sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Zona de conforto

Segundo o dicionário, a palavra conforto vem do latim “Confortare” que significa ato ou efeito de confortar, estado de quem é confortado ou bem-estar material ou moral.

Hoje em dia dizemos que estamos na zona de conforto quando estamos sem estresse, preocupações, financeiramente estável e sempre sem um grande desafio por vir.

Segundo o Wikipédia (a Barsa dos tempos modernos), zona de conforto é a situação que estamos no momento, uma série de comportamentos que estamos acostumados que não nos trazem riscos.

Por exemplo, você tem o seu trabalho com salário garantido no final do mês, seu chefe já lhe conhece, tem o seu histórico profissional e você se garante no que faz. Quando você atinge esse estado, está na zona de conforto. Como o próprio nome sugere, estar na zona de conforto é bom demais. É um pecado mortal permanecer na zona de conforto? Digo que não, o problema é que nos acostumamos a ficar nessa situação e deixamos de crescer profissionalmente, espirituralmente, financeiramente e socialmente.

A zona de conforto é normalmente o objetivo final de uma caminhada. Durante a nossa vida, entramos e saímos dessa zona várias vezes, por vontade própria ou não. Entre outras situações, saímos dela quando decidimos nos casar, depois quando desejamos ter um filho, quando ficamos desempregados, quando trocamos de emprego, um novo ministério ou quando assumimos um compromisso financeiro, mas, logo que as coisas se normalizam e as águas baixam, chegamos novamente à zona de conforto.

Um exemplo de como pode ser bom sair da zona de conforto aconteceu comigo. Profissionalmente eu permaneci nessa zona de conforto por dez anos. Tinha meu emprego garantido em ótima consultoria de informática, um salário razoável e meu serviço reconhecido. Mas isso, não me permitia avançar mais profissionalmente e principalmente financeiramente. Demorou, mas decidi sair da zona de conforto e trocar de emprego. Naturalmente isso trouxe preocupações e insegurança quanto ao futuro, precisava começar novamente a conquistar a confiança das pessoas, mostrando que eu era capaz para manter-me empregado. Não me arrependi de ter saído dessa zona de conforto que me trouxe uma melhor capacitação profissional e melhor condição financeira. Agora que estava novamente em uma zona de conforto, estou deixando-a novamente, agora não é uma mudança de emprego e sim de cidade.

Obviamente que sair da zona de conforto é ir para a zona de desconforto. O tempo que você permanecerá nessa zona de desconforto dependerá de sua aplicação em voltar para a zona de conforto.

Bom seria se pudéssemos ficar somente no out-side esperando calmamente a boa onda, depois dropar e só. Mas não, temos que remar de volta para a zona de conforto com as ondas quebrando na cabeça.

Espiritualmente falando, servir a Deus requer também sair da zona de conforto, é mais gostoso ser servido do que servir, mas o próprio Jesus disse que veio para servir e não ser servido.
Jesus certa vez fez um convite para deixar a zona de conforto, aconteceu com um cidadão rico. Ele tinha os mandamentos e preceitos de Deus na ponta da língua desde a sua mocidade e queria saber o que era necessário para adquirir um pedaço do céu. Então Jesus respondeu: “Falta-te uma coisa: vai, vende tudo o quanto tens, e dá aos pobres e terá um tesouro no céu, depois, toma a sua cruz e segue-me” (Marcos 10:18 a 21).

A sua zona de conforto pode ser várias, deixar de fazer uma faculdade para não ter que estudar mais, um emprego que não tem muitas oportunidades mas garante o seu salário, o banco da igreja, não casar para não adquirir despesas ou não ter filhos para poder ir todos os sábados para a praia surfar. São vários os tipos e a melhor pessoa para definir se é uma zona de conforto ou não, é você. 
O primeiro passo para querer deixar a zona de conforto, é perder o medo do risco e de mudanças. Esse primeiro passo é longo e o mais difícil, pode levar meses e até anos. Os demais, são traçar objetivos e estratégias de mudança, são passos mais curtos. Lembre-se que os objetivos devem estar acordados com Deus.

No meio esportivo tem um ditado muito bom que diz: “O medo de perder, tira a vontade de ganhar.”

Antes de você começar a dar os primeiros passos, se achar que precisa, coloque em prática o capítulo 6 do evangelho de Mateus. Deu certo comigo. Leva dias ou meses para conseguir por em prática e não ficar inquieto.

"Não andeis ansiosos pelo que haveis de comer, beber ou vestir..." (Mt. 6:25)...Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão acrescentadas...(Mt. 6:33)... Não vos inquieteis pelo dia de amanhã (que coisa difícil para mim)... (Mt. 6:34).


Roberto "Tusa" Ferreira

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O que não quero ser

Quando o assunto é igreja, percebo que algumas pessoas sentem-se um tanto preocupadas quando falam comigo. Claramente preocupam-se que pela racionalidade das palavras eu abandone minha fé na salvação em Jesus Cristo. Respeito tais pessoas, mas preciso que entendam ao que me dispus e qual é o meu papel neste palco evangélico.

Primeiro eu tenho que dizer que já sei o que não quero. Não quero dar continuidade nesse sistema que está em vigor - o sistema que institucionalizou a fé e denominacionalizou a Igreja fazendo-a igreja com "i" minúsculo.

Não quero ser mais um construtor de templos enganando as pessoas dizendo que ali é a casa de Deus enquanto isso foi abolido por Jesus para que nos tornássemos casas vivas.

Não quero ser refém dos meus próprios achismos tornando-me tão pobre ao ponto de não poder mais sair desse cativeiro de vaidades.

Não quero que meus filhos sejam herdeiros de uma geração religiosa que pelo poder controlam pessoas sedentas pelas bênçãos que em detrimento da liberdade de não terem nada (poderiam ter tesouros eternos e tornar-se amigas de Deus), escolheram riquezas perecíveis.

Não quero abrir mão do favor de Deus que não mereço e dos seus princípios para dar lugar aos preceitos de barganha, troca e merecimento.

Não quero me tornar um crente performatico que, pelo cumprimento da cartilha denominacional e da agenda eclesiástica, alcance reconhecimento e confiança de Deus. Interessante isso, Deus confiando no homem...

Não quero ser mais um anacrônico sacerdote, sem citar os atalaias e levitas sem tribo, que com uma agulha e linha nas mãos tentam recosturar o véu que foi rasgado por Jesus a mais de dois milênios. Pois pelo seu sangue de foi nos dada a chance de ficar perto de Deus por toda a eternidade.

Podem ter certeza que eu poderia escrever mais algumas páginas para descrever o que não quero, pois as marcas da institucionalização da igreja se tornaram tão claras que ficou muito fácil apontá-las. Resolvi pular fora desse barco antes de me afundar, antes de me tornar um refém, porém não deixei de ser parte da Igreja - a invisível. Só não quero dar continuidade a isso tudo. Não quero ser administrador desse mercado evangélico em que a moeda mais valorizada são os montões de pessoas gerando receita para manter reis e seus templos de pedras enquanto templos de carne passam necessidades. Por isso a disputa pelos fiéis através das mídias são descaradas e frases do tipo: "é aqui que o milagre acontece", ou testemunhos do tipo: "minha vida antes e depois desta igreja", são tão comuns.

Quero ser parte de uma Igreja onde o termo sacerdote, a exemplo da Igreja neotestamentária, nunca foi atribuído ao indivíduo, mas a um povo - todos os que foram lavados pelo sangue de Jesus Cristo.

Quero ser parte de uma Igreja onde dons, talentos e ministérios servem apenas para edificação e aperfeiçoamento do Corpo de Cristo e não para verticalização de hierarquias onde líderes ocupam o topo da pirâmide.

Quero ser parte da Igreja que atende ao pobre e necessitado antes de qualquer construção, reforma ou decoração de prédios. Que considerem lares como verdadeiras casas do tesouro e indivíduos como verdadeiros templos.

Quero ser parte da Igreja que entendeu que lugar de adoração não é na igreja X ou Y, nem no culto de domingo e nem em qualquer que seja o monte; que entendeu que Deus procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade independente da hora, do dia e lugar, sabendo que a nossa vida deve ser um verdadeiro culto. Que profanar o templo não é vender ou fumar dentro de uma igreja local, mas é corromper-se em si mesmo, desconsiderar o irmão e desprezar o necessitado.

Quero ser parte da Igreja que entendeu que somos mordomos de Deus, que daremos contas de tudo o que dissermos e fizermos, de tudo o que ele nos deu e do que temos - de como administramos isso - e que 10% não limpa a nossa barra, não amordaça o devorador e nem abre as janelas do céu. Pois se Deus nos fez sacerdotes em Cristo, não possuímos nada. Tudo e dele, somos apenas mordomos, não donos e muito menos sócios.

Quero ser parte da Igreja que aprendeu seguir Jesus carregando o próprio caixão, sabendo que ser discípulo é para tornar-se servo dos outros. Que ser amigo é o resultado de uma longa caminhada junto ao mestre, e ser filho é o maior milagre que Deus fez por nós - deu-nos esse poder mediante a fé do Espírito Santo.

Me dispus a fazer parte de uma reforma - primeiro em mim - abrindo mão de preceitos e termos que servem de agulha e linha para recosturar o véu da separação entre o homem e Deus. Quero que este véu continue como Jesus o deixou, além de rasgado, apodrecendo cada vez mais. Quero a salvação pela graça mediante a fé. Quero que Deus me ensine o caminho além do véu para ser a evidência de sua graça.

Porém continuo achando, em relação a tudo isso que está acontecendo, que os que querem dar continuidade nesse sistema, que muitos desses líderes são verdadeiros crentes em Jesus Cristo; e os que erram, o fazem sinceramente. Ainda acho que são poucos os falsos. Mesmo assim não quero nada disso.

Paulo David Muzel Jr - Tropical


Enviado de meu iPod

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Reféns de si mesmos


Estou aqui num lava-rápido nas Perdizes esperando limparem meu carro e o Rincon (ele mesmo, aquele ex jogador do Corintians), está sentado a minha frente falando ao telefone sem parar - ele não estava... deixa pra lá.

Antes de entregar meu carro, estava ouvindo uma das programações dessas rádios gospel. Continuo impressionado com exageros entre os líderes evangélicos que estão nas mídias. A luta pela conquista de novos fiéis para as suas próprias denominações tem feito de antigos homens de Deus, estelionatários espirituais. Assinam o nome de Deus abaixo de seus dizeres imperialistas. Não acho que seja numa maldade planejada, acho sim, que começando bem corromperam-se no meio do caminho. Hoje eu entendo o porque é mais importante o fim e não o início das coisas. Estes homens tornaram-se reféns de suas verdades próprias, de seus próprios templos e suas vaidades. Infelizmente.

A igreja deixou de ser gente cheia de Deus para se tornar um prédio cheio de gente... Um outro prédio, mais um, mais outro, enfim, quantas denominações existirem.

Quanto maior for o título, alcance através da mídia e o número de seus templos humanos, maior é o poder do líder. Poder se tornou a força necessária para conquista de novos fiéis, não o amor. Segundo eles, maior é o que faz milagres do que aquele que serve. Maior é o que ressuscita os mortos do que o que reconhece seus erros. Maior é aquele que controla as multidões do que o que ama humildemente. Mas contrapondo estes modernos conceitos de grandeza, o mais poderoso rei que Israel teve disse em sua sabedoria: "... maior é o que domina seu próprio espírito do que o que toma uma cidade".

A briga pelo Reino que é de Deus está bem feia. Porém como este Reino torna-se muito alto para os gananciosos - inalcansável - enganosamente apoderam-se apenas do inferior reino dos homens, consequentemente já receberam sua glória e recompensa.

Já faz cinco minutos que meu carro ficou pronto. Preciso ir. Você deve estar pensando no Rincon, não está? Ele continua do mesmo jeito de meia hora atrás - sentado a minha frente e falando ao telefone.

Preciso da ajuda do Espírito Santo de Deus, de minha família e amigos espirituais para não me tornar um refém do institucionalismo religioso e também de minhas próprias vaidades. Afinal de contas, todos os reinos tem suas seduções.

Tropical
P.S.: não sei colocar assentos no meu IPod, e as palavras que estão acentuadas, foi no automático. Chique eu heim...


domingo, 4 de janeiro de 2009

Reflexão na Praça da Sé

Após ter resolvido problemas na secretaria da fazenda, caminhei até a praça da Sé afim de pegar o metrô. Chegando na praça da Sé, como ainda tinha tempo, resolvi aproveitar melhor o meu dia no centro de São Paulo e começei a observar melhor a minha volta. Retirei as minhas pedras do bolso e as coloquei ao chão, limpei minha mente de todos os valores e pré-conceitos para não acusar ninguém e apenas questionar. Como um olho de uma câmera de um cinegrafista, comecei a caminhar e observar.

Como um bom paulistano que não conhece seus monumentos, fui conhecer a catedral da sé, na verdade já estive lá com 17 anos quando era office-boy, entrei e fiquei vislumbrado com os enormes pilares, afinal é uma dos maiores templos góticos do mundo. Nesse momento me veio a mente a pregação que havia ouvido de um missionário, homem de Deus, pastor de jovens ovelhas que questinou por que santificamos o que é profano e profanamos o que é santo?

Como estava iniciando uma missa, sentei e participei daquele momento. Me espantou ao ver que ninguém possuia uma bíblia como é de costuma nas Igrejas evangélicas. O Padre começou a falar sobre a vocação dos apóstolos, falou de Pedro e de Mateus. Durante o decorrer da missa muitos foram os questionamentos. Numa igreja tão grande, por que só tem perto de 100 pessoas? Num lugar onde passam milhares de pessoas por dia eu colocaria o Padre Marcelo para rezar a missa. Por que quando uma igreja evangélica constroi um templo enorme existem tantas críticas se o maiores templos são católicos? Por que tanta religiosidade? Por que Deus parece estar tão distante?

A missa continuou, veio a santa eucaristia, enquanto o Padre consagrava os elementos da ceia, o coroinha tocava um sino, como que anuciando a entrada no "santos dos santos".
Veio o ofertório, o Padre falou da necessidades de se manter a catedral e literalmente, migalhas foram entregues a Deus, pequenas notas e moedas. O Padre anunciou os avisos e falou que na semana que vem haverá um estudo sobre o dízimo, lembrei do vaticano.

Finalizada a missa andei pela catedral, passei diante da cripta onde está o índio Tibiriça e o Regente Feijó, personagens que só conheço de nome. Então sai da catedral, desci as escadarias e tive um "Déjà vu". Haviam nas escadas alguns mendingos e me veio mente o trecho da bíblia em atos dos apóstolos onde Pedro ao entrar no templo cura um coxo então me perguntei, por que esses milagres não acontecem nos dias de hoje? Me veio a resposta que talvez estejamos muito arraigados a esse mundo e pensando muito em nos mesmos (Lucas 9:23).

Mais a frente observei uma roda de pessoas mais ou menos no mesmo número das pessoas que assistiram a missa. Elas estavam vendo uma peça de teatro ao ar livre. Era uma comédia sobre o cotidiano das pessoas. Andei mais um pouco e havia um pastor pregando e umas 15 pessoas em volta, o pastor criticava as mulheres por cuidar muito da aparência, gastando dinheiro com cosméticos e outras coisas. Um detalhe, só tinha homens na roda. Andei mais uns metros e estava a equipe da Eliana (Record) fazendo chamadas com o público sobre as revelações mágicas do "Mister M". Andei mais um pouco e encontrei outra rodinha, essa um pouco mais cheia, outro pastor, agora dizia ao público os males da televisão. Num certo momento ele perguntou quantos da roda eram crentes, 95 % levantou a mão. Serão sãos cuidando de sãos ou cegos guiando cegos?

Após uma passagem pelo museu cultural da caixa, peguei o metrô.
Como havia deixado as pedras ao chão de praça da sé, continuei a observar as pessoas e questionar.
Dentro do vagão, um silêncio, somente o som das rodas batendo nos trilhos. Ninguém conversava com ninguém. Uma senhora lia um livro, um rapaz verificava seu jogos feitos na lotérica, na esperança de uma vida mais digna, outros apenas olhavam o nada e quando olhei para ao lado, havia uma menina vestida de calça jeans e blusa branca, até ai, tudo normal, mas o cabelo, pintado inteiro de um azul mais forte que a cor do céu. Questionei-me, quem deve estar mais seguro de si, ela ou os "normais" do vagão.

Terminei a minha aventura comendo um X-Salada Bacon perto de casa. Peguei algumas pedras no chão coloquei-as no bolso, retornei o back-up de meus valores e pré-conceitos e voltei para a minha realidade.
Roberto "Tusa" Ferreira
Conclusão, quer ver o que Deus vê, passe um dia na praça d