente falando como louco. Já que existem tantas pessoas que se gabam por motivos apenas humanos, eu também vou me gabar de mim mesmo.

[Com certeza muitos dos da Igreja que estava em Coríntios estavam dizendo que Paulo era um louco ou que ele estava revoltado com alguma coisa. Mas dai ele diz, já que assim que vocês pensam então me recebam como louco. Dai por diante Paulo diz que falaria de si mesmo e não da parte de Deus pelo fato de começar a se gabar. Preste a atenção].

Vocês são tão sábios e suportam de boa vontade os loucos. Toleram os que mandam em vocês e exploram vocês; toleram os que os enganam, os que os tratam com desprezo e os que lhes dão bofetadas. [Novamente ele foi irônico – chamou os caras de sábios].

Tenho até vergonha de confessar que nós fomos tímidos demais e não fomos capazes de fazer coisas como essas. Mas, se os outros se atrevem a se gabar de alguma coisa, eu também vou me atrever, embora isso seja uma loucura. [Quem fala de si mesmo e também dos seus feitos só pode ser um louco; pois trás para si uma gloria humana – “eu sou o cara”, ou coisas do tipo que ouvimos pela TV e programas evangélicos nas rádios]. Eles são hebreus? Eu também sou. Eles são israelitas? Eu também sou. Eles são descendentes de Abraão? Eu também sou. Eles são servos de Cristo? Mas eu sou um servo melhor do que eles, embora, ao dizer isso, eu esteja falando como se fosse louco [Tem um montão de gente falando isso - loucos]. Pois eu tenho trabalhado mais do que eles e tenho estado mais vezes na cadeia. Tenho sido chicoteado muito mais do que eles e muitas vezes estive em perigo de morte. Em cinco ocasiões os judeus me deram trinta e nove chicotadas. Três vezes os romanos me bateram com porretes, e uma vez fui apedrejado. Três vezes o navio em que eu estava viajando afundou, e numa dessas vezes passei vinte e quatro horas boiando no mar. Nas muitas viagens que fiz, tenho estado em perigos de inundações e de ladrões; em perigos causados pelos meus patrícios, os judeus, e também pelos não-judeus. Tenho estado no meio de perigos nas cidades, nos desertos e em alto mar; e também em perigos causados por falsos irmãos. Tenho tido trabalhos e canseiras. Muitas vezes tenho ficado sem dormir. Tenho passado fome e sede; têm me faltado casa, comida e roupas. Além dessas e de outras coisas, ainda pesa diariamente sobre mim a preocupação que tenho por todas as igrejas. Quando alguém está fraco, eu também me sinto fraco; e, quando alguém cai em pecado, eu fico muito aflito. 

[Eu acho que Paulo não teria lugar nos púlpitos das igrejas dos dias atuais. Hoje em dia o testemunho é algo que motiva as pessoas a seguirem a Cristo pelas bênçãos que receberão. Então imagine um cara desses que só conta tragédias? Não daria muito certo. Ao menos ele deveria terminar esse testemunho assim: “Mas hoje tenho dois carros novos, tenho minha própria empresa, moro numa cobertura numa região nobre de Jerusalém, viajo com minha família duas vezes por ano para o exterior, etc.” Mas mesmo contando de suas lutas, se diz que isso é uma loucura pelo fato de se gabar nelas. Quanta gente se gabando hoje em dia...]

Se existe motivo para eu me gabar, então vou me gabar das coisas que mostram a minha fraqueza.

[Mesmo assim é loucura. Mas como tem gente que se acha e gosta de contar coisas que enaltecem a si mesmo. Como se fossem merecedores de alguma coisa – pelo fato de orarem mais (se é que é verdade), darem o dízimo em dia, etc.]

O Deus e Pai do Senhor Jesus, o Deus que é bendito para sempre, sabe que não estou mentindo.

Pedacinho do capitulo 12:
Repito: sei que esse homem foi levado, de repente, ao paraíso. Não sei se isso, de fato, aconteceu ou se foi uma visão; somente Deus sabe. E ali ele ouviu coisas que palavras humanas não conseguem contar. Eu me gabarei desse homem. Mas não me gabarei de mim mesmo, a não ser das coisas que mostram as minhas fraquezas. 

Mas ele me respondeu: "A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco." Portanto, eu me sinto muito feliz em me gabar das minhas fraquezas, para que assim a proteção do poder de Cristo esteja comigo. Eu me alegro também com as fraquezas, os insultos, os sofrimentos, as perseguições e as dificuldades pelos quais passo por causa de Cristo. Porque, quando perco toda a minha força, então tenho a força de Cristo em mim. Eu estou agindo como um louco, mas foram vocês que me obrigaram a isso. Porque vocês é que deviam falar bem de mim. Pois, mesmo que eu não valha nada, não sou inferior, de modo nenhum, a esses tais "super-apóstolos" de vocês.


[Só gostaria de aprender isso e repassar para vocês, que ainda que seja uma loucura se gabar de alguma coisa, se tiver que o fazer, gabem-se de suas fraquezas, pois não merecemos nada – não somos melhores que ninguém. Quanto aos falsos ensinos, eles existem; e se não tivermos critério pelo estudo sistemático da Palavra de Deus e a presença do Espírito de Deus em nós, suficiente para nos ensinar sobre todas as coisas e nos levar a um relacionamento com Deus, seremos enganados assim como Eva foi enganada pela serpente].


Valeu galera,

Paulo David Muzel Jr – TROPICAL


sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A Bola e Deus

“Bola é magia, bola é movimento. Brincar com ela é descobrir a harmonia e o equilíbrio do universo.” (Jornalista Armando Nogueira)
A muito tempo os antropólogos e psicólogos tentam entender e explicar o fascínio que o homem tem pela bola de futebol e não conseguem.
Ela, a bola, pode ser de meia, plástico, borracha, couro ou como era antigamente chamada no meu tempo de moleque, de capotão. Em qualquer formato, ela exerce em um garoto e também adulto, um magnetismo de dar inveja.
Ela, a bola, na sua ausência se transforma em pedra, vou explicar. Quando moleque estudava em um colégio de freiras e não era permitido levar bola para jogar futebol no intervalo de aula, também chamado de recreio, isso não era problema, uma pequena pedra era usada na quadra como bola, coitado era o goleiro. O que não fazemos para jogar bola.
Como a senhora explicaria a um menino o que é felicidade?
Não explicaria. Daria uma bola para que ele jogasse...” (Escritora Dorothee Solle)
A bola provoca alterações comportamentais que o homem sem ela tem dificuldades em alterar. Por causa dela, a bola, o racismo, as diferenças, as crenças são colocadas de lado, basta jogar uma bola para o alto e deixá-la cair em um campo gramado que negros, brancos, amarelos, cristãos, mulçumanos e todas as tribos se confundem em uma partida de futebol.
Em 1967, o Santos fez uma excursão e fez jogos de exibição em Lagos, o que causou um cessar fogo de 48 horas na Guerra Civil Nigeriana. Dizem que foi por causa do Pelé, mas na verdade, foi por causa dela, a bola. Sem ela, não existiria Pelé.
Na Copa do Mundo entre Irã e EUA em um ato de repúdio à política dos dois países, ambos os lados posaram para fotos abraçados entre si e trocaram presentes e flores antes do início da partida. Se não fosse a bola, esse momento não aconteceria.
A bola também gera intrigas, quem nunca brigou com a namorada ou esposa por causa de uma partida de futebol, que atire a primeira pedra. Como explicar para uma mulher o quanto gostamos de ver um monte de homens correndo atrás de uma bola e pior ainda, como explicar gostar de ver na TV um monte de homens falando sobre um monte outros homens que correm atrás de uma bola.
A bola na minha vida está sempre presente. Por causa dela, já joguei com febre, gripe e até braço quebrado. Certa vez abandonei um almoço que minha sogra havia feito para mim, foi só um amigo ligar e fui ao encontro da amada. Quem nunca foi ao pior bairro da cidade para jogar uma partida, bairro que não iria por nada nesse mundo. Não vou escrever aqui todos os sacrifícios que já fiz por ela, porque o texto ficaria muito longo.
“Se a bola soubesse o encanto que tem, não passaria a vida rolando de pé em pé.” (Jornalista Armando Nogueira)
O primeiro mandamento e mais importante, “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças" Mc 12:30, parece ser obvio na vida do crente.
Quanto comparo o sacrifício que faço para estar em contato com ela, a bola, com o sacrifício que faço para a coisas de Deus, acho que não pratico bem esse mandamento.
É duro comparar Deus com uma bola, mas é fato. Quando eu canto a música que diz “Eu bradarei dos altos montes Deus, eu te amo” minha consciência pesa, às vezes deixo de ir à igreja no domingo por cansaço, tendo carro, quanto mais subir um alto monte. Talvez subisse o monte para uma partida de futebol.
Quanto tempo tenho gasto com Deus? Quanto tenho me dedicado a sua causa? Quanto tempo tenho gasto em oração? Não quero responder agora.
Você pode não ter se identificado com o texto, até mesmo por talvez odiar ela, a bola. Faça então, um exercício textual e no lugar da bola, coloque seu surf, seu carro, sua chácara, sua namorada ou namorado, seu trabalho, seu play station, need for speed, Age of Empires, Sim City, Orkut, MSN, TV a Cabo ou aquilo que mais te prende e responda as perguntas acima e abaixo.
Não digo que temos que nos dedicar 100% a Deus, cada um tem seus afazeres pessoais (1 Cor 7:32, 33), mas Deus merece um porcentagem melhor. Estou longe de atingir essa meta.
Posso mesmo cantar “Eu bradarei dos altos montes Deus, eu te amo”?

ROBERTO "TUSA" FERREIRA

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Não se deve matar um idealista

Acho que nos meus 36 (falta pouco mais de um mês para 37), posso dizer isso:
Pessoas que não são idealizadoras, ou que entregaram seus sonhos para administrarem o sistema que está em vigor, que desistiram da visão pela grande dificuldade que encontrada pela frente, são essas as pessoas que infelizmente tem contribuído para “matar” cada nova geração de idealizadores.

Quando um homem mais velho censura o idealismo de um jovem, ele fala mais ou menos assim: “Sim, claro, quando a gente é jovem – sonhador – tem esses ideais abstratos, imaginamos que podemos mudar o mundo, e construímos castelos no ar. Mas quando você ficar mais velho, todos seus sonhos se desfazem como nuvens e a gente passa a acreditar na política prática, aprendemos a conviver com o mundo como ele é”. Parafraseei Chesterton.

Ouço isso há muito tempo. Desde a adolescência até hoje em dia ouço as mesmas coisas de pessoas mais velhas. Respeito à experiência e maturidade de cada uma dessas pessoas. Pois eu também poderia dizer as mesmas coisas para alguém mais novo do que eu; porém não o faço. Descobri que muitos homens mais velhos, ainda que bem intencionados e acreditando em suas próprias experiências, estavam mentindo. O que de fato aconteceu é exatamente o contrário do que eles previram. Diziam que eu perderia meus ideais e começaria a acreditar nos métodos da prática política. Eu não perdi meus ideais nem um pouco. Aperfeiçoei cada ideal com base no que a bíblia diz e também na minha vida prática. Minha fé nas verdades fundamentais é exatamente o que sempre foi. O que perdi é a antiga fé infantil na política prática.

“Uma visão é sempre sólida e confiável. A realidade é que muitas vezes é uma fraude.” G.K. Chesterton

Não quero fazer politicagem para me encaixar dentro do sistema, ainda que conviva com ele todos os dias; ainda que tenha que lutar contra todas as minhas vaidades. Poderia me encaixar dentro de qualquer lugar e ainda ter uma posição de certo renome. Poderia abandonar meus sonhos idealistas para viver a realidade do pragmatismo religioso. Poderia, pelas circunstâncias e dificuldades, considerar impossível viver um novo tempo, conformar-me com os modelos já existentes e assim ter uma vida um pouco mais tranqüila. Mas sei que as pessoas que marcaram as gerações são justamente aquelas que se mantiveram fiéis até o fim e que não “dançaram conforme a música”. Eu também não dançarei.

Parece que sou um revolucionário de guerra. Não se assustem. Só gostaria de motivá-los para viverem uma vida intensa. Motivá-los a viverem os sonhos que Deus plantou no coração de cada um de vocês. Quero que vocês entendam que logo o vigor da juventude passará e se vocês não lutarem por um ideal, poderão se tornar velhos “assassinos” de jovens sonhadores - frustrados. Mas sei que o mais valioso sonho é vida íntima com Deus. A motivação deve ser correta. 

“Apaixonar-se por alguém é mais poético do que se apaixonar pela poesia.” A crença em Jesus Cristo é algo como apaixonar-se por alguém e não algo como apaixonar-se pela poesia. Não se trata de algo semelhante como tocar, dançar, pregar ou quaisquer outras atividades eclesiásticas e sociais. Trata-se, pelo contrário, de algo semelhante a escrever as próprias cartas de amor ou assuar o próprio nariz. Seria bom que essas coisas cada um pratique para si mesmo, ainda que as faça mal feitas. Parafraseei - de novo - Chesterton.

Paulo David Muzel JR - Tropical

Paradoxo II

Pô, diz ae, o cristianismo realmente é demais. Mais uma vez lembrando que estou me referindo ao cristianismo bíblico e não cultural. Certo?
Todos nos sabemos que o maior mistério é o fato de Deus ter-se feito homem – Jesus sendo cem por cento Deus e cem por cento homem. Todas as outras coisas – dilúvio, muralhas de Jericó, multidão passando pelo meio do mar, a força de Sansão, etc. – quando comparados ao nascimento, morte e ressurreição de Jesus, são como nada. Mas o cristianismo é cheio dessas. Ele conseguiu manter coisas distintas e ao mesmo tempo valorizá-las em sua força. No cristianismo as cores não se misturam. O preto continua sendo preto e o branco continua branco. Eu me arrisco dizer que no cristianismo não existe a cor cinza. A bíblia diz que o leão deitou-se com o cordeiro (acho que está em Isaías 11). A tendência do pensamento dessa geração é dizer que o leão se torna como o cordeiro e por isso poderão andar juntos. Como se a fera deixasse de ser uma fera ou que o uma cor deixasse de ser pura – que o vermelho se misturasse com o branco para ser cor-de-rosa. Tenho que dizer que não entendo dessa maneira. Isso seria um erro brutal. Seria o cordeiro absorvendo o leão em vez de leão comer o cordeiro. (parafraseei Chesterton)
O verdadeiro problema é o seguinte: Pode o leão deitar-se com o cordeiro e ainda manter sua grande ferocidade? Esse é o problema que a igreja enfrenta, é o problema que nós enfrentamos. Mas é o milagre que Jesus conseguiu explicar. Jesus é cem por cento viril e cem por cento sensível. Ele consegue odiar o sistema religioso de sua época e chorar pelos perdidos; consegue chicotear os caras que profanavam o templo (vale lembrar que desde que o E.S. passou a morar em nós, nos fez templos; e profanar o templo é profanar o próprio corpo), chamar os religiosos de hipócritas e merecedores do inferno, e ao mesmo tempo Jesus consegue morrer numa cruz para dar vida eterna a quem nele crer. Ele é chamado de “O Leão da Tribo de Judá” e também de “O Cordeiro de Deus” que tira o pecado do mundo.
Subestimam o cristianismo os que dizem que ele descobriu a misericórdia; qualquer um poderia descobrir a misericórdia. De fato todo o mundo o fez. Mas descobrir o plano para ser misericordioso e também severo, só Jesus o fez. A psicologia moderna é mestra em dizer que as coisas poderão ser cinza. Dirá que o ser humano não poderá ser tão orgulhoso e também não poderá se humilhar tanto; dirá que as coisas têm limites e que devemos equilibrar um pouco de cada uma delas. Mas dizer: “Aqui você poderá ser totalmente orgulhoso e ali você pode rastejar” – isso só a Palavra de Deus pode ensinar. Esse foi o grande feito envolvendo a ética cristã, a descoberta de um novo equilíbrio – o equilíbrio entre os extremos e não a mistura das cores.
Por esse motivo é que não abro mão da Verdade, que não sou politicamente correto. Mas ao mesmo tempo busco sabedoria da parte de Deus para separar as coisas, os sentimentos, e não misturá-los. Quero ser como Jesus. Quero amar as pessoas e saber repudiar com muita força toda idéia religiosa. Não gosto de preceitos que aprisionam o homem, gosto dos que servem para libertar. O mundo funciona de acordo com a cultura de seu tempo e a religião não consegue escapar disso, mas o cristianismo verdadeiro permanece – eu já disse que o evangelho tem vida própria – com grande força e velocidade, arrebentando com novas seitas e doutrinas. Ser crente é viver ferozmente em meio a tantos modismos e crenças que se conformam a necessidade de cada nova geração; ser crente é viver uma aventura de inigualável força e sensibilidade; ser crente é ser de pura cor e jamais de meio tom só para agradar a todos.

Valeu

Paulo David Muzel Jr - Tropical

Paradoxo

Bom galera, todos sabemos que a vida é cheia de paradoxos, certo? Mas também deveríamos saber que os mistérios dos paradoxos só se desfazem quando entendemos, de fato, a vida que há em Deus. A bíblia divide bem os paradoxos e também os explica de maneira bem profunda e simples.

Eu sempre disse que o grande desafio da vida é ser equilibrado. Na verdade aprendi dessa maneira. Mas se analisarmos mais isoladamente cada uma das coisas que podemos fazer, logo concluiremos que existem coisas que não poderão equilibrar com mais nada, mas que deverão ser anuladas. Em contrapartida existem coisas que deverão ser bem mais intensas na prática. Existe sim, nos ensinamentos bíblicos um paradoxo desequilibrado. Pois se estou cheio da grana não poderei dizer que sou rico caso meu irmão esteja pobre.

Agora preste bem a atenção nos exemplos que você irá ler.
Sobre coragem. A coragem é quase uma contradição, pois significa um forte desejo de viver que toma a forma de uma disposição para morrer. “Quem perder a sua vida, salvá-la-á,” é um paradoxo totalmente desequilibrado. Não vejo equilíbrio nisso.
Veja esse exemplo: “um soldado cercado por inimigos, se quiser achar uma saída, precisa combinar um forte desejo de viver com uma estranha despreocupação com a morte. Ele não deve simplesmente se agarrar a vida, pois então será um covarde – e não escapará. Ele não deve simplesmente aguardar a morte, pois então será suicida – e não escapará. Ele deve buscar a vida num espírito de furiosa indiferença diante dela; deve desejar a vida como água e, no entanto, beber a morte como vinho”. Cherterton

Sobre modéstia. A modéstia é uma palavra que traduz bem o equilibro entre orgulho e humildade. Pessoas que poderiam ser chamadas de equilibradas, simplesmente poderiam dizer que estão contentes consigo mesmas, mas não tão satisfeitas; pois existem muitas pessoas melhores e muitas pessoas piores do que ele; e que seus méritos, apesar de limitados, cuidará bem deles. Resumindo, uma pessoa assim diz que caminhará de cabeça erguida, mas não necessariamente de nariz empinado. Isso parece digno de um homem. Não parece?
Mas deixe-me dizer, o equilíbrio dessas duas coisas poderá ser a diluição de ambas; nenhuma está presente em sua força plena. Esse orgulho adequado não eleva o coração como o som de trombetas.
Em contrapartida, essa suave modéstia racionalista não purifica a alma com fogo; ao contrário da humildade rigorosa e profunda, ela não transforma o homem numa criança que poderá sentar-se aos pés de Jesus. Mas o cristianismo (não a cultura cristã moderna, mas o cristianismo real), buscou salvar as duas coisas. Ele separou as duas idéias e depois exagerou ambas. Num sentido, o homem devia sentir-se mais orgulhoso do que nunca, noutro ele devia ser mais humilde do que jamais fora. Na medida em que sou homem, sou a principal das criaturas. Na medida em que sou um homem, sou o principal dos pecadores.

Escrevi isso para dizer que em algumas coisas precisamos ser bem intensos. Se quisermos viver um sonho, precisamos ser intensos em tudo o que for necessário para realização do mesmo. Se quisermos ser íntimos de Deus, precisamos ser intensos na comunhão, na leitura da palavra, na oração, na santificação, no ódio contra o pecado, etc. Mas jamais poderemos equilibrar vida com Deus e vida mundana; essa precisará ser anulada.

NÃO SÃO AS PESSOAS EQUILIBRADAS QUE CONTRIBUEM PARA GRANDES MUDANÇAS. SÃO AS PESSOAS INTENSAS QUE MARCARAM A HISTÓRIA E CONTRIBUÍRAM PARA REFORMA.


Paulo David Muzel Jr – TROPICAL

Geração de Frustrados

Essa última geração de jovens profissionais tem sido bombardeada com a idéia de formação profissional para ser um bom líder.
Nunca na história, tantos livros foram escritos com a finalidade de informar as pessoas de como elas podem se tornar um líder eficiente. Os livros permeiam em informar a você a fórmula mágica para se tornar um líder. Os temas normalmente são: “Como se tornar um líder eficiente”, “Como ser líder e influenciar pessoas”, ...
No meio profissional a palavra líder tem sido usada na substituição da palavra chefe e coordenador. Creio que a palavra líder é muita forte, o conceito e valores de um líder são especiais. O líder normalmente não deseja ser líder, ele é colocado nesse posto naturalmente por outras pessoas. Mas o objetivo agora não é discutir sobre liderança e sim possíveis frustrações.
Além de livros, pessoas tem se especializado no assunto e realizado cursos e palestras nas empresas. 
O grande problema é que não existe espaço para todos serem líderes. Quando me refiro à líder quero dizer chefe e não existe ainda um livro com o tema: “Me preparei para ser líder e não sou: E agora?” Com isso, uma geração de frustrados começa a surgir.
No meio evangélico, não tem sido diferente. São várias as pregações onde nos informam que o crente foi chamado por Deus para ocupar um lugar de honra, que foi chamado para ser rei e não plebeu, para dar o dízimo que será próspero. Se eu sou crente então vou ocupar um lugar de destaque na minha empresa, na política, vou ter posses, vou ser próspero.
Ai, vem o mesmo problema, a frustração, não tem lugar para todos e também porque o não crente também tem ocupado o lugar de honra e tem sido chamado para ser rei.
Quando o crente escuta uma mensagem desse tipo e olha para si e vê que se dedica tanto para Deus e que ele não é chefe, não tem uma empresa, leva uma condição de vida humilde, poderá com isso, ficar frustrado.
Quanto ao não crente ocupar esses espaços, muitas vezes escuto que é porque eles vendem a alma para o diabo. Como a maioria dos chefes, reis e ricos não são crentes posso me levar a crer que o diabo tem mais poder que Deus e esse tipo de pensamento eu não me permito.
Creio que os valores de honra, posse e Rei para Deus devem ser diferentes dos valores humanos. Jesus disse “Porém, muitos primeiros serão os últimos, e muitos últimos serão os primeiros” (Mat.:19:30), que não devemos juntar nada nesse mundo o que a traça possa comer mas juntai no céu (Mat.: 6:19,20), Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus (Lucas 12:21).
Não escuto que pregações que o crente foi chamado para ser rei mas que pode acabar como Estevão, apedrejado, João Batista, degolado, Paulo, preso, fugitivo e morto ou como vários cristãos comidos por leões para divertimento dos romanos. Isso talvez prepare a pessoa para não se frustrar.
O sucesso e o fracasso é fruto do trabalho e o crente e não crente está sujeito aos dois.
“Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.” (Mat.: 5:45)

Roberto “Tusa” Ferreira

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A IRA DE DEUS... O MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO

Sempre questiono as pessoas a respeito de que nós somos salvos. Não é para minha surpresa que a resposta da grande maioria das pessoas é que somos salvos do diabo e do inferno. Porém, quanto a esta questão, a bíblia tem outra resposta. Ela diz que somos salvos do pecado (MT1.21), e da ira de Deus (JO3.36 - RM5.9). T
alvez agora, você esteja espantado, e dizendo: "SALVOS DA IRA DE DEUS!"

SALVOS DO PECADO
O versículo de Mateus, diz que José, através de um sonho, foi avisado por um anjo que Maria daria à luz um filho que se chamaria Jesus pelo fato de salvar as pessoas dos próprios pecados. 

Temos que ter o cuidado para não ensinar às pessoas que podem ser salvas do inferno sem jamais serem salvas dos próprios pecados. 

Muitos ficariam felizes com tal ensino, pois imagina só.
.. salvos do inferno podendo pecar deliberadamente (IJO2.1). Ou seja, Deus salvaria as pessoas da penalidade mas as deixaria com o problema. Porém não é isso que a bíblia diz. Ela nos ensina que não devemos mais viver de acordo com as paixões dos homens, e sim de acordo com a vontade de Deus (IPE4.2). A bíblia também diz que Deus odeia o pecado (HC1.13), pois ele nos mata (RM6.6-14) e também nos separa d'Ele por toda a eternidade (IS59.2). Deus nos diz para sermos santos - separados (IPE1.16). Quando a
 Palavra nos ensina que Jesus veio salvar as pessoas dos próprios pecados, é porque só o sangue d'Ele pode nos purificar de todo pecado. Mas a condição é somente se nós confessarmos os nossos pecados (IJO1.5-10).



Até agora, tudo bem - Jesus nos salva dos pecados para não sermos condenados e irmos para o inferno. Entendi. Mas esta segunda parte é que eu ainda não havia entendido. Até conhecia o texto mas não entendia o que isso queria dizer "salvos da ira de Deus". Falei muito desse texto sem entendê-lo com mais amplitude. Preguei muitas vezes dizendo que aqueles que não tivessem recebido a Jesus como Senhor e Salvador, ainda estavam debaixo da ira de Deus. Como assim, não estão? Vou explicar com base no texto de Romanos 5. 6 a 11.

"Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação."

SALVOS DA IRA DE DEUS
Sei que este é um assunto que poderá gerar grandes polêmicas, pois envolve discussões sobre escatologia, tribulação e o juízo de Deus. Mas não é sobre isso que quero comentar, e sim sobre como Deus falou comigo através desse texto. Era uma tarde de segunda-feira e eu estava buscando algo de Deus para falar numa nova reunião de pequenos grupos. Quem me conhece, sabe que gosto muito da carta de Paulo aos Romanos, e por este motivo é muito comum eu começar uma leitura a partir dai. Como esta reunião era mais voltada para uma galera mais nova, quis falar sobre a justificação mediante a fé na obra de Jesus Cristo. Sei que a idéia de que Deus nos ama por aquilo que fazemos é bem comum e também errada, pois está escrito que não há quem faça o bem (RM3.10-12). Também sei que nós, apesar de termos conhecido Jesus, continuamos tentando ser mais gostados por Deus por aquilo que fazemos; e quando o que fazemos não está de acordo com o que é de fato é certo, caímos num profundo julgo do diabo. Ao ponto de pensarmos que agora já não somos mais merecedores do amor de Deus - como se antes fôssemos merecedores de alguma coisa boa. 

Este texto diz que Deus prova o seu próprio amor, pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores, ou seja, estávamos totalmente mortos, separados e literalmente inimigos de Deus, e mesmo assim Ele já nos amava. O texto ainda diz: "... muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue... " - simplesmente esta pequena parte tem me confortado - MUITO MAIS AGORA... - não posso ser mais querido por Deus pelo que faço, mas independente disso, sou justificado pelo sangue de Jesus que me reconcilia com Deus.

O texto também apresenta três pontos importantes que devemos aprender. Primeiro, Deus estava irado - RM5.9 e JO3.36 - segundo, Jesus pagou a nossa dívida - RM5.10a - e terceiro, nos apropriamos da salvação quando aceitamos a Cristo pela fé - RM5.10b. Neste versículo 10, temos dois tempos relacionados com a nossa redenção. Vou repetir: quando Cristo morreu, a dívida foi paga (primeiro tempo); e nos apropriamos dela quando o aceitamos (segundo tempo). O grande lance é que Jesus veio estabelecer o que nós jamais conseguiríamos, a reconciliação com Deus. Para que isso acontecesse, era necessário pagar um preço que não podíamos. 
No Salmo 85 diz, por acaso estaria Deus sempre irado, e sua ira seria prolongada por todas as gerações? Mas o salmista clama para que Deus revelasse sua misericórdia e com isso nos concedesse a salvação. E isso aconteceu de fato. Jesus nasceu e morreu pelos nossos pecados aplacando assim a ira de Deus e nos trazendo a reconciliação. 

Sempre disse que se uma pessoa não aceitasse a Jesus no momento que estamos conversando sobre salvação, ela permaneceria debaixo da ira de Deus. Pior, muitas vezes falei às pessoas como se eu mesmo fosse esse "deus" irado. Imagino o profeta Jonas anunciando uma grande destruição ao povo que morava na cidade de Nínive (JN3.4) - uma pregação irada - desejando muito mais que o povo fosse consumido pela ira de Deus do que reconciliado com Ele. A diferença é que Jonas conhecia muito bem a misericórdia de Deus (JN4-2). Por esse motivo, Jonas sabia que o povo se arrependeria e Deus os perdoaria. Mas isso eu desconhecia, pois muitas vezes que falei de Deus às pessoas, sem que houvesse uma aceitação da parte delas, ficava inconformado acreditando que Deus, assim como eu, de fato gostaria de consumi-las. Ficava mais irado ainda quando via pessoas em situações de escândalos ou qualquer outro tipo de depravação. O meu sentimento era mesmo de subversão e condenação. Mas, como se não reconhecesse, desconsiderava a misericórdia e a graça de Deus. Fui poupado pela misericórdia e alcançado pela graça, mas mesmo assim não entendia. A bíblia diz que Jesus olhava a multidão e se compadecia delas (MT9.36). Isso significa que Jesus não somente olhava as pessoas, mas participava do sofrimento delas. Quando olhamos para as pessoas, não temos compaixão. Parece que é como se tivéssemos uma vissão parcial das pessoas, e as olhamos como coisas, números, árvores... não sentimos nada. Nessas condições, muito dificilmente sairá da nossa boca uma palavra de reconciliação. 

O texto diz que recebemos a reconciliação com Deus por aquilo que Jesus Cristo fez. Em IICO 5.18 diz que tudo provém de Deus que nos reconciliou por meio de Jesus Cristo, e que também nos deu o ministério da reconciliação. Posso dizer que dentro do chamado comum para toda igreja - a crande comissão - o nosso ministério é o da reconciliação e não da condenação. A nossa pregação não pode ser irada e sim cheia de compaixão, pois o amor constrange os corações (IICO5.14).

Precisamos dizer às pessoas que Jesus Cristo pagou a nossa dívida quando morreu na cruz pelo nossos pecados. Precisamos dizer que a reconciliação com Deus já foi feita pela morte de Cristo e que agora todos podem se apoderar dela pela fé.




PAULO DAVID MÜZEL (TROPICAL)

Bíblia

Os segredos da maturidade cristã estão prontos para serem descobertos na Escritura por todos aqueles que o buscam. Há uma amplitude na Palavra de Deus que poucos de nós conseguem depreender, uma profundidade que raramente sondamos. 

Nosso cristianismo é particularmente superficial. Nós empobrecemos com as concepções rasas e insatisfatórias que nutrimos a respeito dele. Hoje algumas pessoas falam de Cristo como se ele fosse uma espécie de remédio injetável que pudéssemos aplicar em nós mesmos e viajar para o mundo da fantasia quando nos sentíssemos deprimidos. Cristo, no entanto, não pode ser manipulado dessa forma. A igreja contemporânea parece ter uma compreensão estreita da grandeza de Jesus Cristo como Senhor da criação e Senhor da Igreja, diante de quem não podemos levantar o rosto do chão. Tampouco parecemos entender sua vitoria como é apresentada no Novo Testamento, com tudo a seus pés, de modo que, se nos unimos a Cristo, tudo também fica a nossos pés.

Parece-me que uma visão ampliada de Jesus Cristo é nossa maior necessidade hoje. Precisamos entendê-lo como o único em quem habita a plenitude de Deus e o único por quem podemos chegar a plenitude de vida (ICO 1.19; 2.9; 9.10). Há apenas um modo de adquirir concepções claras, verdadeiras, revigorantes e sublimes a respeito de Cristo, e esse modo é pela Bíblia. A Bíblia é o prisma através do qual a luz de Jesus Cristo decompõe-se em múltiplas e admiráveis cores. A Bíblia é um retrato de Jesus Cristo Temos que contemplá-lo com tamanha intensidade de desejo que (pela obra graciosa do Espirito Santo) ele se torne vivo para nós, encontre-se conosco e preencha-nos com ele mesmo. 

Para apreender Jesus Cristo em sua totalidade é essencial compreender o cenário em que Deus o oferece a nós. Deus deu Cristo ao mundo em um contexto geográfico, histórico e teológico específicos. Em outras palavras, ele o mandou a um lugar específico (a Palestina), em determinado tempo (o apogeu dos séculos da história judaica) e em um arcabouço específico de verdade (aos poucos revelada e para sempre registrada na Bíblia). 


A Bíblia não é, portanto, basicamente um livro de ciência, nem de literatura, nem de filosofia, mas de salvação.



Extraído do livro “Entenda a Bíblia” - John Stott

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Pecadinho e pecadão

Sempre dissemos que não existe diferença entre pecadinho e pecadão, e que, afinal, pecado é pecado, mas a diferença está na conseqüência de cada um deles. Certo? Pois eu diria que é justamente a conseqüência do pecado que é igual, pois é o pecado – pequeno ou grande que causou a inimizade contra Deus – morte. Comecei este texto sem muita ambição quanto a argumentação. Comecei a escrever apenas como mais um pensamento, uma reflexão com algumas referências bíblicas. Pois se nós analisarmos alguns textos a mais, perceberemos que esse argumento de que não existem tamanhos diferentes de pecados, pode também ser uma teologia superficial. Confundir pecadinho com pecadão é como coar mosquito e engolir camelo. Talvez nada disso interfira em nossa salvação, pois ela está sujeita ao arrependimento de nossas obras mortas; mas brother, como está escrito, o erro é uma conseqüência da falta do conhecimento – das escrituras e do poder de Deus. Por isso temos ouvido e falado muitas coisas que nada tem a ver com o que está na bíblia. E com isso, cada vez mais se cria uma doutrina com preceitos meramente humanos.
Essa idéia nunca me caiu bem. Como poderia entender que os pecados têm o mesmo peso se na minha própria vida me senti muito diferente a cada erro cometido. Tentamos nos convencer e também convencer as pessoas de que pecado é pecado independente do tamanho - diga-se de passagem, isto é tão óbvio como dizer que banana é banana independente do tamanho. Mas nem precisamos argumentar muito sobre isto, basta lembrarmos da afirmativa que Jesus fez a Pilatos: "Aquele que me entregou a ti maior pecado tem" (JO 19.11). Num português claro, Jesus está dizendo que essa pessoa tinha um pecadão. 

Comecei este assunto num grupo de e-mails do qual eu faço parte. Nem sempre as pessoas correspondem aos temas dos e-mails com tamanho interesse como foi o desse caso. Por conta disso recebi algumas repostas que acrescentaram bastante ao assunto e por isso também irei compartilhá-las em algumas partes mais interessantes. 

Negligenciar o grau, ou tamanho do pecado é tão perigoso como desconsiderar o tamanho do amor. 
Segundo nosso Mestre, maior amor tem aquele que dá a sua vida por seus amigos (note que não é por seus inimigos). Ele também nos ensina que o tamanho do amor, para nós pecadores, está diretamente relacionado com o tamanho da dívida, ou melhor dizendo, do perdão. Aquele a quem mais foi perdoado mais ama. Dar o valor correto à obra de Jesus, ao seu perdão e à sua graça, é um pré-requisito para segui-lo e ser discipulado por ele. Sobre esse tema escreveu muito bem o teólogo alemão Bonhoeffer, o qual também pagou com sua própria vida por levantar-se em favor dos valores cristãos contra os absurdos do sistema nazista.

É verdade que todo e qualquer pecado separa o homem de Deus, e que a graça de Deus superabunda onde o pecado abundou. Deus, em seu amor infinito, perdoa até as maiores dívidas humanas. Seus tesouros são inesgotáveis. Mas isso não é uma licença para um caos moral. Roubar um ovo é bem diferente de assassinar o dono da galinha. Então aquela conversa de que se for pecar, peca direito, é uma grande baboseira. Tudo o que fazemos dentro de uma igreja local, as questões de quem pode ou não administrar um culto, é também um tema pra lá de secundário, enquanto está havendo idolatria, avareza, adultério e roubo de segunda a sábado. 

É nossa tarefa como cristãos que amamos ao Senhor, nos posicionar firmemente contra os absurdos que acontecem dentro ou fora do meio eclesiástico. Onde está nossa ira santa? Nosso zelo? A mídia, muitas vezes, banaliza coisas abomináveis. Assim, a nossa tolerância com coisas intoleráveis passa a ser nosso padrão de conduta. Contentamos-nos em orar, em pregar ou escrever sobre o assunto, mas nunca partimos para uma ação concreta. Ou ainda quando agimos, faço isso isoladamente, tranqüilizando minha consciência achando assim que “fiz minha parte”. Antes não entedia bem a atitude de Jesus ao pegar no chicote e dar uma apavorada nos vendilhões do templo (hoje nós é que somos templos), mas, ainda bem que hoje percebo que existe uma grande diferença entre o nosso Senhor e Gandhi, aquele cara super bonzinho e equilibrado. Não podemos mais ficar nos escondendo atrás de uma mansidão que só revela covardia, enquanto milhares de inocentes pagam com suas vidas. Uma teologia inteligente e coerente que leve à prática é o que conduz à transformação de nossas mentes e ao inconformismo com esse mundo e os crimes hediondos que nele ocorrem. E somente bem organizados é que conseguiremos agir eficazmente contra os pecadões que estão se alastrando pelo nosso mundo a fora.

Valeu Galera,
Tropical

Deus nos prometeu nada...

Posso dizer que sempre fico incomodado quando leio certo texto bíblico que fica no livro de Tiago. Tal texto mexe com minha comodidade. Não gosto muito da idéia de ter que abrir mão do conforto que uma estrutura religiosa me oferece. Exercer minha fé participando dos “cultos” de minha igreja local ou participando de algum “ministério” mais específico – música, escola dominical, jovens, cantina, etc. – dentro da própria denominação, ou até mesmo pregando todos os dias, é a maneira mais fácil e agradável que existe. 
Tal texto de Tiago diz que se uma fé não for acompanhada de ações é coisa morta. É ai que está o “X” da questão. Que tipo de ações são estas? Será que o fato de freqüentarmos ou participarmos periodicamente das atividades de nossa igreja local não poderá ser caracterizado por ações que validam a fé que temos? 

Sinceramente eu vejo essas atividades igrejeiras como parte de um pacote e não como algo completo. Compreendo a importância da nossa participação nelas e também as vejo como algo que exige de nós certo exercício de fé. Fazer parte de um departamento, por exemplo, exige de nós o mínimo de abnegação. Afinal poderíamos ir ao cinema durante esse tempo que estamos na “igreja”, mas abrimos mão para cumprir nosso compromisso de membro. Além disso, também precisamos nos relacionar com outras pessoas que pensam diferente; para isso precisamos exercitar nossa fé. Mas, para não correr o risco de parecer que estou querendo ditar uma doutrina, daqui por diante escreverei da minha própria parte, por mim mesmo e não pelos outros.

Eu sei o quanto é confortável e gostoso trabalhar dentro de uma igreja local. Sei a segurança que isso representa e o prazer que isso me deu. Sei que isso pode me fazer parecer mais importante do que realmente sou e o quanto é gostoso conviver com o grupo de amigos que conquistei ao longo dos anos de convivência. Sei que uma igreja local pode ser a extensão de minha própria casa e também meu porto seguro. Mas o contra senso disso é que pertenço àqueles que foram chamados para fora. Fomos chamados para fazer a diferença além do cercado das quatro paredes, da cultura religiosa, da nossa cidade, do nosso grupo de amigos, etc. 

Tiago escreveu que para Deus, o Pai, a religião pura e verdadeira é esta: ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo. Que Deus escolheu os pobres deste mundo para serem ricos na fé e para possuírem o Reino que ele prometeu aos que o amam. No entanto, pelo que me parece, naquela época desprezavam os pobres. Pergunto-me, será que somente naquela época que desprezavam os pobres? Infelizmente eu vejo que hoje em dia não é diferente. Olhamos para as pessoas e as enxergamos como se fossem árvores. Olhamos para os pobres que ficam mendigando nas esquinas, e logo os julgamos como enganadores ou vagabundos. Não nos compadecemos. Entregamos nossos dízimos para garantir nossa prosperidade e com isso não entendemos o paradoxo desequilibrado – se meu irmão estiver necessitado, não poderei dizer que sou próspero mesmo tendo de tudo. 

Eu ainda pergunto, será que as obras que justificam a fé são as atividades e compromissos que tenho na minha igreja local? Será que o simples fato de deixar de ir ao cinema para participar de uma reunião de departamento da minha igreja poderá ser considerado como obra que justifica a fé? Será que posso considerar um evento que realizei na igreja local como sendo o exemplo máximo de fé? Será que quando Tiago falou de fé e obras ele quis dizer apenas de atividades eclesiásticas? 

Meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé se ela não vier acompanhada de ações? Será que essa fé pode salvá-lo? Por exemplo, pode haver irmãos ou irmãs que precisam de roupa e que não têm nada para comer. Se vocês não lhes dão o que eles precisam para viver, não adianta nada dizer: "Que Deus os abençoe! Vistam agasalhos e comam bem." Portanto, a fé é assim: se não vier acompanhada de ações, é coisa morta. Mas alguém poderá dizer: "Você tem fé, e eu tenho ações." E eu respondo: "Então me mostre como é possível ter fé sem que ela seja acompanhada de ações. Eu vou lhe mostrar a minha fé por meio das minhas ações." 

O conceito de fé que as pessoas têm aprendido é esse: “Fé é aquilo que coloca Deus em movimento (em meu favor)”. Mas agora irei lhes apresentar um novo conceito de fé que talvez vocês nunca tenham ouvido: “Fé é aquilo que nos coloca em movimento (em favor do próximo)”.

Uma boa frase de tal evangelista Luis Palau: “A igreja é como esterco. Se empilharmos o esterco num só lugar vai cheirar mal. Espalhe o esterco pela terra e ele enriquece o solo e faz crescer. Hoje, quando procuro uma igreja, procuro uma que entenda a necessidade de olhar para fora.” 

Ai está o perigo de gostarmos demais da comodidade que uma igreja local poderá nos oferecer. Digo que todas as igrejas locais devem, ao menos, cuidar dos seus membros, cuidar de seu próprio bairro, e se não houver necessitados, deve procurar ajudar em outros lugares. Digo que esse papel não é apenas da instituição local, mas de cada indivíduo que entendeu a graça de nosso Senhor Jesus Cristo. 

James Houston, professor de teologia da espiritualidade, diz que quando caímos nessa rotina de fazer as coisas – de tentar construir uma vida de significado e segurança através de histórias e rotinas aprovadas por Deus, temperados com finais de semanas divertidos e interlúdios eróticos ocasionais, sem lidar, em primeira mão, com fé e obediência, e sem lidar com Deus – o nome genérico para isso é “religião”. É claro que ninguém arriscaria a dizer que isso é uma vida sem Deus. A questão maior é onde, o Deus que está aí, tende a ser mais um pano de fundo e recurso – uma Qualidade ou um Ser que oferece as idéias e a energia que eu controlo, organizo e uso como quiser. A real é que todos nós fazemos isso; alguns mais, outros menos.

Cresci participando, pelo menos umas duas vezes por ano, de cultos de missões onde decoram o salão com bandeiras de diversos países e fazem apresentações de algumas culturas estrangeiras para representar algumas nações da terra. Mas hoje eu entendo que a missão da igreja se estende às necessidades da vizinhança. 

“Estou dolorosamente ciente de que a espécie de igreja que descrevi, a igreja ideal pela qual procuro, é a exceção e não a norma. Muitas igrejas oferecem mais entretenimento do que adoração, mais uniformidade do que diversidade, mais isolamento do que alcance para fora, mais lei do que graça. Nada perturba mais a minha fé do que a decepção que sinto com a igreja invisível... Chego a ver na humanidade falha da igreja o paradoxo de um sinal de esperança.” Philipe Yancey


Deus nos prometeu nada, nada nos faltará.


Valeu galera, leiam o livro de Tiago. Ele é chamado pelos eruditos como o livro da sabedoria no NT. Como provérbios do AT.


Tropical

Fiquei com vontade de escrever um pouco sobre fé. Foi o que falei na ONG no domingo passado, porém adaptado para nossa realidade como AIRO. Todos nós já sabemos que a melhor definição de fé está no capítulo onze do livro de Hebreus. Diz que a fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.
Aprendi com a Vivi (minha esposa), que eu preciso extrair dos textos bíblicos a aplicação prática de cada um deles. Então eu não poderia mais ler a definição de fé sem que pudesse dizer como que esse conceito se aplica na minha vida diária. Como exemplo do que quero dizer a vocês, usarei uma das histórias que Mateus conta a respeito de Jesus. Diz que Ele subiu num barco e que seus discípulos foram juntos. Só que no meio do rolê uma grande tempestade agitou o lago ao ponto das ondas cobrirem o barco. A cena foi tão assustadora que os caras apavorados, pensando que iriam morrer, foram até Jesus, que estava dormindo (como pode alguém dormir no meio de uma tempestade? Só Jesus mesmo), para pedirem socorro pelas suas próprias vidas. Digo que eles fizeram o que qualquer um faria, ou seja, no momento de desespero, ninguém melhor que Jesus para nos socorrer. Porém, para nossa surpresa, ao invés de Jesus elogiá-los, ao invés de exaltar a fé desses caras, ele chamou-os de medrosos, tímidos e homens de fé pequena. 

O conceito de fé que as pessoas têm aprendido é esse: “Fé é aquilo que coloca Deus em movimento”. Mas agora irei lhes apresentar um novo conceito de fé que talvez vocês nunca tenham ouvido: “Fé é aquilo que nos coloca em movimento”.

Jesus diz que a fé dos caras era pequena justamente pelo fato de que eles poderiam ter dado ordem a tempestade ao invés de acordá-lo. Pelo sangue de Jesus que está sobre nossas vidas e pelo Espírito Santo que habita em nós, nos foi dado autoridade para expulsar demônios, para determinar cura sobre os doentes e até ressuscitar os mortos – pelo nome de Jesus o Cristo.
Os caras deveriam ter uma atitude diferente da que tiveram. Os caras deveriam agir e pronto. 

Quanto a nossa realidade, precisamos ter uma atitude de fé ativa. Se sonharmos com alguma coisa, não adianta ficar parado lamentando ou até mesmo pensando assim: “Deus, faz alguma coisa. Nos dê um trabalho (ministério) bacana, uma local próprio para nossas reuniões, um evento, unção, ousadia, vontade de te servir, de ler a bíblia, de orar, nos dê um time de trabalho como nunca se viu igual, umas bandas, pregadores, um site muito louco, etc. 

TEMOS QUE TER UMA ATITUDE. A FÉ QUE TEMOS DO ESPÍRITO SANTO DEVERÁ NOS MOVER NA DIREÇÃO DA VONTADE DE DEUS. TEMOS QUE COLOCAR NOSSA CABEÇA PARA FUNCIONAR, PLANEJAR, ESCREVER, DISCUTIR, MEXER OS BRAÇOS E AS PERNAS, SAIR DE CASA, IR PARA OS LUGARES, FALAR, NEGOCIAR, PESQUISAR, TOCAR E CANTAR, PREGAR, DESPRENDER-SE, RESPONDER, MORTIFICAR DESEJOS DE PECADOS, CONSAGRAR-SE, PAGAR UM PREÇO E EXECUTAR. FÉ É O QUE NOS COLOCA EM MOVIMENTO, E NÃO O QUE COLOCA DEUS EM MOVIMENTO. POIS DEUS NÃO ESTÁ PARADO. POR FAVOR, ENTENDAM ISSO... ATITUDE GALERA.

O melhor texto para explicar esse novo conceito que acabaram de ler, é o que está na carta de Tiago, capitulo dois, do versículo catorze em diante. Está claramente escrito que ninguém poderá dizer ter fé se não movimentar suas mãos em favor do necessitado. Dessa maneira se a sua fé não estiver acompanhada de ações, é coisa morta. O verdadeiro conceito de fé é o que nos coloca em movimento na direção de Deus e consequentemente em favor do próximo – do necessitado. Também no próprio texto de Hebreus, se lermos o capítulo onze inteiro, veremos que todos os herói da galeria da fé se movimentaram, tiveram uma atitude, fizeram umas coisas muito loucas.



Paulo David Muzel Jr – TROPICAL
www.airocreations.com
muzel.jr@uol.com.br

Uma idéia pra lá de errada

Entre várias idéias erradas, existem alguns pensamentos a respeito da personalidade de Jesus Cristo que dá a impressão de que o cristianismo é algo fraco e doente. Por exemplo, que Jesus foi uma criatura gentil, acanhada e espiritual, exercendo pelo mundo um mero apelo ineficaz.
Mas lendo os evangelhos e examinando cada fato separadamente, descobri que tais conclusões a respeito de Jesus eram bem falsas. Em vez de examinar livros e quadros sobre o Novo Testamento, examinei o próprio Novo Testamento. Ali descobri em relato que absolutamente não mostrava uma pessoa de cabeleira partida ao meio ou de mãos entrelaçadas num gesto de súplica, mas mostrava um ser extraordinário com lábios de trovão e atos terrivelmente decididos, que derrubava mesas, expulsava demônios, passava com o bravio sigilo do vento do isolamento da montanha para uma espécie de medonha demagogia; um ser que muitas vezes agia como um deus irado – e sempre como Deus. 

Cristo até tinha um estilo literário próprio, que, em minha opinião, não encontramos em nenhuma outra parte; consiste no uso quase furioso do a fortiori [por causa de uma razão mais forte, ou seja, com muito mais razão]. Seus “quanto mais” acumulam-se um sobre o outro como um sobre o outro se acumulam os castelos nas nuvens. As palavras usadas a respeito de Cristo têm sido, talvez sabiamente, doces e submissas. Mas as palavras usadas por Cristo são curiosamente gigantescas, cheias de camelos passando por buracos de agulhas e montanhas arremessadas ao mar. Do ponto de vista moral, elas são igualmente tremendas: ele chamou a si mesmo de espada de matança e pediu aos homens que comprassem espadas, mesmo que para isso tivessem que vender suas vestes. O fato de ele ter usado outras palavras ainda mais violentas em defesa da não-resistência aumente grandemente o mistério; mas na melhor das hipóteses também aumente bastante a violência.
Nem podemos explicar isso chamando de insano esse tipo de ser, pois a insanidade é geralmente acompanhada de uma direção consistente. O maníaco é geralmente monomaníaco. Aqui precisamos nos lembrar da difícil definição de cristianismo que apresentei antes: o cristianismo é um paradoxo sobre-humano segundo o qual duas paixões opostas podem arder lado a lado.

G.K. Chesterton

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Perguntas que eu gostaria que todos me respondessem

Por definição, somos crentes por que acreditamos em alguma coisa, e se acreditamos em algo, isso também será base para tudo o que fazemos. Uma pessoa vive de acordo com o que crê. Mas se o que cremos é Jesus Cristo como único Senhor e salvador de nossas vidas, a maneira que vivemos já não poderá ser fútil. Esse tipo de fé deverá, no mínimo, fazer com que possamos enxergar o ideal de Deus para todo o homem e a realidade em que o mundo se encontra.

Andei pensando sobre o motivo que faz com que as pessoas aceitem as coisas como estão ou o porquê não lutam para ver uma mudança. Por isso também me fiz algumas perguntas e avaliei qual tem sido minha colaboração em relação a isso tudo. Farei as perguntas e depois as responderei por mim mesmo. Mas você também poderá respondê-las.
Estou conformado com o sistema religioso da minha época?
Em quais dessas definições eu me enquadro: conformado, religioso, visionário, sonhador, revolucionário ou reformador?
Eu tenho algum sonho ou visão? Se tiver, será que posso descrevê-lo? Se puder descrevê-lo, qual o estágio que me encontro para ver a realização do mesmo? Minha visão está mudando para se adaptar ao sistema ou ela está servindo para transformar o mundo e adaptá-lo a visão? 

Posso dizer que não estou conformado nem com o sistema e nem com o mundo, pois existe em mim uma grande insatisfação ao ver como as coisas estão caminhando. Sempre tive o devido cuidado para pensar a respeito das coisas e também das pessoas, pois já entendi que o coração humano é tremendamente corrupto e rebelde. Por este motivo também nunca me atrevi a dizer o que realmente acho que sou, pois também sei de minha vaidade que poderá preceder a minha própria ruína. Hoje, porém eu tive que responder a essas perguntas, por isso eu escrevo que além de não me conformar, luto para arrancar a religiosidade que existe em mim e que pela cultura me foi ensinada – tenho dito que conto com o Espírito Santo no processo de desprogramação da religiosidade que há em mim. 

Não me enquadro no termo conformado e luto para não ser religioso. É óbvio que todas as pessoas responderiam exatamente como eu respondi, e por isso, até aqui você poderá dizer “conta-me alguma coisa nova”. Logo se eu disser que eu também sou um visionário, você poderá acrescentar “você não é nada bobo e também não é diferente de ninguém, pois todos querem dizer que são visionários, mas não religiosos e conformados”. Por esse motivo que também me forcei a responder as demais perguntas. Aprendi que uma pessoa que diz ter um sonho ou uma visão deve ao menos para confirmar isso, conseguir descrever e escrever sobre o que está em seu coração e mente. Eu já escrevi dezenas de textos e centenas de páginas sobre o que está no meu coração. Mas, para ser objetivo, escreverei, mais uma vez, em poucas palavras o que tenho em meu coração. 

Sonho com uma igreja (agora eu falo da instituição e não da Igreja invisível), sem os preceitos que servem para deturpar a realidade da graça de nosso Deus manifesta em Jesus Cristo e confirmada pelo Espírito Santo. Preceitos como a cobrança do dízimo como sendo uma lei de Deus para os dias de hoje – e quem já me conhece sabe que não falo de tal assunto apenas como um achismo, pois também sei que existe um princípio bíblico quanto a contribuição, que hoje tudo o que temos pertence ao nosso Deus e que somos apenas mordomos e daremos conta de tudo o que nos foi colocado às mãos. Sonho com uma igreja em que nem os dons espirituais, assim como a vocação de cada um, façam com que o indivíduo se torne o maioral dentre o povo. Que os dons realmente sirvam para edificação do Corpo de Cristo e não como poder para controlar o povo em favor de sua própria placa de denominação ou até mesmo para autopromoção. Que todos aprendam que nós somos templos e não o prédio de qualquer que seja a igreja local, que nossa vida deve ser um culto integral e não apenas o momento em que a igreja se reúne para celebrar a vida de Deus, que o nosso coração é o verdadeiro altar que temos diante de Deus e não o púlpito. Sonho com uma igreja que entende que Jesus Cristo cumpriu seu propósito como homem - mesmo sendo o Deus encarnado - e não como um “super-homem”. Sonho com uma igreja que valorize os membros do Corpo de Cristo, suas famílias e casas mais do que o prédio que serve para a Igreja reunir-se; que valorizem as pessoas como iguais entre si. Ainda poderia escrever muito mais, porém até aqui está bom para responder se tenho uma visão ou um sonho e se posso descrevê-la. 

Sai de uma denominação local pelo sonho que tenho de ver uma igreja reformada. Abri mão do conforto da estrutura, da tradição, da reunião que tinha em minhas mãos, da história que ajudei a construir, da boa música, do bom grupo de amigos e do convívio de pessoas que aprendi a amar; para viver uma aventura em busca da realização de um sonho. Teoricamente um sonho não é algo concreto. Então, deixe-me dizer, descobri que me enquadro no termo “reformador”. Vou explicar por que. 

Reforma implica forma. Implica que estamos tentando conformar o mundo a uma imagem particular; transformá-lo em algo que mentalmente já enxergamos. Pois não acredito em desenvolvimento automático – como a evolução – e também acho que o simples progresso das coisas pode ser equivocado. Progresso é uma metáfora para um simples caminhar ao longo da estrada – muito provavelmente a estrada errada. Mas reforma é uma metáfora para homens racionais e determinados: significa que vemos determinada coisa fora de forma e queremos colocá-la em forma. E sabemos qual é a forma.

Chesterton disse: “Não estamos alterando o real para que se adapte ao ideal. Estamos alterando o ideal: é mais fácil”.

Existe o ideal, o padrão de Deus para seu povo que nada tem a ver com a realidade que vivemos como instituição igrejeira. Isso é fato. Porém, como um reformador, eu não me conformarei com a realidade, mas lutarei para que a realidade tome nova forma – reforme – ao ideal de Deus. Isso seve para mim também.

Tropical

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Tem gente querendo se convencer ou convencer racionalmente outras pessoas a respeito de Jesus.

Na verdade crer em Deus, em Jesus Cristo como Senhor e Salvador e no Espírito Santo como Consolador, não é mérito de ninguém. De fato para ser um crente em Jesus precisamos da revelação. Pois nenhum homem com suas faculdades mentais funcionando normalmente acreditaria que uma mulher poderia dar a luz a uma criança sem sequer ter tido uma relação sexual ou uma inseminação artificial. Pior, esta criança sendo fruto do Espírito de Deus e pior ainda, sendo o próprio Deus. Tem gente ainda querendo questionar Adão e Eva, Noé e o dilúvio, carruagem de fogo, Jonas na barriga da baleia, a abertura do mar vermelho, as muralhas de Jericó, Davi e Golias etc. Perda de tempo! Incontestavelmente pior é o nascimento de Jesus, sua morte e ressurreição.

Vejam este texto de J.I. Parker:

Deus encarnado
Não é de admirar que pessoas ponderadas achem difícil crer no evangelho de Jesus Cristo, pois as realidades ali apresentadas ultrapassam o entendimento humano. Entretanto é triste ver que muitos tornam a fé mais difícil do que ela é, encontrando problemas nos lugares errados.
Tome, por exemplo, a expiação. Muitos encontram dificuldades nesse ponto e questionam: Como podemos crer que a morte de Jesus de Nazaré - um homem morrendo na cruz romana - tira o pecado do mundo? Como pode essa morte ter qualquer ligação com o perdão divino para nossos pecados hoje?

Considere ainda a ressurreição, que para muitos é uma pedra de tropeço. Eles perguntam: Como podemos crer que Jesus ressuscitou fisicamente da morte? Na verdade, é difícil negar que o túmulo estava vazio - mas certamente a dificuldade em crer que Jesus se levantou dele em um corpo incorruptível é ainda maior. Não será mais fácil acreditar na teoria da ressurreição temporária depois de um desmaio ou do roubo do corpo, em vez de na doutrina cristã da ressurreição?
Veja também o nascimento vaginal, largamente negado pelos protestantes dos últimos dois séculos. As pessoas perguntam: como pode alguém crer em tal anomalia biológica?
E os milagres do evangelho? Muitos acham neles uma fonte de dificuldades. Tendo como certo que Jesus realizou curas (é difícil duvidar que ele as tenha feito devido às evidências, e de qualquer modo a história conhece outros curandeiros), como é difícil acreditar que ele tenha andado sobre as águas, alimentado cinco mil pessoas ou ressuscitado mortos? Histórias como essas são realmente inacreditáveis. Com estes outros problemas similares muitas pessoas à margem da fé estão hoje profundamente perplexas.

O maior mistério

Na verdade, a dificuldade real, o mistério supremo com o qual o evangelho nos confronta, não se encontra aqui afinal. Não está na mensagem da expiação da Sexta-feira Santa, nem na mensagem da ressurreição da Páscoa, mas no Natal com a encarnação de Deus. A afirmativa cristã realmente estonteante é que Jesus de Nazaré é Deus feito homem, que a segunda pessoa da Trindade tornou-se o "segundo homem" (ICO15.17), determinando o destino humano, e o segundo representante da raça humana, e que ele tomou forma humana sem perder a divindade, de modo que Jesus de Nazaré era tão verdadeira e totalmente divino quanto humano.
Aqui há dois mistérios pelo preço de um - a pluralidade de pessoas na unidade de Deus e a união da divindade e da humanidade na pessoa de Jesus. É aqui, no acontecimento do primeiro Natal que jaz a mais profunda e impenetrável revelação do cristianismo. "A Palavra tornou-se carne" (JO1.14); Deus tornou-se homem; o filho divino transformou-se num judeu; o Todo-Poderoso apareceu na terra como um bebê indefeso, incapaz de outra coisa qualquer além de ficar deitado, olhar, mexer-se e emitir sons. Alguém que precisou ser alimentado, trocado e ensinado a falar como qualquer criança. Não houve ilusão ou embuste nisso. A infância do Filho de Deus foi real. Quanto mais se pensa sobre isso, mais surpreendente se torna. Nenhuma ficção é tão fantástica quanto a verdade da encarnação.

Está é a pedra de tropeço do cristianismo. E nela fracassam judeus, muçulmanos, unitaristas, testemunhas de Jeová e muitos outros que se sentem desconfortáveis com as dificuldades mencionadas (nascimento virginal, milagres, expiação e ressurreição). Por causa da descrença, ou pelo menos da crença errada a respeito da encarnação, é que geralmente surgem dificuldades em outros pontos da história do Evangelho. Mas no momento em que a encarnação é compreendida (e isso para mim é somente pelo Espirito Santo que pode ser revelado/entendido), as outras dificuldades desaparecem.

Se Jesus tivesse sido apenas um homem piedoso e notável, seria imensamente difícil crer nos relatos do Novo Testamento sobre sua vida e obra. Mas se Jesus era a pessoa mencionada na Palavra eterna, o agente do Pai na criação, "por quem criou igualmente os mundos" (HB1.2), não é de admirar que novos atos de força criadora massacrem sua vinda a este mundo, sua vida aqui e sua partida. Não é estranho que ele, o autor da vida, se levante da morte. Se ele era realmente o Filho de Deus, é mais surpreendente sua morte que a sua ressurreição. "Todo este mistério! Morre o Imortal", escreveu Charles Wesley; mas não há mistério comparável na ressurreição do Imortal.
Se o Filho de Deus se submeteu à prova da morte, não é estranho que ela signifique salvação para a raça condenada. Uma vez que tenhamos certeza da divindade de Jesus, torna-se pouco razoável achar dificuldades em qualquer desses pontos, pois todas as peças se encaixam perfeitamente. A encarnação é em si mesma um mistério impenetrável, mas dá sentido a todo o conteúdo do Novo Testamento. J.I. Parker


No evangelho de João 1: 11-12, diz que para se tornar filho Deus, deve-se primeiro receber a Jesus Cristo. Mas o versículo 12 diz que isto não é pela condição humana e sim pela vontade de Deus. Pedro passa por uma situação que explica muito bem o que eu quero dizer. A bíblia conta que Jesus faz a seguinte pergunta aos discípulos (Mt16:13-23): "...Quem diz o povo ser o filho do homem?" E depois de algumas respostas erradas Jesus faz novamente a mesma pergunta. Só que agora era para os seus discípulos (vs15): "...Mas vocês, quem dizeis que eu sou?" E Pedro acerta na mosca (vs16): "...Você é Cristo, o filho do Deus vivo." Mas Jesus explica que se não fosse pela revelação (vs17), jamais Pedro ou qualquer pessoa do mundo poderia dizer ou entender que Jesus é o Cristo. 

Mesmo Jesus tendo explicado que era por revelação, Pedro deve ter se sentido o cara. Imagino o sorriso dele na frente dos seus amigos. Deve ter ficado com um sorriso congelado. Porque independente de qualquer coisa, ele havia sido usado por Deus. . . ele havia acertado na mosca. Imagine-se nesta situação! Eu, quando acerto alguma coisa já fico feliz. Como surfista quando escolho o pico certo para fazer uma bateria, acerto o pé na prancha e arrebento na vala; fico com este sorriso congelado no rosto o dia inteiro. E se pela revelação eu faço ou falo as coisas que Deus quer, fico mais feliz ainda.

Jesus encheu a bola de Pedro (vs18-19). Jesus começa a falar sobre a igreja e sobre o poder da oração. Pra isso, Jesus começa usando o nome de Pedro para fazer um jogo de palavras - nessas horas Pedro já deveria estar nos céus - por esse motivo algumas pessoas até acham que Pedro é o pai da igreja. Mas é um pensamento errado. Pois se continuarmos lendo o texto até o versículo 23, vemos que Jesus faz o mesmo jogo de palavras para repreender Pedro numa idéia errada. Jesus diz para os discípulos que deveria ir para Jerusalém sofrer muito, morrer e ressuscitar ao terceiro dia (vs21). Pedro - o mesmo que antes havia sido usado por Deus para trazer uma revelação sobre Jesus - agora dá um grande fora (vs22). Imagino ele ainda com aquele sorriso congelado puxando Jesus de lado e dizendo a coisa mais absurda: "...Jesus, tem compaixão de ti; você não irá morrer. Isso jamais te acontecerá. Vive para sempre ó Rei!". Que fora! Tomou uma invertida de Jesus: "Arreda! Satanás você é para mim pedra de tropeço..." O sorriso congelado de Pedro havia sido quebrado neste momento. Poucos minutos atrás ele havia sido inspirado por Deus e agora a inspiração era diabólica. Pois estava contra o plano de Deus para redenção dos homens através de Jesus Cristo.

A verdade é que nós vivemos uma vida de acertos e erros. Eu preciso crer que a única maneira de viver uma vida de acertos é pela revelação do Espírito Santo em mim. Eu preciso que Deus fale comigo para poder tomar decisões. Se não for desta maneira só darei mancada - erros. Erros na hora de falar, erros para escolher, erros para pregar, erros para lidar com pessoas, erros e erros! Quando Pedro diz que Jesus é Cristo, o filho do Deus vivo, ele age pela fé da revelação. E quando Pedro diz que Jesus não deveria morrer e ressuscitar, ele age pela fé dos sentidos - uma hora escrevo sobre isso. 

João 5:19 diz que tudo o que Jesus fazia era semelhante ao que via Deus fazer primeiro. Mas ele por si mesmo nada fazia. Isto sim que uma vida de acertos. Isto que é revelação: perceber o que Deus está fazendo e imitá-lo. 
Gostaria de não fazer o que acho que deve ser feito e sim imitar o que Deus está fazendo para ter convicção da maneira que deve ser feito - acertos.
Esta é a grande loucura da pregação. Não precisamos tentar convencer ninguém a respeito de Jesus. Pois este papel é do Espírito Santo (Jo16:7-8).
Leiam também ICo1:18-31.

Valeu galera e boas ondas,
Tropical