quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Plano pessoal

Gostaria de descrever sobre as quatro personalidades do não tão conhecido "esquema de mentoriamento" - mentor, amigo espiritual (prestador de contas), amigo de sonhos (para compartilhar idéias) e discípulo. Pois creio que se todos os crentes tivessem um planejamento pessoal - como o que irei apresentar logo abaixo - estariam mais seguros para avançarem na "carreira que lhe foi proposta" por Deus.

Meus filhinhos, o nosso amor não deve ser somente de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro, que se mostra por meio de ações. (IJO3.18)

No livro "O Silêncio de Adão", o pastor e psicólogo Don Hudson inicia sua apresentação com a seguinte frase: "Tenho me sentido um impostor a vida toda... Sou o retrato do sucesso... Se você me enxergasse como eu me enxergo, veria uma pessoa diferente." A partir dai ele conta sua própria história que explicará tais frases tão intrigantes.
Acredito que existe certa dificuldade para vivermos de maneira sincera. Ou seja, reconhecer nossos erros e também nossas limitações - creio que Espírito Santo precisa nos ajudar. Por exemplo, descobri que quem me conhece só de me ouvir falar, sem andar comigo, pensa que sou um grande homem e quase perfeito. Pois sou muito bom para falar. Gosto de apresentar soluções para problemas alheios, trazer "novas" pregações, aconselhar algumas pessoas e ser reconhecido como um homem de Deus. Acho bom não me deixar levar pelo que as pessoas pensam de mim. Logo estaria enganando a mim mesmo.

Mas se você me conhecesse intimamente, talvez chegasse a conclusão de que também sou um impostor - como Don Hudson descreve de si mesmo. Afinal, grande parte das soluções que eu apresento, não as acionei ainda. Descobri que não sou tão prático assim. Sou sim um grande sonhador - um falador. Gosto de apresentar novos projetos, vivo esquentando meus neurônios para desenvolver novos planos e etc.

Agora leia novamente o primeiro versículo lá encima.
Deu para entender um pouco mais do que estou falando?

"... Quem não ama ainda está morto... Sabemos o que é o amor por causa disto: Cristo deu a sua vida por nós. Por isso nós também devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos." (IJO3.14,16)

"Acho que estou começando a entender. Minha vida não é minha. Sou chamado a viver para os outros. E quero fazer isso. Talvez seja isso que 'ser homem (mulher) de Deus' significa." Don Hudson

Amar de fato e verdade não é uma fácil tarefa. Requer muita abnegação; e acima de tudo, muita graça diante de Deus. Não somos capazes sem a ajuda do Espírito Santo de Deus. Porém eu creio que um esquema de planejamento pessoal que também envolva outras pessoas como as que eu irei descrever, pode ajudar muito. São elas:

MENTOR - Este é o mestre. É a pessoa que serve a alguém de guia, de sábio e experiente conselheiro. Pessoa que inspira, estimula, cria ou orienta (idéias, ações, projetos, realizações etc). Pode ser comparado ao próprio pai. Alguns até gostam de chamá-lo de "pai espiritual". Pois dificilmente o discípulo o superará. Consequentemente terá que ser alguém mais velho. Mais experiente. Que tenha vivido e passado por situações e aprovado em todas elas. Deverá ser irrepreensível. Mais maduro.
Do contrário, ou seja, com a idade parecida a do aluno, chegará num momento da vida em que ambos se tornarão iguais. E ai, poderão ser amigos. Isso é comum e pode acontecer. Então chegará o momento em que você irá sentir a necessidade de ter alguém mais velho. Quanto a isso, tudo bem.
Um exemplo sobre o tipo de relacionamento com o mentor é que provavelmente ele irá falar de experiências pessoais que irão ajudá-lo no aprendizado ou numa troca de idéias. E você também poderá contar segredos pessoais a ele. Mas isso não quer dizer que ele seja seu prestador de contas.
"... ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição." (ML4.6)



AMIGO PRESTADOR DE CONTAS - A base é a confiança. Pois não poderá haver receios e nem vergonhas entre ambos. Você poderá falar e ouvir segredos que provavelmente qualquer outro se escandalizaria. Por isso também terão quer ser do mesmo sexo. Mas também terão a responsabilidade de orarem um pelo outro. A idéia é de que um fortalecerá o outro em suas próprias lutas. Que sejam tementes a Deus em relação a tudo o que for ouvido e dito. Devem ser prudentes e sábios.
A diferença que este tipo de relacionamento terá dos demais, é a correspondência mútua - reciprocidade - e profundidade. Também poderão ter características diferentes - ex.: um mais inteligente e o outro mais sagaz. Mas terão que ser iguais em algumas outras áreas - ex.: se um casado, o outro tb. Pois os tempos, lutas e sonhos serão bem parecidos.
Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e façam oração uns pelos outros, para que vocês sejam curados. A oração de uma pessoa obediente a Deus tem muito poder. (TG5.16)



AMIGO DE SONHOS - Agora sim poderíamos ter Amigos de Sonhos. Poderá ser mais que um. Talvez uns dez. Desde que consiga administrar bem. É muito importante sabermos quem são estas pessoas. Pessoas que ouvirão os teus sonhos e contarão os deles. Isso acarretará um vínculo ministerial e fará com que lá adiante as igrejas (locais) ou ministérios andem juntos. Fará com que as ações da Igreja (não as denominações) seja estruturada e que as pessoas sirvam umas as outras. Que os talentos sejam valorizados e não fiquem áreas descobertas.
Por isso é muito importante saber quem são essas pessoas. Pois se algum ouvinte não tiver seu caráter formado por Cristo, poderá se opor. Será um competidor de ministério. Ficará com inveja e apontará defeitos ou falhas no seu projeto para a desvalorização do mesmo.
Creio que a principal característica que deva ter entre os Amigos de Sonhos é a motivação.
Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. (JO15.15)




DISCÍPULO - É o aluno. Aprendiz, receptivo a ensinamentos. Consequêntemente deverá ser de menor conhecimento do que você. Temos que ententer que apesar de sempre aprendermos uns com os outros, independente de idade, dom, nível de conhecimento, posição ou maturidade; o discípulo - dentro desse esquema, por definição - deve ser alguém que saiba menos do que você. Pois assim que é o aluno em relação ao professor. Nessa situação você é o mentor, e por isso é coerente que o aluno não seja alguém igual ou maior do que você, e sim menor. Agora você terá que ter maior paciência e disposição. Pois o discípulo nem sempre concordará com todas as coisas - assim como o filho o faz também. O discípulo deverá ser acompanhado, cuidado, ensinado, avisado ou corrigido e repreendido. Tudo, é claro, sabendo aplicar misericórdia e a graça que também temos recebido de Deus.

Mas ter um discípulo de verdade pode dar muito trabalho. É tendência nossa achar que temos discípulos pq algumas pessoas nos perguntam algo ou tb pq de vez em quando falamos com alguém coisas que serviram para ensinar. Mas na real, estamos falando de um maior comprometimento. Ou seja, encontrar e se dispor para pessoas que realmente precisam de uma atenção maior.
Assim como o mentor é comparado ao pai, o discípulo é ao filho. E isso dá trabalho. De acordo com a ordem de Jesus devemos ensinar tudo o que temos aprendido d'Ele.
"Jesus andou por toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, anunciando a boa notícia do Reino e curando as enfermidades e as doenças graves do povo." (MT4.23)



Galera, todos devem saber que este Esquema de Mentoriamento poderá ser dinâmico. Ou seja, as personalidades poderão se alternar dentro do esquema. Temos que ter cuidado e sabedoria vinda de Deus para qualquer tipo de coisa que iremos fazer. Isso é apenas um esquema que poderá nos ajudar para que cresçamos ainda mais.
Outra coisa, mais importante do que o esquema é a essência que nos trás a consciência para um relacionamento como Igreja.



Valeu Galera,
Tropical

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Maranatha?

Nunca achei que a morte fosse algo fácil de se compreender. Até mesmo porque também nunca tive facilidade de aceitar a idéia de que um dia todos nós iremos morrer, e que eu não ficarei fora dessa. Então entendi que este dilema não é somente meu. Pois por pior que seja a nossa vida aqui na terra ninguém se propõe a morrer. Os homens sempre tentaram descobrir a fonte da juventude. Queremos de qualquer maneira arrumar um jeito de não envelhecer a assim prolongar a nossa vida aqui na terra dos viventes.
Quero dizer que aos meus 36 anos de idade ainda não fiz nenhum acordo com a morte. A morte não me cai bem.

Descobri então que Deus pôs a eternidade no coração do homem e que a morte não era o seu plano original.
A morte - tanto física como espiritual - foi a consequência de uma escolha feita por um homem - todos morremos em Adão (GN2.17). Herdamos a morte do pai de todos os homens. O pecado entrando na humanidade gerou a morte em todos nós. No Novo Testamento podemos constatar que esse problema ainda nos acompanha (RM6.23). Só que não perdemos a vontade de viver e pelo que me parece Deus não quis tirar a eternidade do coração do homem.

Deus então enviou o seu filho para resolver o problema da morte (JO3.16).
Antes de continuar é necessário esclarecer que existe a morte física e também a morte espiritual. A morte física significa separação deste mundo. Passamos desta para a dimensão do espírito. Já a morte espiritual diz respeito a separação de Deus. Se quando morrermos estivermos também mortos espiritualmente, isso significará separação eterna de Deus, o criador de tudo e que não foi criado por ninguém - Javé.

Deus então quis resolver o problema dessa separação e por isso enviou seu Filho - Deus se fez como um de nós - para morrer por nós e para que tivéssemos a vida eterna. A promessa de Deus é que iremos morar com ele nos céus. Está escrito que nós não somos desse mundo como Jesus também não era. Que ele viria nos buscar e nos daria um novo corpo, melhor, um corpo incorrupitível igual ao dele depois da ressureição. Ele também disse que lá não haverá choro, fome, doença, aflições etc. Que nós reinaremos juntamente com ele. Pô, me parece então que o céu deve ser um lugar bom para se morar.

Quando era pequeno achava que a vida eterna consistia numa grande "igreja" de culto permanente, quero dizer eterno. Que teríamos que ficar sentados ouvindo Deus pregar a respeito dele mesmo. Mal conseguia ficar ouvindo o pastor de minha comunidade local falar por trinta minutos. Dai então tentava me convencer de que Deus provavelmente falaria melhor do que qualquer pregador da terra. Dizia para Deus me fazer gostar do "culto" e do céu pois não queia ir para o inferno. Mais engraçado do que essa minha história é saber que alguns também têm uma idéia do inferno tando errada. Pois pensam que lá haverá uma festa eterna com muita cerveja e mulherada. O pior é que estes já são homens formados. Pelo menos eu ainda era uma criança.

Mas descobri, depois de conhecer melhor ao Pai, que o céu é um lugar muito melhor do que esse mundo em que vivemos. Lá é o modelo da cidade que Deus preparou para seus filhos. Está escrito que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram o que Deus tem preparado para a queles que o amam. Caramba! Deve ser demais...

Mas crer nisso me faz ficar feliz e triste ao mesmo tempo.
Fico triste porque mesmo sabendo de tudo isso a respeito do céu, eu ainda prefiro viver. Parece um tanto esquisito não é?
Vivemos num mundo que não é muito fácil assim. Para mim que moro na cidade de São Paulo, vivo tendo que lidar com os problemas de uma cidade muito grande. Muito trânsito, violência, abuso de impostos, disputa comercial, poluição, sujeira nas ruas, desigualdade social, pessoas que se destroem, competividade desleal, robalheira política, juros abusivos, etc... pois poderia escrever muitas coisas mais e as consequências de cada uma delas.
Mas também tenho certeza que não somente eu prefiro viver. Pois se perguntasse a qualquer pessoa, antes disso fazendo-a consciênte de todas dificuldades que temos como humanos, se por acaso gostaria de morrer... amanhã por exemplo. Bom, faço essa pergunta a você também. Acho que ninguém pensaria duas vezes, pois é lógico que prefirimos viver apesar das dificuldades. Mas e as contas? No céu não teremos contas a serem pagas. E as dores de cabeça? No céu não ficaremos doentes. E a velhice então? No céu teremos um corpo incorruptivel.
É... beleza... mas deixa eu viver mais um pouquinho.
É como que quando cantamos "maranatha, ora vem senhor Jesus", mas também disséssemos, "mas espera, demora só mais um pouquinho." (AP22.20)
Estranho não é? Hoje penso um pouco mais quado canto tal música.

Porém o que era estranho, passou a ter duas explicações para mim.
Ou nós não entendemos a glória da vida de Deus nos céus e todas suas promessas quanto a eternidade; ou temos a sensação, ainda que sem saber, de que não cumprimos o que deveríamos fazer. Não completamos a carreira que nos estava proposta.

Para mim um grande exemplo de quem sabia o que era o céu, é o próprio Jesus. Quando eu leio o início da tão famosa oração sacerdotal (famosa para os que lêem a bíblia), onde Jesus diz "me glorifica com a glória que eu tnha contigo antes que o mundo existisse", eu entendo que ele está dizendo não aguentar mais a glória desse mundo corrompido, do seu corpo humano, das aflições terrenas e que já era chegada a hora pois ele havia completado a obra que tinha para fazer - glorificar Deus na terra. Agora você poderia pensar que é fácil dar exemplo do próprio Jesus. Será que não teria alguém mais "normal" para usar como exemplo?

Paulo.
Este cara diz que melhor é morrer do que viver. Isso mesmo, ele diz que é lucro morrer (FL1.21). Só que ele também entende que se o viver na carne traz fruto para seu trabalho, por esta causa é mais necessário permanecer vivo. Mesmo assim ele dizia que estava constrangido por achar incomparavelmente melhor morrer para estar com Cristo. Pô, me parece que Paulo entendia algo a mais do que eu. Um pouco mais a frente, numa outra carta, só que agora para seu amigo Timóteo, ele diz que agora sim havia chegado a hora de sua partida. Pois havia completado sua carreira da melhor maneira possível e guardado a fé. Costumo dizer que um homem que é amigo de Deus sabe muitas coisas. Inclusive a hora de sua partida.

Entendo que ainda há muitas coisas para fazer. Preciso frutificar na minha vida. Quero que Deus seja glorificado através do meu viver. Sei que tenho uma carreira que talvez ainda nem esteja percorrida pela metade. Isso explica de certa maneira meu constrangimento quanto a querer viver mais um pouquinho. Mas não ameniza o fato de saber que a vida na glória é tão melhor e mesmo assim quero acordar na terra por mais uns 40 anos.

Paulo David Muzel - Tropical
Boas ondas...




quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Misericódia X Graça

Misericórdia - essa palavra vem de outras duas palavras latinas. Miser, que significa miséria; e cor (cordis) que significa coração. Seria o sinônimo de compaixão pela miséria alheia. Melhor dizendo, Deus viu o miserável que somos. Uma boa definição seria dizer que o castigo que mereço, este não recebo!
Graça - favor imerecido. Somos salvos por ela mediante a fé. Efésios 2. 8-9 diz que isto não vem de nós, é dom de Deus. Uma outra boa explicação seria dizer que o favor que eu não mereço, este eu ganho!
Atualmente vivemos o que chamamos de "O Tempo da Graça". Foi estabelecido após Jesus ter enviado o outro consolador - o Espírito Santo. Pois ele disse aos seus discípulos: "Eu vou mas não deixarei vocês orfãos, enviarei o outro consolador (Jo16: 7-15)". . . "este convencerá vocês da justiça do pecado e do juízo" - sempre estamos querendo fazer este papel. Desde então estamos vivendo este gracioso tempo. O tempo que foi antes disso nós chamamos como Antigo ou Velho Testamento, também era chamado como o Tempo da Lei.
Mas agora deixe-me confrontá-lo um pouco. Preste a atenção.
Apesar de vivermos neste tempo - da graça -, digo que ainda não o entendemos para as nossas próprias vidas. Paulo, o apóstolo, por reconhecer a grandeza da graça, dá uma dica para o amigo Timóteo dizento que ele deveria fortificar-se, desenvolver-se na graça que está em Cristo Jesus (IITm2:1) - acredito que há um grande segredo neste único versículo (só o ES para nos contar) . Porém nós, que tanto falamos da salvação em Jesus, que entendemos não ser um mérito nosso, estamos todos os dias e em todo tempo só clamando a misericórdia de Deus para nossas vidas. É lógico que isso é necessário. Pois a bíblia diz que esta é a razão - causa - de nós não sermos consumidos. E que também as misericódias de Deus se renovam todas as manhãs (Lm 3:22-23; Sl106:1). Me parece que entendemos muito bem a misericódia. Mas qual a nossa compreenção em relação a outra atitude de Deus - a graça?
Entendendo isso, qual mudança deveria ocorrer em nós?
Em que mudaríamos?
Já que falamos tanto disso, também precisamos aprender sobre a graça de Deus. A bíblia conta que Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens (Lc2:52). Ou seja, apesar de pedirmos para Deus a misericórdia, devemos crescer em graça.
Por acaso você já ouviu alguém clamando pela graça? Você já fez isso? Quantas vezes por dia você pede para Deus ter misericórdia? Quantas vezes você pede pela graça?
Vou explicar como isso funciona na prática e o porque disso.
É mais ou menos assim: o dia inteiro dizemos nos nossos pensamentos: "Deus, misericórdia por isso ou por aquilo que fiz, pensei, agi, falei, cometi, toquei etc."
A misericórdia
procede do pecado.
Nós pecamos e clamamos por misericórdia. Meu Deus, MISERICÓRDIA. Hehe!
É assim que funciona. Explicando melhor ainda dizemos a seguinte frase: "Deus, não me castigue pelo mau que fiz! Não me tire o bom emprego, não me tire a namorada, o patrocínio de surf que o Senhor me deu, etc. E ainda se o mal cometido for muito grande dizemos: "Deus, não me mate."
Dentro do plano de Deus para a humanidade a miseriricódia vem antes da graça. Mas o amor precede as duas coisas. Gostaria muito que Deus desse um entendimento maior para esta geração da igreja. Pois a graça nada tem a ver com merecimento. Nada tem a ver com preceitos. Nada tem a ver com a lei da linearidade - da causa e efeito. Mas pelo que tenho assistido nos programas evangélicos, ouvido através das rádios gospels, conversado com algumas pessoas, entendo que muitos estão pregando contra a graça.
Entendo que a graça é um dos maiores mistérios sobrenaturais para ser aprendido, afinal a graça não me parece nada comum ao ser humano. Tudo o que fazemos é por interesse ou merecimento. Não temos costume de presentear alguém que nunca nos deu um presente. E se o fazemos, esperamos ganhar alguma coisa no próximo aniversário. Convidamos para comer em nossas casas alguém que poderá nos retribuir lá na frente. Amamos os que nos amam. Frequentamos lugares que nos deixam confortáveis e felizes, mas não trabalhamos para melhorar a vida dos outros. Não damos esmolas, não visitamos doentes, não vamos a presídios, não gastamos tempo com quem não merece. MERECE! Cadê a graça.
Tenho pedido para Deus me dar um maior entendimento a respeito da verdadeira graça. Assim como e misericórdia procede do pecado, a graça funciona como força motivadora para não pecar.
Entenderam?
A GRAÇA FUNCIONA
COMO FORÇA MOTIVADORA
PARA NÃO PECAR!
Quando tenho um entendimento melhor da graça de Deus, ela me motiva para não fazer aquilo que seria um pecado (significado da palavra pecado: errar o alvo). Ou seja, o sentimento que tenho é de no mínimo "constrangimento". A bíblia diz que o amor de Deus nos constrange. Mas a graça é algo maior ainda, pois a bíblia diz que mesmo assim, quando pecamos temos um advogado diante de Deus que é a propiciação (sacrifício) pelos nossos pecados e do mundo inteiro (IJo 2:1-2). Isto sim é demais!
Funciona assim: como se eu lhe fizesse algum favor que você não merecesse - de graça - e por este motivo você ficaria constrangido em me sacanear. Entender a graça é entender o amor de Deus. Entender apenas a misericórdia é como eu só dissesse: Deus não me machuque pelo que fiz, não me bata, não me castigue, não me mate. Eu ouvi uma simples, porém ótima ilustração numa pregação do Dr Russel Shedd que definiu muito bem a misericórdia e graça. A história é a seguinte:
Havia um filho cujo o pai tinha lhe deixado algumas regras ou ordens. Caso este filho desobedesse uma ordem específica, esta desobediância resultaria em uma punição. No caso específico, seria dez dias de castigo sem ver televisão. Pronto! O filho desobedeceu. Castigo nele.
Apesar de seu pai ter definido dez dias de castigo, ele aplica apenas cinco. Isto é misericórdia (o castigo que mereço, não o recebo). Além de amenizar o castigo seu pai o leva para passear e ainda lhe paga um belo sorvete. Isto é graça (o presente que não mereço, este eu recebo).
Resumindo a história:
Pela desobediência do homem a Deus há uma consequência: a separação de Deus (Rm 3: 23-24), que significa morte eterna. A bíblia fala que o pecado gera a morte. A bíblia também diz que as misericódias de Deus é a razão pela qual não somos consumidos. Mesmo sendo desobedientes Deus envia o seu Filho para ser punido em nosso lugar - morte na cruz. Ele pagou a nossa dívida porque nós não poderíamos pagá-la. Quando reconhecemos isto temos ainda a salvação para a vida eterna. Salvos pela graça - favor imerecido.
Enfim, ficar o dia inteiro pedindo para Deus não nos castigar (misericódia), para mim é no mínimo uma tradução do quanto temos andado errados, ou pelo menos, não feito o que deveríamos fazer.
Logo voltarei a escrever mais sobre este assunto.
Pois também estou aprendendo viver dentro desta revelação de Deus.
Valeu galera e boas ondas
Tropical