quarta-feira, 8 de abril de 2009

"A graça é imoral" - Solda


Ultimamente tenho me lembrado dessa frase. 
Acho que ela é de grande profundidade e totalmente confrontadora para uma humanidade carregada de atitudes "moralmente éticas". Pois não é nada incomum ouvirmos pessoas que se valorizam por sua justiça. Pois esta, a justiça, está diretamente ligada às questões morais e éticas. 

Imaginem um réu diante do juiz dizendo: "Meritíssimo, gostaria de lhe pedir perdão. Estou realmente arrependido por ter matado aquela família." O juiz: "Está aceito seu pedido. Eu o declaro um cidadão de ficha limpa, perdoado e livre." Sinceramente, isso não existe. É algo inconcebível para a humanidade.

Porém a bíblia relata o fato de que um ladrão, condenado a pena máxima, é o primeiro homem a entrar no paraíso, inaugurando assim o tempo da graça. O simples fato de arrepender-se e dizer para que o Senhor Jesus se lembrasse dele quando estivesse no paraíso, o fez filho, salvo e limpo. Não é demais?

Por isso também é que acredito que a "graça" não é algo natural aos homens. Ninguém sabe lidar com essa atitude ou oferecer a alguém algo que não mereça. Ai está um grande entrave para que pessoas moralmente éticas aceitem o perdão de Deus manifesto em Jesus Cristo e toda a sua obra. Pois se não se reconhecem como errados, como é que se acharão culpados? Óbvio que é impossível reconhecer alguma coisa dessas se pelo Espírito Santo não formos convencidos.

Mas uma questão que tem me incomodado, é a questão do crente, convencido de seus pecados e também da sua incapacidade para alcançar o favor de Deus através de seus atos, de não saber lidar com essa graça; ou seja, não saber retribuir de graça e nem a considerar para fazer suas análises. Minha questão nesse texto não é a transformação do caráter, a maturidade que um crente deveria adquirir como o tempo e nem o pecado em si, mas simplesmente o favor imerecido. Porém não tem como deixar de lado a questão da misericórdia. Já ouvi dizer que a graça precede a misericórdia, mas o amor precede as duas coisas. Eu concordo. Só que uma pessoa de coração endurecido, por qualquer que seja o motivo, não será capaz de receber o perdão de Deus e nem mesmo aceitar de ninguém, qualquer que seja o deslize moral. 

Poderemos dizer que misericordioso é aquele que perdoa ofensas, e a pessoa que tem misericórdia é o mesmo que ter um "coração miserável", pois esta é a etimologia da palavra. Tanto eu quanto você só poderemos ter misericórdia de alguém se nossos corações se juntarem com o do miserável, se fazendo um com o dele. Uma pessoa mais sensível com a dor do próximo é alguém que já passou pela mesma situação. Geralmente dizem: "Só sabe/reconhece essa dor que estou sentido alguém que já tenha sentido o mesmo." Porém o coração misericordioso é capaz de sentir a mesma dor sem nunca ter passado pela mesma situação. Um coração assim não é fruto de esforço humano, mas da obra do Espírito Santo de Deus. O coração humano é de pedra. Incapaz para compadecer-se e para santificar o nome do SENHOR.

Perdoar pecados é o mesmo que absolver o culpado e, absolver o culpado é o mesmo que favorecê-lo sem que ele mereça e, favorecer alguém que não merece, é totalmente imoral. Nessa sentença estão ligadas a misericórdia, a graça e a imoralidade.

Deixe-me perguntar:
Você acha moralmente correto um justo morrer por um pecador?
Você acha moralmente correto um ladrão ir morar eternamente no paraíso e o que nunca matou nem roubou (sabemos que isso não existe, mas para os moralistas, sim), ser condenado ao inferno?

"Pai, perdoa os meus pecados assim como tenho perdoado os que pecaram contra mim..."


Tropical

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