segunda-feira, 30 de março de 2009

Moderno ou ultrapassado? - parte 2

Se a sua igreja não encontra nenhuma dificuldade para alcançar uma nova geração para Cristo, se a grande maioria das pessoas que frequentam os cultos de sua igreja local são entre 17 e 35 anos de idade, se os cultos de evangelismo são um sucesso incontestável, ou se você considera qualquer reunião para discutir estratégias para evangelizar uma grande perda de tempo e ainda pensa que não precisamos de absolutamente nada disso, poderá desconsiderar quase tudo o que escreverei abaixo, pois você ainda é moderno.

Quem conhece um pouco sobre a história atual da igreja ou já faz parte dela há pelo menos vinte anos, sabe que as coisas já não são tão fáceis de acontecer como eram antes. Pois apesar das grandes conquistas que tivemos durante aqueles anos, vejo que não é mais tão fácil, como era antes, ganhar os jovens para Cristo. Houve uma época em que a igreja era realmente muito distante da sociedade, apesar de sempre influeciá-la. Nessa época as denominações conhecidas eram as históricas, tradicionais e herdeiras da reforma de Lutero. Ainda ouvia-se pouco dos pentecostais, mesmo que tivessem um grande impacto ainda no início do século 20. Porém, pouco depois, começando ainda devagar na década de 70, o movimento neo-pentecostal foi ganhando força até atingir seu ápice no final do anos 80 e os próximos dez anos que se seguiram. Mas agora, no século 21, existe uma geração emergente e pós-moderna que difere em muito da maneira que pensavam seus pais.

Essa mudança é uma consequência da invasão do avanço tecnológico e a revolução da comunicação que ocorre em todo o mundo e nos conecta com tudo. Uma geração que tem um grande potencial pela enorme facilidade de se conseguir as coisas sem sequer sair de casa. A economia tem um grande poder de nos seduzir para fins de consumo totalmente desnecessários e individualistas (uma das grandes características dessa nova geração). Estilos musicais não são mais novidades, a moda que usamos não diz quem somos ou o do que gostamos. Mudaram os pensamentos sobre o que é família, casamento e sexo - o que podemos, o que nos é permitido, quais os nossos direitos, mas nada de consequências. Abusos de poder não são mais histórias isoladas que ouvimos só de vez em quando, elas estão todos os dias, escancaradas, em nossos meios de comunicação. O pior, ninguém escapa dessa guerra - políticos, trabalhadores comuns, religiosos (de padres a pastores), donas de casa, estudantes, crianças e idosos; são todos coadjuvantes duma história em que o principal culpado está oculto e alheio ao conhecimento da maioria. Para os jovens o entretenimento comum já não satisfaz mais. Todos buscam transcender de alguma maneira. Por esse motivo tanto faz se for por uma filosofia religiosa de meditação oriental, uma balada tecnera ou um "baseadinho pra toda hora", pois fumar cigarro "não está com nada". Os pais dos filhos são separados, os irmãos, só por parte de um dos dois. Todos crescem sem nenhum exemplo de perseverança para zelar pelos princípios. Os valores da sociedade estão mudando com forte velocidade. O pluralismo religioso fisgou a curiosidade das pessoas - mais que nunca, todos os caminhos levam a Deus e os evangélicos tornaram-se mais arrogantes por se apresentarem como os donos da verdade absoluta. Seus cultos cheios de estratégias já não passam de distração sem nenhuma novidade [não sei porque ainda insistem com esses formatos]. Seus líderes se tornaram presidentes de instituições que lutam por seu próprio reino usando os meios de comunicação como estratégia de marketing - e quem ainda não entrou nessa mída, esperam a oportunidade certa. Seus jovens também estão sem temor e, quando ganham certa autonomia, frequentam os mesmos lugares e fazem as mesmas coisas que os outros sem nenhum histórico.

Mas, apesar de tudo isso e muitas outras coisas, assuntos como sociedade sustentável, abusos do poder público e privativo, violência e desigualdade social são as pautas de discussão em todos os meios. Existe uma preocupação, uma busca, porém sem uma resposta prática. Todos queremos uma sociedade melhor, isso é fato. Por isso eu lanço o desafio que também já aceitei faz algum tempo: peço para repensarem no modelo que a igreja dispõe para essa geração emergente. Gostaria que se desprogramassem de toda a cultura religiosa moderna para analisarem qual o verdadeiro sentimento que os impulsiona a dar continuidade no que estão fazendo. Peço para analisarem o porque da dificuldade de se construir uma geração temente a Deus com os que já estão dentro das igrejas locais, o por que da saída dos jovens para um mundo que tão pouco tem a oferecer, o por que do desinteresse pela vida de Deus e seus eternos valores. 

Tenho que lembrá-los que não é o modelo em si, apesar de reconhecer a necessidade e eficiência de um adequado. Porém o desafio maior está em descobrir como ser igreja para uma sociedade pós-moderna sem, de maneira alguma, abrir mão da essência da vida de Cristo e de seus ensinamentos - na verdade acho que precisamos resgatá-los. Tenho vivido e pensado sobre todos esses assuntos, mas a cada nova conversa, com cada grupo de pessoas que ouço, aprendo coisas novas. Melhor que ontem, hoje consigo discernir alguns outros fatos. Às vezes percebo que o foco estava errado, e por isso conto com a graça de Deus para acertá-lo. De tudo isso tenho a certeza de que a Igreja pertence a Cristo. Ele vai nos conduzir para um crescimento necessário. Creio que algo "novo" nos será entregue em pouco tempo. Porém não acho que se você será mais ou menos por concordar ou não com essas coisas, acho que apenas deixará de participar de um momento glorioso de transição. 

A Igreja sempre será a noiva de Cristo, porém desde que foi estabelecida, seus passos têm sido diferentes, suas roupas e seus movimentos se contextualizaram ao longo da história, mas seus valores são os mesmos e seu propósito é único - a vida de Deus.

Este assunto não acaba aqui...



Tropical

domingo, 29 de março de 2009

Moderno ou ultrapassado?


Primeiro gostaria de deixar claro que "emergente" é qualquer coisa que está nascendo ou por vir ainda - uma nova geração, por exemplo. Emergente não é um movimento organizado, uma instituição específica ou qualquer coisa planejada. É simplesmente um ciclo natural.

Quem me conhece sabe o quanto me preocupo com a geração que está por vir. Sou crente em Jesus Cristo, entendo o que é a Igreja (noiva de Cristo), e também igreja (instituição religiosa e denominacional), com todos os seus paradoxos e composta por muitos tipos de pessoas, crentes verdadeiros ou não, que se corromperam ao longo de uma caminhada ou que se santificam cada vez mais - joio e trigo crescendo no mesmo campo. Independente disso, pois não é a questão em si, quero dizer que precisamos discernir os tempos e principalmente o nosso papel como Igreja. Mas infelizmente o que tenho percebido é uma geração que ainda não se deu conta de que o sistema em vigor - me refiro ao modelo atual da igreja - não tem muita vida pela frente. Ainda que parece estar funcionando.

Uma coisa é ser contemporâneo (significa literalmente "que é do mesmo tempo") e atual, outra coisa é ser anacrônico (fora do tempo, que ficou para trás). Ainda vejo muitos jovens, a grande maioria, querendo administrar esse sistema que já deu no que tinha que dar (que funcionou e também já foi uma novidade), lutando por perpetuar o moderno sem se dar conta que uma geração emergente, pós-moderna e pós-cristã está surgindo. Mas quem não concorda com isso, basta fazer uma pequena pesquisa para saber como foi a história da igreja nesses últimos 40 anos aqui no Brasil, assim verá que todo movimento tem seu tempo.

"As gerações anteriores cresceram em contato com uma igreja obtusa e sem sentido; assim, o modelo atual empenhou-se para apresentar a igreja como uma instituição relevante, contemporânea e pessoal. Mas as gerações emergentes estão crescendo sem nenhuma experiência com igreja, seja boa, seja ruim." Dan Kimball

Essa nova geração está alimentada com informações do mundo todo, em todas suas religiões e seu pluralismo; todos querem transcender, pois também são espiritualizados pela cultura, não a bíblica.

"Alerta: qualquer programa ou paradigma, ou modelo, ou sistema que alegue ser eterno - ou trocando em miúdos, com funcionamento garantido - deve ser evitado a todo custo." - Mark Oestreicher

"Em seu excelente livro A New Kind of Christian (Um novo tipo de cristão), Briam McLarem propõe uma analogia que acho extremamente útil. Parafraseando: o protagonista pergunta ao interessado: Se você tivesse que adquirir um meio de transporte confiável em 1910, o que você teria escolhido? - O interessado responde: Nessa época os automóveis já tinham sido inventados havia uns dez anos, então eu acho que esta seria minha escolha.
Ah, mas os carros eram ainda muito inseguros e as carruagens estavam no auge - eram mais fortes, melhor projetadas, mais baratas e fabricadas com qualidade como nunca antes na história.
É claro, elas - as carruagens - seriam descartadas nos anos seguintes.
Essa analogia explica a razão de haver várias igrejas modernas enormes fazendo muito sucesso nos dias de hoje; elas descobriram como fazer um ministério moderno, e continuarão a ter sucesso por mais algum [pouco] tempo." - Mark Oestreicher

"Em Juízes 2: 10 lemos sobre um tempo quando "surgiu uma nova geração que não conhecia o SENHOR e o que ele havia feito por Israel". Se isso aconteceu no antigo Israel, quando Deus participava de forma ativa e central da cultura, por que não aconteceria aqui e nos dias de hoje?" Dan Kimball

Não sei se você sabe que toda a Europa já se denomina pós-cristã (nesse mundo o pluralismo é uma norma, e apesar de buscarem o que é místico e espiritual, nada têm de Deus - buscam um composto eclético); e que nos EUA os jovens também caminham para essa direção. Estas evidências ajudam a entender o que é um mundo pós-moderno. Aqui no Brasil as coisas também já não funcionam como nos anos 90 a 2000. A geração emergente pensa de maneira diferente.

Um culto denominacional com bandas no estilo pop rock, uma decoração mais bacaninha, pregações em power point, danças e peças de teatro; tudo isso somado a uma linguagem mais coloquial, não é novidade para ninguém mais. Esse modelo de líder "sacerdote" (anacrônico), prédios que são chamados de "casa de Deus" (agora recosturaram o véu), um planejamento financeiro duvidoso, secreto, e que nada beneficia comunidades carentes, a falta de um plano missionário, pastores e cantores pop stars e uma infinidade de outros abusos, essa nova geração não engole mais.


Desafio todos os jovens a repensarem em seus métodos, sua teologia, seus ministérios, seus modelos, etc., em relação a toda sociedade e o futuro da igreja. Sei que esse é um assunto bem longo e complexo, cheio de coisas para ainda serem descobertas e discutidas, por isso quero lhe chamar a atenção para esse assunto: pós-modernidade e a igreja emergente.


Tropical



quinta-feira, 26 de março de 2009

O problema comum de todas as pessoas do mundo


Se não fossem os problemas, não haveriam reclamações. Como todos temos problemas, temos também reclamações. Uma reclamação, por sua vez, pode ser pela reivindicação de direito, contradição ou uma simples foma de protesto. Reclamamos por coisas comuns, por falta de oportunidades ou benefícios e até mesmo por nada. Algumas pessoas, por exemplo, acham que o problema de todo o mundo é a má distribuição da renda, e se isso fosse verdade, o comunismo daria certo e conseqüentemente os países com melhor distribuição de renda teriam a pupulação mais feliz e realizada do mundo. Outras pessoas acham que o grande problema de toda humanidade é a falta de educação ou cultura em geral. Caso isto fosse a verdade, os grandes mestres e eruditos da atualidade juntamente com os artistas e pesquisadores em geral, não teriam problemas. Ainda outras pessoas acham que o grande problema de toda humanidade é a saúde. Posso dizer que conheço alguns atletas saudáveis que estão cheios de outros problemas. 
Trazendo a questão para um âmbito mais pessoal, alguns dizem: "É porque você não conhece minha família. Ela é toda enrolada. Minha mãe grita o dia inteiro, meu pai é um cachaceiro e meus irmãos, uns trambiqueiros!" Porém, apenas um problema desses já seria o suficiente. Outros dizem que não tem sorte na vida; nasceu na periferia, estudou em colégio público e nunca conheceu alguém importante que o indicasse para um bom emprego. Ufa! Poderia escrever um livro só de problemas pessoais. Mas agora chega, pois quero escrever sobre o problema que todas as pessoas tem em comum.

No evangelho de Mateus 9:1-8, conta que Jesus estava voltando para sua própria cidade - Cafarnaum - quando lhe trouxeram um paralítico. De acordo com as limitações pessoais e com as condições sociais, posso dizer que esse sim tinha um problemão e que as pessoas que o trouxeram até Jesus tinham a esperança de que o problema de paralisia fosse resolvido. Afinal Jesus andava por tantos lugares resolvendo problemas dos mais variados tipos. A fama de Jesus que percorria pelos ouvidos das pessoas era de que Ele fazia mudos falarem, curava leprosos, espulsava demônios de pessoas, livrava prostitutas de serem apedrejadas, e até mortos Ele os ressussitava. O que era então, para Ele, um simples probleminha de paralisia? 
Enfim, os amigos do paralítico conseguiram colocá-lo de frente com Jesus, mas para surpreza de todos, olha o que Jesus diz: "...Tem bom ânimo filho; estão perdoados os teus pecados." Que situação. Se eu fosse o paralítico eu diria com uma certa indignação: "Ânimo Jesus, ânimo... é isso que você tem para me dizer? Olha minha situação. Sou paralítico e EU QUERO ANDAR! O Senhor curou um montão de gente, ressuscitou alguns mortos, multiplicou alimentos para matar a fome dum montão de gente, e chega a minha vez o Senhor diz para eu ter bom ânimo, que os meus pecados estão perdoados. . . E U Q U E R O A N D A R JESUS! 
Talvez você esteja falando: "Jesus, o meu meu problema é a falta de sorte ou, a falta de grana, a falta de uma boa oportunidade, etc. Talvez meu problema se resolvesse se o Senhor me desse um bom carro novo, uma namorada, um salário maior, etc".

Vou contar uma coisa que aprendi através da Palavra de Deus, do Espírito Santo e conseqüentemente, de mim mesmo: o problema comum de todas as pessoas do mundo é o PECADO. 
Jesus veio ao mundo para resolver um grande problema do homem, o pecado (Mt 9:13; Mt1:21; ITm1:15; IJo1:12). João Batista quando anunciava Jesus, dizia: "Aí está o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo1: 29). Em Romanos 7:9, Paulo diz que quando aprendeu o verdadeiro significado da lei - neste caso conciência de certo e errado - o pecado reviveu. Ele compreendeu que como pecador, era digno de morte. O pecado separou o homem de Deus e esta separação causou morte espiritual (Rm 3:23; 5:12). 

Quando Jesus diz ao paralítico: "...Tem bom ânimo filho; estão perdoados os teus pecados", Ele quer dizer que o problema maior que a paralisia estava resolvido. Que sem pecado ele poderia se relacionar com Deus. Que a vida havia chegado e a morte causada pelo pecado havia ido embora. Porém os escribas - mais uma classe de religiosos - ficaram indignados com o que estavam ouvindo. Pois perdoar pecados era uma prerrogativa de Deus. Só Deus poderia fazer isso. Bom, realmente tenho que reconhecer duas coisas. A primeira é que eu sou um pecador (Rm 3:10-12), que não busco a Deus, que não faço o bem e que conseqüentemente será impossível me justificar por boa conduta, moralidade ou coisas do tipo (Rm 3:20). A segunda, é reconhecer que Jesus é o único que tem autoridade para perdoar pecados (Mt 9: 6). Jesus é a propiciação - sacrifício - pelos meus pecados e pelo do mundo inteiro (IJo 2:1-2). 

Brother, o nosso verdadeiro problema, o problema comum, o problema da morte, foi resolvido porque Jesus sem conhecer o pecado, ele se fez pecado por nós. Aí está o coração do evangelho. Esta são as boas novas de Deus para o mundo inteiro: o Salvador sem pecado assumiu nossos pecados para que possamos ter a justiça de Deus (IICo 5: 21). 

Aí sim, depois de resolver o grande problema do paralítico Jesus diz a ele (Mt 9:6): "...levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa." Meu irmão, reconheça e creia que seu maior problema foi resolvido na cruz. Comece e termine o seu dia pedindo perdão pelos seus pecados (IJo 2:1-2). 

Tropical

terça-feira, 24 de março de 2009

A simplicidade do surfe


Quando completei meus 18 anos de idade, ganhei do meu pai uma prancha de surfe. Era o que chamamos de "pranchinha" - 6.1, branca na frente, bordas verdes e no fundo um desenho de palmeiras e praia bem colorido. O shaper, eu não me lembro quem, mas era uma 775 "casquinha de ovo" - significa que a laminação era muito fraca. Nessa época eu já tinha certa familiaridade com a praia, pois desde pequeno meu pai nos levava para passarmos o fim de semana. Contudo em relação ao surfe e prancha eu era um haole total. Tanto que cheguei ao absurdo de pensar que a parafina era apenas para proteger a prancha da água salgada. Por isso espalhei-a por toda a prancha, do bico à rabeta, e, por pouco não passei no fundo.
Enfim, foi aí que comecei minha carreira surfística. O local era o Pier de Mongaguá no litoral sul de São Paulo, e apesar do inverno ter uma forte correnteza, eu sempre passava a arrebentação. Esse foi um dos fatores que me fez demorar seis meses para, pela primeira vez, colocar meus dois pés sobre a prancha. Pode ter demorado, mas a sensação da primeira vez eu nunca esqueci. Pois esta mesma sensação ocorre sempre que ficamos em pé, a cada nova session. Eu me senti o melhor surfista daqueles tempos, tipo Tom Curren. Também não demorou muito para que, apenas em minha cabeça, eu pensasse estar correndo altas paredes e quebrando a vala. Além dessa ficção imaginativa, ainda ficava fazendo aquela famosa pergunta de iniciante prego: "Você viu o que eu fiz? Você viu? Heim! Você viu?" - Como se tivesse feito alguma manobra. Apesar disso, sei de uma coisa apenas: eu era o surfista mais feliz e realizado do mundo. Até que um dia me mostraram uma filmagem surfando. . . Foi frustrante. Pude ver que não fazia manobra nenhuma e o meu surfe era um verdadeiro "retoside". Quem nunca passou por isso!



A questão é justamente esta: o que é surfar?
No dicionário Houaiss surfe significa: prática esportiva que consiste em deslizar sobre prancha na crista de uma onda até a beira-mar ou passar por baixo ou por dentro delas. Resumindo: surfar é simplesmente deslizar na onda sobre uma prancha. Quanto ao dar umas batidas, mandar uns aéreos 360, rasgadão, tubos, etc., eu diria o seguinte: é a evolução do surfe. 
Paulo, o apóstolo, escreveu que tinha um receio de que as pessoas tivessem a mente corrompida e se desviassem da simplicidade e pureza devidas a Cristo. Não muito diferente do dias atuais, naquela época haviam pessoas pregando um outro Jesus que, creio eu, nada tem a ver com a pregação dos apóstolos que foram as testemunhas oculares de Cristo. Pregavam um outro espírito que não é o Espírito Santo de Deus e anunciavam um evangelho diferente. Hoje é a mesma coisa.
A verdade é que Deus nos reconciliou com Ele por meio de Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação. Tem muita gente espalhada pelo mundo todo que precisa se reconciliar com Deus. Mas se fugirmos da simplicidade do evangelho, o ministério da reconciliação se perde. 


Surfar é apenas deslizar sobre as ondas. 

Esta é a simplicidade do surfe. Mas se dissermos que para surfar o cara precisa vestir determinados tipos de roupa, se comunicar dentro de uma linguagem específica, ou até mesmo dissermos que o cara só é um surfista de verdade depois de pegar alguns tubos, realmente estaremos dificultando e frustrando muitas pessoas. Quando ganhei minha primeira prancha de surfe que me dava condições para deslizar sobre uma onda - mesmo que durante algum tempo fosse de joelhos - eu já me denominava um surfista.


Paulo definiu muito bem a simplicidade do evangelho. 

Ele diz o seguinte: "Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras". Isso basta para que sejamos salvos. Jesus morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou. Se fizermos o nosso papel direito, o Espírito Santo é suficiente e capaz para convencer qualquer pessoa a respeito do pecado e da vida que há em Deus através de Jesus Cristo. Agora se pregarmos coisas diferentes dessas e dissermos que para ser filho de Deus o cara precisa estar "limpinho" ou ter atitudes e maneiras específicas dentro dos nossos próprios preceitos, as coisas podem se complicar, e ao invés de termos o ministério da reconciliação poderemos criar um evangelho muito esquisito.


Porém, assim como o meu surfe evoluiu naturalmente dentro de certa prática, os valores desse reino celestial e o caráter de Cristo deverá se desenvolver na medida em que ando com o Papai, pois o Espírito dele que está em nós é suficiente e capaz para nos ensinar a respeito de todas as coisas. Hoje eu não sou um surfista que desce a onda num "retoside" ou ainda e de joelhos. Meu surfe evoluiu e hoje eu consigo fazer umas coisas a mais. No evangelho não é diferente pois não sou o mesmo crente de vinte anos atrás. Deus tem me ensinado coisas novas e a minha maneira de pensar e agir tem sido aperfeiçoada pelo Espírito Santo que habita dentro de mim. Mas também aprendi que para que eu consiga evoluir tanto no surfe como no relacionamento com Deus, eu preciso praticar (IITm 2:15).

Galera, vamos andar dentro dessa simplicidade.

Valeu galera e boas ondas

Tropical


segunda-feira, 16 de março de 2009

Ungido ou palhaço?



A unção atrai, mas quando você não a tem, se pinta de palhaço.

Apenas filosofarei, ou seja, pensarei por mim mesmo. Farei uma reflexão de meus conhecimentos disponíveis. Não apresentarei uma regra, muito menos uma resposta a qualquer que seja a pergunta.

Sempre me questiono quanto as estratégias de evangelização que usaremos para alcançar novas vidas para Cristo. Já participei de várias reuniões que tratam desse assunto e nelas também já sugeri algumas maneiras. Nada de tão diferente do que talvez você conheça ou já tenha feito - noites temáticas com a apresentação de bandas, peças teatrais, testemunhos de famosos recém convertidos, desfile de moda, jantares especiais, musicais com grupos de danças, cinema com pipoca, festa cowntry, uma tarde com churrasco, viagem para praticar esportes radicais, programas de auditório, compra de espaço em rádio ou televisão, etc. Enfim, são inúmeras as possibilidades válidas para atrairmos o maior número de pessoas que talvez jamais entrariam numa igreja local para assistirem ao culto formal.

Disse que me questiono porque fico imaginando Jesus reunindo seus discípulos antes de irem a uma cidade. Imagino Jesus falando a cada um de maneira específica: "Pedro e André, vocês cuidarão da divulgação. Temos que definir o tema da nossa festa e, o mais rápido possível, começar a distribuição de folhetos e cartazes. Tiago, você está incumbido da parte musical. Precisamos ver qual banda irá tocar. Veja também se precisaremos pagar um cachê; e caso precisemos, Judas nos dirá se temos dinheiro suficiente em caixa. Mulheres, vocês ficarão encarregadas de anotarem os nomes das pessoas. João e Filipe cuidarão da programação, mas cuidem para que eu entre com a pregação num momento propício. Mateus, você precisa ver com os políticos que conhece para nos cederem o melhor ginásio da cidade. Bartolomeu o ajudará nesta tarefa. Tomé, fique tranquilo, vai dar certo. Você, Tiago e Judas (o outro), devem pensar qual peça teatral se encaixa antes que eu comece a pregar, certo? Lucas, não esqueça da maletinha de primeiros socorros. Também tente falar com Nicodemos e pergunte se ele poderá ir para dar um testemunho antes que eu pregue."

Pois é. Esta é a cena que sempre imagino quando estou numa dessas reuniões para tratar de estratégias. Mas logo em seguida imagino uma cena totalmente diferente e conflitante a esta. Pois, para mim, estas estratégias nada mais são que uma maneira de atrair pessoas. Quanto mais atrativos nos tornarmos, melhor resultado teremos para alcançar tal objetivo - mostrar Jesus para as pessoas. Isso é aparentemente glorioso. Nos esforçamos para alcançar vidas perdidas. Mas acho que só fazemos isso (quero dizer: dessa maneira), porque a vida de Deus que deveria ser refletida, evidenciada através de cada um de nós, não está acontecendo. Infelizmente não servimos para atrair a ninguém. Logo precisamos de outra estratégia.

Nunca mais esqueci quando ouvi de um amigo que a unção, além de capacitar sobrenaturalmente, ela atrai. Isso mesmo: A unção atrai. 

Também tenho certeza de que o papel do Espírito Santo é o de gerar em nós o caráter de Cristo, a vida dele e a notoriedade da vida de Deus. Jesus disse que repartiu conosco a natureza divina a fim de possamos ser um com ele para que o mundo tome conhecimento de que ele foi enviado por Deus e que também somos amados por ele. Preste a atenção de que Deus já nos deu a melhor estratégia de proclamação para as boas novas de Cristo - UNIDADE EM SUA NATUREZA DIVINA. Isso dá muito pano pra manga, mas deixe-me continuar com a reflexão inicial.

Por isso é que imagino uma coisa totalmente diferente. 
C. S. Lewis escreveu que é impossível que Deus se revele ao homem cuja a mente e cujo o caráter estejam em más condições. Da mesma forma os raios do sol não se refletem tão bem num espelho empoeirado quanto num espelho polido. Eu quero dizer que também é impossível que Deus se revele através do homem cuja a mente e cujo o caráter estejam em más condições. Pois se nós estivéssemos realmente refletindo a imagem de Cristo, pouco seria necessário. Não haveria tanta necessidade para criamos estratégias de evangelismo. Pois logo que as pessoas vissem em nós a vida de Deus seriam atraídas, não pelo belo teatro ou a pintura de palhaço em nossos rostos. Estaríamos passeando pelo shopping e logo algumas pessoas viriam até nós, chorando talvez, sem saber porque, mas atraídas pela glória de Deus refletida em nós. Sem nenhuma estratégia iríamos até um parque público e, em pouco tempo, estaríamos orando pela cura de pessoas de um modo geral. Fariam filas. E por que não dizer, multidões se aglomerariam para ouvir sobre a vida de Deus (nada a ver com o atual marketing religioso de teologia da prosperidade em que o evangelho está centrado no homem e não em Deus como o que temos visto por ai. Então esquece se você pensou isso). Em nosso trabalho seríamos vistos como esperança aos perdidos e as máscaras cairiam. Nossas famílias se tornariam sonhos de consumo para uma nova geração. Nas faculdades, os jovens sentariam para nos ouvirem ao invés de encherem a cara e fumarem maconha - um reflexo do desespero pela vida que poderia ser sanada pela imagem de Cristo refletida em nós. 

Imagino que Jesus atrairia, como já atraiu a dois milênios, sem nenhuma necessidade de estratégia evangelística parecida com as que temos feito. A palavra Cristo quer dizer ungido - capacitado sobrenaturalmente para um fim específico. Da mesma maneira, quando o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, ungindo-os/capacitando-os, sem nenhuma estratégia parecida com as nossas, eles iam anunciando o Reino de Deus nas mesmas condições que o mestre, em demonstração de vida e poder, não entretenimento. Gostaria que estivéssemos assim.

Imagino que até aqui já tenha suscitado discordância da parte de algumas pessoas. Então por este motivo me vejo na obrigação de explicar mais um pouco sobre o assunto, ainda que seja uma reflexão pessoal. 

Não penso que o fato de que uma pessoa ou um grupo fazer teatro para atrair outros para Cristo, sejam elas menos capacitadas por Deus. Se pensasse assim estaria dizendo que talentos são desnecessários ou nada tem a ver com a vontade de Deus. Se pensasse assim, estaria dizendo que nenhuma vida ou esforço valeria a pena. Não penso assim. 
Concordo que uma pessoa ungida por Deus é capacitada para realizar qualquer que seja o trabalho com qualquer que sejam as ferramentas para alcançar um fim específico a fim de que a vida de Deus seja revelada em e através de si mesmo. Na contra-mão disso está uma pessoa cheia de qualidades próprias, capaz de produzir algum efeito, mas que nada tem de Deus, senão apenas uma capacitação humana. O exemplo disso é alguém que, com uma grande capacidade para falar em público, fale de Deus sem o mínimo de uma vida de relacionamento com ele, senão apenas pelo conhecimento literário. Ainda que eu creia mais na ação de Deus pela misericórdia e graça do que pela aprovação de conduta do indivíduo que fala nessas condições, para mim esta pessoa será apenas mais um que "se pinta de palhaço" para atrair o público. Já me vi nessas condições e por isso tenho certa liberdade para escrever sobre isso. Ainda assim concordo que o mais importante é que Cristo seja anunciado, ainda que por um teatro ou qualquer que seja a estratégia pela falta da unidade e unção que deveríamos ter. Como disse Paulo, quer seja por pretexto ou por verdade, nisso também me alegro. 

Alguém poderá ter alguns talentos, poderá saber fazer coisas que chamem a atenção, porém sem a unção que vem pelo Espírito Santo, sua eficiência estará prejudicada. Você poderá ser criativo e talentoso, mas se sua mente e caráter estiverem em más condições, a unção estará comprometida. Logo a única coisa que lhe resta para atrair as pessoas serão suas estratégias de entretenimento.

Acredito que agora já desfiz algumas contradições, por isso poderei voltar ao que estava dizendo para finalizar minha reflexão. 

Melhor seria que tivéssemos menos estratégias para evangelização em massa e mais da vida de Deus refletida em nós. Tenho certeza que atrairíamos a muitos sem muito esforço. A evangelização seria um consequência diária do nosso estilo de vida, não um evento gospel periódico e isolado. Os que estão próximos - nas faculdades, trabalho, vizinhos, etc. - seriam atraídos sem que precisássemos pescá-los com uma isca colorida. Não teríamos que disputar a atenção do público distorcendo o evangelho para que ele tenha uma aparência de coisa mundana, mas atrairíamos o público pela vida que nunca viram em nenhum outro lugar. A unção seria suficiente e o evento, bem secundário.

Tenho certeza que a vida de Deus em nós é suficiente.


Valeu galera,

Tropical


quarta-feira, 11 de março de 2009

Uma história quase sem graça

O plano.
Era um sonho de qualquer skatista - picos de rua, parks, ladeiras lendárias como as de Berkley e pistas perfeitas em terras californianas. O ano, 2007 - segundo semestre. Eles já se reuniam desde os primeiros meses para planejarem a tão esperada skate-trip. Discutiam os preços das passagens, falavam das pistas que já conheciam, se começariam o rolê em San Diego, passando pelas pistas de Los Angeles e subindo para Santa Cruz até o extremo norte, o quanto de grana levariam, os contatos, qual carro, que tipo de quiver seria necessário, quais as precauções, os objetivos, um propósito, enfim tudo que estivesse relacionado. Nessas reuniões de preparação sempre rolava um clima de empolgação total.

Quatro, este é um dos números perfeitos para uma viagem dessas. Os skaters: Teo, Salatiel, Carlinhos e Beto. Fazia apenas três anos desde quando Salatiel assumira a presidência da MSC – BR (Missão Skatistas de Cristo - Brasil), que está ligada ao CCS (Church Christian Skaters), fundada em 2005 na Califórnia. Esse era o primeiro motivo para tal trip, afinal, em Hungtinton Beach que fica a pouco menos de uma hora de Los Angeles aconteceria um grande congresso da CCS.

O histórico.
Fazia uma década que Teo e Salatiel se conheceram numa reunião de skatistas evangélicos. Carlinhos foi um cara que chegou alguns anos depois quando esta reunião já acontecia dentro de quatro paredes numa igreja local num dos bairros da zona oeste da cidade de São Paulo. Porém no ano de 2007 ele também já fazia parte da diretoria da MSC – BR. Já o Beto era vizinho de Teo. Se conheciam há sete anos, e desde então faziam uns rolês juntos. Ele era funcionário público em São Paulo. Carlinhos, propagandista. Salatiel vive do próprio trabalho da MSC, e Teo, um escritor. Todos, casados, pais (exceto o Beto), e mais de 35.

A realização.
Enfim a fase dos planejamentos chegara ao fim. 
Já estavam na terra do Tio San, Califórnia. Salatiel e Carlinhos teriam a participação do Congresso CCS como prioridade para os três primeiros dias. Teo e Beto participariam em algumas partes mesmo que não fossem “obrigados”. Iriam pela manhã, assim aproveitariam o café e almoço. Afinal também pagariam pela participação. Mas na parte da tarde tinham planos para conhecerem alguns skates parks da região, e também se arriscarem numa surf session no tão famoso pier de Hungtinton. Nesses primeiros dias a hospedagem seria a base missionária da CCS pelo valor de doze dólares a diária - parecia uma bagatela. Era um lugar improvisado, feito somente para os receber. O quarto tinha aproximadamente a medida de dois por seis metros, aparelho de ar condicionado, e com dois beliches altos. Nada além disso. O que os motivava ainda mais para serem desbravadores de pistas.

Filosofação normal.
É fato que pessoas não concordem em cem por cento das coisas, porém, apesar disso, esse grupo parecia ter valores que eram mais fortes do que qualquer contradição - a fé em Jesus Cristo e o prazer comum pelos carrinhos. As contradições estavam em coisas aparentemente pequenas – hospedagem e skates parks que iriam. Pouco provável que isso seria um problema ao ponto de quebrar vínculos de amizades se comparado às afinidades que tinham e idade madura. Por isso resolvi escrever. Pois essa história pouco interessante representa bem o que a falta de maturidade entre pessoas pode causar. Esta viagem foi o ponto crucial para uma quebra de relacionamentos. Provavelmente isso só aconteceu por que as bases de amizades não eram tão sólidas quanto pensavam, ou por que ainda faltava um pouco mais de humildade da parte desses caras. 

Eles ficaram juntos apenas 11 dias, porém Beto, quinze dias a mais, juntamente com sua esposa que se encontrou com ele após a volta dos outros três. 

A treta.
Um mês depois de voltarem da califa, depois de certa insistência, Teo conseguiu convencer o Beto para fazerem uma skate session. Ele já sabia que algumas coisas haviam prejudicado a amizade entre todos devido alguns atritos que rolaram nos parks e o perceptível clima desagradável. Lá, mesmo quando estavam juntos as conversas eram com certo cuidado, existia tensão, saiam para comer separadamente, durante as sessions não conversavam e até o cafezinho expresso que sempre foi um dos bons motivos de se reunirem em São Paulo, tomavam separados. 

Como já disse, depois de certa insistência, Teo conseguiu fazer um rolê com o Beto. No carro, durante o caminho para chegarem na pista de São Bernardo, o ambiente entre eles ainda era um tanto esquisito. Havia da parte de Beto um evidente ressentimento que precisava ser resolvido e do qual Teo estava disposto a tratar. Ele sabia que precisa lhe pedir desculpas. Mesmo assim queria ouvir dele quais eram as acusações que pesavam contra. Teo estava disposto para ouvi-lo sem se defender, pois já conhecia sua grande capacidade para ser desagradável com as pessoas. Ele tinha culpa no cartório e sabia disso. Durante quase todo o percurso para chegarem na pista houve um silêncio perturbador. Mas quando chegaram, iniciaram a conversa que esclareceria alguns fatos. Pelo menos para Teo.

As acusações.
Então Beto começou a falar. Falou que Teo era um cara que só sabia reclamar das coisas, folgado e egoísta, chato e reclamão. Um péssimo companheiro de viagem ao ponto dele ter decidido nunca mais viajar com Teo. Nem mesmo ficar no mesmo pico caso se trombassem numa session. Apesar de Teo ter concordado com a opinião que Beto tinha a respeito dele, sem discordar, quis saber quais eram as explicações e os motivos ou situações que o teria levado a esta conclusão em relação a ele. Foi ai que ficou sabendo como as coisas aconteciam enquanto ele (Teo), não participava e o teor das conversas enquanto os outros três se juntavam. Ouviu dizer que ele era egoísta e folgado pelo fato de deixá-los esperando, com fome e cansados, enquanto ficava andando por mais tempo. Isso em todas as sessions que fizeram durante o tempo em que estiveram na na califa. Que os fazia esperar por mais de uma hora. Que todas as vezes que trocavam de cidade procurando algum lugar para se hospedarem, ele discordava, por isso era reclamão. Egoísta, é obvio, porque pensava apenas em satisfazer suas próprias vontades; e péssimo companheiro porque estava sempre com a cara rabugenta deixando o clima ainda mais pesado do que já estava. Disse que ele não comia nem bebia junto, que enquanto eles estavam em algum lugar, que não andando de skate, Teo estava em outro. Que nas pista ele se achava mais esperto que os outros. Enfim, Teo ouviu todos os motivos, concordou e, ainda que quisesse, ainda que fosse sua vontade maior, não retrucou naquele momento. Então Teo pediu desculpas ao Beto. Missão cumprida.

A pergunta que não cala.
Parecia resolvida entre esses dois a situação de chateação. Estavam apaziguados. Mas logo, no próximo rolê que fizeram, Beto voltou a dizer que Teo era um cara folgado e egoísta. Porém, desta vez Teo não havia feito nenhum voto de não contestar. Por isso fez a seguinte pergunta: “E quanto a vocês? Qual a tua avaliação? Quais foram as suas falhas?” Imediatamente Beto respondeu: “Nenhuma! Você que era o problema.” 


Meu ponto.
Deixando de lado tal história, quase que insignificante, quero dar a minha opinião, pois tem uma coisa que me chama a atenção todas as vezes em que me lembro dela.
Aos meus 37 anos de vida, já aprendi que ninguém é tão santo quanto se imagina. Tem um texto bíblico que diz que a pessoa que disser não ter pecados, é mentirosa. Não é possível que tudo recaia sobre apenas um culpado, como se outros fossem limpos totalmente. Ainda me impressiono quando pessoas que já deveriam ter aprendido a respeito de si mesmas, se enganam tão profundamente. Também não sou flor que se cheire. Mas qual o campo das grandes fragrâncias? Sei que o homem é muito vaidoso e que vive tentando justificar-se sem saber que o que isso faz sempre acusará alguém. Nessa história, um foi acusado pela justificativa alheia. Pois enquanto um disse não ter nenhuma falha, dizendo assim que o errado era apenas um dentre todos, este cometeu o maior dos pecados, não reconhecer seus próprios. Uma vez eu li algo que se encaixa bem dentro desse contexto. Dizia que maior é o que reconhece seus pecados do que o que ressuscita aos mortos, da mesma maneira, o menor é o que não reconhece seus próprios pecados, apesar de ser cheio de talentos. Com essa história eu também entendi que se alguém não reconhece seus próprios erros, não adianta apontá-los, pois esse papel e de Um apenas. 

Apesar de ter ouvido essa história de apenas dois dos que estavam nessa viagem, ouso dizer que um dos grandes erros foi a omissão de cada um. Ninguém se dispôs para discutir a relação entre eles, pelo fato de existir, da parte de cada um dos quatro, uma idéia pré-estabelecida da personalidade do outro. Mas quem quiser ter amigos, tem que discutir sobre relacionamentos. É igual casamento. Na Califórnia, deviam os quatro sentar para estabelecer algumas regras de boa convivência. Tipo, “Teo, todos têm que sair juntos dos picos”. “Salatiel e Carlinhos, vocês não podem decidir tudo, tem que haver consenso, pois quem os estabeleceu líder da trip? Quem os designou como maiorais e líderes?”. “Carlinhos, todos querem dirigir, pois ninguém te nomeou motorista oficial da barca”. “Quem dirigir sem prudência, ficará proibido de dirigir novamente”. “Ninguém poderá escolher as camas dos hotéis ou albergues. Quem ainda não dormiu numa cama bacana, tem o direito do melhor quarto na próxima”. Tudo parece uma grande bobagem, mas está provado por essa história que não é. Mas também sei que isso não é nada fácil, pois quem se dispõe para discutir relação, se dispõe para ouvir coisas desagradáveis de si mesmo. Quem mais está disposto?

Aconselho que todos saibam ouvir dos outros coisas a respeito de si mesmo, ainda que seja muito duro. Pois com o tempo, com a ajuda do Espirito Santo, você acabará descobrindo que realmente não é tão bom, tão santo quanto pensa. A bíblia nos ensina que assim como o ferro se afia com ferro, assim é o homem com seu amigo. Amizades de verdade são chocantes em primeira instância, mas depois se torna um passeio pelo mundo. Ninguém é melhor que ninguém, mas se você não concorda com isso, sinto em lhe dizer, você precisa que Deus segure um espelho à sua frente. Cuidado, você irá se surpreender.

Pelo que sei, ainda não estão todos resolvidos.
Espero que um dia possam fazer isso, o mais breve.

Minha pergunta, quem é o culpado?


vlw,


Tropical
P.S.: Até hoje não entendi porque o Teo não fez com os outros dois o mesmo que fez com Beto - sentou para esclarecer as dúvidas e, desarmado, pedir desculpas. Também não entendo por os outros dois também não procuram mais o Teo. Será que eles não se sentem culpados ou é pelos mesmos motivos do Teo? 







sexta-feira, 6 de março de 2009

Igreja perseguida na era dos shows gospel

Entretenimentos gospel estão engolindo a atenção do público evangélico ao sofrimento dos cristãos em países comunistas e muçulmanos?


Julio Severo

Pelo segundo ano consecutivo, participei do evento da VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã), em Campina Grande, Paraíba em 2009. A VINACC ficou famosa por ter sido violentada em seu direito de livre em expressão, pois sua campanha de outdoors em defesa da família foi proibida por pura queixa e preconceito de grupos homossexuais fanáticos em 2007 .

Os esforços da VINACC para conscientizar a população são muito importantes. Sem conscientização, um povo é tragado por forças culturais destrutivas. Aliás, em sua Palavra Deus diz que seu povo é destruído por lhe faltar o conhecimento.

Sem uma conscientização forte e sistemática, o povo evangélico não compreenderá o perigo que representam os projetos de lei anti-“homofobia”. Pude comprovar isso no próprio evento da VINACC. Fiz todo empenho para que a Missão Portas Abertas (PA), do Irmão André, estivesse presente no evento.

Sempre tive carinho por PA. Foi lendo as revistas da PA em 1981 que tomei consciência do sofrimento dos cristãos inocentes perseguidos em países comunistas. Foi aí, em grande parte, que fui educado a encarar o comunismo e seus derivados (socialismo, Teologia da Libertação, Teologia da Missão Integral, etc.) como ameaça satânica ao Cristianismo.

Por isso, muito me alegrou ver PA com a oportunidade de estar no evento da VINACC, que durou uns 7 dias de fevereiro de 2009, com um público aproximado de 80 mil pessoas. Um número impressionante para os padrões do Nordeste.

Portas Abertas fez apelo a toda essa multidão, para que fizessem assinatura da sua revista, que informa sobre o sofrimento dos cristãos perseguidos ao redor do mundo. O custo da assinatura anual era apenas 35 reais. Contudo, a resposta foi excepcionalmente intrigante: de 80 mil pessoas, apenas três fizeram assinatura no stand da PA na VINACC, conforme informação que os próprios líderes da PA ali presentes me deram na última noite do evento.

Esse número baixíssimo de evangélicos interessados no sofrimento de cristãos de outros países revela de forma assustadora como a seriedade e atenção do público evangélico foram capturadas e redirecionadas para outros objetivos.

Se um cantor ou cantora gospel de fama nacional se apresentasse ao vivo no evento da VINACC com mil de seus CDs para vender, mesmo que ao preço de 35 reais, faltariam compradores? Provavelmente faltariam CDs! Quanto ao mercado gospel, quem é que liga se um cantor gospel que adulterou e abandonou a esposa e filhos para casar com a amante consegue facilmente faturar 10 mil reais num único show? O importante para o público é que o show deve continuar.

Para mim, o episódio da PA na VINACC foi profético. Como um povo que não se interessa pela perseguição de cristãos de outros países se importará com as ameaças ao Cristianismo no próprio Brasil? Leis anti-“homofobia”, que agridem violentamente a fé e a própria segurança dos cristãos, estão chegando ao Brasil — e ainda nem aprendemos primeiramente a sofrer com os cristãos que sofrem em países comunistas e muçulmanos.

Esse episódio me mostrou que os cristãos brasileiros não estão devidamente despertos, preparados e conscientizados para a perseguição que está vindo.

Mesmo sem nenhuma lei anti-“homofobia” aprovada, alguns cristãos brasileiros estão sob pressões tremendas. Mesmo sem nenhuma lei anti-“homofobia” aprovada, o Rev. Ademir Kreutzfeld, de Santa Catarina, foi vítima do ativismo legal gay, onde um tribunal foi usado para ameaçá-lo em 2007. Sem demora ele me procurou, e pude preparar artigos nacionais e internacionais que provocaram uma pressão positiva contra as forças gays hostis que estavam tentando engolir um dedicado pastor luterano que ousou confrontar a agenda gay em sua localidade.

Mesmo sem nenhuma lei anti-“homofobia” aprovada, estou sob pressões do Ministério Público Federal. É claro que, por enquanto, essas pressões não se igualam, nem de longe, às torturas e martírios que os cristãos sofrem na Coréia do Norte e outros países com governos totalitários.

Entretanto, se o povo evangélico brasileiro mal consegue mostrar atenção a esses casos mais pesados, como conseguirá se preocupar com a perseguição que está chegando ao Brasil?

Enquanto Roma estava em chamas, o imperador Nero tocava harpa e culpava os cristãos. Hoje, enquanto as chamas da paranóia anti-“homofobia” ameaçam devorar a sociedade e os cristãos numa absurda orgia de perseguição, os cristãos estão absortos em shows e outros entretenimentos gospel. É a síndrome do Nero gospel invadindo as igrejas e condenando os cristãos à indiferença diante do tsunami da agenda gay, do aborto, do feminismo, do intervencionismo estatal xiita, das leis anticristãs, etc.

Diante de tantas ameaças, os cristãos brasileiros estão reagindo como o resto do Brasil, que está dormindo em berço esplêndido. O que acontecerá se eles não despertarem de seu sono gospel?

Fonte: www.juliosevero.com