quinta-feira, 30 de julho de 2009

Lei moral

Comecei a ler um livro do C. S. Lewis muito antigo - Cristianismo puro e simples. Estou gostando demais da leitura e por isso quero compartilhar algumas partes do capítulo que estou lendo. Antes disso gostaria de dizer que já discuti algumas vezes a existência de um único Deus capaz de criar todas as coisas e também de dar ao homem a condição de viver eternamente ao lado dele - em Jesus Cristo. Por isso sempre confronto os ateus, quase ateus e simpatizantes ao ateísmo de alguma forma sobre a questão da lei moral - o que é certo ou errado. Pessoas céticas dizem que essa lei não existe e por isso, no que diz respeito ao comportamento humano, não há certo ou errado - vale tudo nessa vida - não há pecados. Para esses eu simplesmente apresento algumas perguntas mais pessoais: "Se eu lhe dever mil dólares e não lhe pagar nunca, você continuará meu amigo? Por que? Sem lhe perguntar, se eu lhe desse um murro na cara, você acharia normal ou buscaria alguma justificativa para isso? Se tua esposa lhe trair com seu melhor amigo, ok?" Bom, acho que isso basta como exemplo. Se essa pessoa realmente aceitar quaisquer que sejam os acontecimentos sem buscar justificativas, considerando tudo muito lícito, então eu direi que encontrei um homem cujo coração é apenas um órgão vital.



Algumas partes do capítulo:

Creio que na natureza humana, ou a lei do certo e do errado, existe algo que transcende os fatos do comportamento humano. Neste caso, além dos fatos em si, existe outra coisa - uma verdadeira lei que não inventamos e à qual sabemos que devemos obedecer.


Desde que o homem se tornou capaz de pensar, ele se pergunta no que consiste o universo e como ele veio a existir. Grosso modo, dois pontos de vista foram sustentados. O primeiro deles é o que chamamos de materialista. Quem o adota afirma que a matéria e o espaço simplesmente existem e sempre existiram, ninguém sabe por quê. A matéria, que se

comporta de formas fixas, veio, por algum acidente, a produzir criaturas como nós, criaturas capazes de pensar. Numa chance em mil, um corpo se chocou contra o sol e gerou os planetas. Por outra chance infinitesimal, as substâncias químicas necessárias à vida e a temperatura correta se fizeram presentes num desses planetas, e, assim, uma

parte da matéria desse planeta ganhou vida. Depois, por uma longuíssima série de coincidências, as criaturas viventes se desenvolveram até se tornarem seres como nós. O outro ponto de vista é o religioso. Segundo ele, o que existe por trás do universo se assemelha mais a uma mente que a qualquer outra coisa conhecida. Ou seja, é algo consciente e dotado de objetivos e preferências. De acordo com essa visão, esse ser criou o universo. Alguns dos seus desígnios são ocultos, enquanto outros são bastante claros: produzir criaturas semelhantes a si mesmo — quero dizer, semelhantes na medida

em possuem mentes. Onde quer que tenha havido homens pensantes, os dois pontos de vista sempre apareceram de uma

forma ou de outra.


No universo inteiro, existe uma coisa, e somente uma, que nós conhecemos melhor do que qualquer outra. Essa coisa é o Ser Humano. Nesse caso, podemos dizer que as informações que possuímos vêm "de dentro". Estamos a par do assunto. Por causa disto, sabemos que os seres humanos estão sujeitos a uma lei moral que não foi criada por eles, que não conseguem tirar do seu horizonte mesmo quando tentam e à qual sabem que devem obedecer.


Alguém que estudasse o homem "de fora", da maneira como estudamos a eletricidade ou os repolhos, sem conhecer a nossa língua e, portanto, impossibilitado de obter conhecimento do nosso interior, não teria a mais vaga idéia da

existência desta lei moral a partir da observação de nossos atos. Como poderia ter? Suas observações se resumiriam ao que fazemos, ao passo que essa lei diz respeito ao que deveríamos fazer. Do mesmo modo, se existe algo acima ou por trás dos fatos observados sobre as pedras ou sobre o clima, nós, estudando-os de fora, não temos a menor esperança de descobrir o que ele é. A natureza da questão é a seguinte: queremos saber se o universo simplesmente é o que é, sem nenhuma razão especial, ou se existe por trás dele um poder que o produziu tal como o conhecemos. Uma vez que esse poder, se ele existe, não seria um dos fatos observados, mas a realidade que os produziu, a mera observação dos fenômenos não pode encontrá-lo. Existe apenas um caso no qual podemos saber se esse "algo mais" existe; a saber, o nosso caso. E, nesse caso, constatamos que existe. Ou examinemos a questão de outro ângulo. Se existisse um poder exterior que controlasse o universo, ele não poderia se revelar para nós como um dos fatos do próprio universo - da

mesma forma que o arquiteto de uma casa não pode ser uma de suas escadas, paredes ou lareira. A única maneira pela qual podemos esperar que esta força se manifeste é dentro de nós mesmos, como uma influência ou voz de comando que tente nos levar a adotar uma determinada conduta. É justamente isso que descobrimos dentro de nós.


Não pense que estou indo mais rápido do que estou na realidade. Ainda não estou nem perto do Deus da teologia cristã. Tudo o que obtive até aqui é a evidência de Algo que dirige o universo e que se manifesta em mim como uma lei que me incita a praticar o certo e me faz sentir incomodado e responsável pelos meus erros. Segundo me parece, temos de supor que esse Algo é mais parecido com uma mente do que com qualquer outra coisa conhecida — porque, afinal de contas, a única outra coisa que conhecemos é a matéria, e ninguém jamais viu um pedaço de matéria dar instruções a alguém. E claro, porém, que não precisa ser muito parecido com uma mente, muito menos com uma pessoa.


Houve muita conversa fajuta a respeito de Deus nos últimos cem anos, e não é isso que tenho a oferecer. Esqueça tudo o que ouviu.


Até aqui só mencionei os pontos de vista materialista e religioso. Para completar o quadro, tenho de mencionar o

ponto de vista intermediário entre os dois, a chamada filosofia da Força Vital, ou Evolução Criativa, ou Evolução Emergente, cuja exposição mais brilhante e arguta encontra-se nas obras de Bernard Shaw, ao passo que a mais profunda, nas de Bergson. Seus defensores dizem que as pequenas variações pelas quais a vida neste planeta "evoluiu" das formas

mais simples à forma humana não ocorreram em virtude do acaso, mas sim pelo "esforço" e pela "intenção" de uma Força Vital. Quando fazem tais afirmações, devemos perguntar se, por Força Vital, essas pessoas entendem algo semelhante a uma mente ou não. Se for semelhante, "uma mente que traz a vida à existência e a conduz à perfeição" não é outra coisa senão Deus, e seu ponto de vista é idêntico ao religioso.


Se não for semelhante, qual o sentido, então, de dizer que algo sem mente faça um "esforço" e tenha uma "intenção"? Este argumento me parece fatal para esse ponto de vista. Uma das razões pelas quais as pessoas julgam a Evolução Criativa tão atraente é que ela dá o consolo emocional da crença em Deus sem impor as consequências desagradáveis desta.

Quando nos sentimos ótimos e o sol brilha lá fora, e não queremos acreditar que o universo inteiro se reduz a uma dança mecânica de átomos, é reconfortante pensar nessa gigantesca e misteriosa Força evoluindo pelos séculos e nos carregando em sua crista. Se, por outro lado, queremos fazer algo escuso, a Força Vital, que não passa de uma força cega, sem moral e sem discernimento, nunca vai nos atrapalhar como fazia o aborrecido Deus que nos foi ensinado quando éramos crianças. A Força Vital é como um deus domesticado. Você pode tirá-lo de dentro da caixa sempre que quiser, mas ele não vai incomodá-lo em ocasião alguma — todas as coisas boas da religião sem custo nenhum.


Não será a Força Vital a maior invenção da fantasia humana que o mundo jamais viu?


...


terça-feira, 7 de julho de 2009

Profanando a grana


Até ler um texto escrito por Philip Yancey nunca havia ouvido qualquer coisa parecida, mas gostei da frase "profanar o dinheiro". Já ouvi dizer que o melhor teste para avaliar se uma pessoa anda às margens da insanidade, é lhe pedir que rasgue dinheiro, se o fizer, com certeza será um louco. Mas não seria essa uma das maneiras de profanar o dinheiro?


Escreverei à minha maneira algumas coisas que li nesse tal texto e outras coisas de minhas próprias idéias de acordo com o que creio ser parte da mensagem de Cristo.


"O dinheiro é, afinal de contas, o valor mais desejado do mundo visível". P. Yancey


As opiniões de Jesus em relação ao dinheiro, com certeza, se aproximava do desprezo. Aconselhou um homem rico a desfazer de tudo o que possuía. Menosprezou o homem mais rico da terra, ao dizer que ele, em sua glória, não se vestia como uma simples flor do campo. Elogiou uma mulher por "desperdiçar" um perfume caro ao derramá-lo nos pés dele. Em seus discursos ele deixou claro uma verdade incontestável: você não poderá levar o dinheiro consigo.


Jesus via o dinheiro como algo a ser evitado, não desejado. Ele disse que onde estiver meu tesouro, aí também estará o meu coração. Ele retratava o dinheiro como uma força espiritual negativa, um deus chamado Mamom que se opunha ao reino dos céus. "Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro", disse ele abertamente.


Pergunto, porque então certas igrejas que oferecem pacotes de prosperidade ainda fazem tanto sucesso? Porque que ainda entregamos dízimos visando bençãos financeiras ou pela segurança contra o devorador ao invés de seguirmos o padrão neotestamentário de contribuição e administração te tudo o que Deus colocou em nossas mãos? Porque depois de conhecermos as promessas de Deus a respeito dos céus continuamos com sonhos de ficar ricos? Porque temos tanto pavor da pobreza?


Um tal de Jacques Ellul escreveu um polêmico livro sobre dinheiro - Money and power. Ele dá algumas sugestões de como devemos tratá-lo. Ele diz, devemos achar algumas formas de profanar o dinheiro; desmagnetizar sua força espiritual, mesmo que isso signifique dar bolos de notas para estranhos ou jogá-los para o ar em uma rua movimentada.


Se essas sugestões de Ellul lhe parecem indecentes e ridículas, avalie então se você não tem sucumbido ao poder espiritual de Mamom.


Jesus nos dá alguns conselhos para nos defendermos desse domínio, chegando ao ponto de dizer para distribuí-lo aos pobres.


Se você pensa que seu dinheiro é para servir o Reino dos céus, já é um bom começo, mas gostaria que também avaliasse a maneira que tem feito isso. Será que entendemos o que significa a palavra generosidade? Seria somente entregar o que temos em alguma instituição? Será que temos atendido ao pobre e necessitado sem repassar responsabilidades com a velha desculpa de que temos dado a uma igreja local e, ela fará a administração disso? E quanto aos mendigos? Nem preciso ir longe, mas e os nossos amigos com falta de grana? Será que estamos atentos quanto aos nossos planos, investimentos, sonhos, futuro, etc?


"O ato de dar é, em essência, irracional. Destrói o magnetismo que o valor do dinheiro normalmente exerce sobre as pessoas." P. Yancey


Precisamos enxergar o dinheiro como ele é - um empréstimo concedido por Deus - mas sem demonstrarmos sinais de apego. Sabemos que ele exerce fascínio tanto para ricos quanto para pobres. Quando pobres, lutamos contra a inveja, mas se ricos, contra a cobiça.


Reino dos céus é o único reino que paga dividendos eternos. Jesus nos diz para darmos aos necessitados, em segredo, "e seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará."


Ainda quero acrescentar que se tudo lhe parece uma grande bobagem, pois dinheiro é uma benção de Deus, é uma recompensa pelo trabalho, uma grande necessidade, ou coisas desse tipo, digo que leia novamente com atenção pois a ênfase está além dessas indagações. Reavalie seus valores e veja o que é que te faz correr atrás das coisas - objetivos e propósito.



vlw


Também tenho lutado para ser o mais parecido possível com o padrão de filho de Deus. Não é mole morrer para si mesmo, ainda que saibamos qual a vida que vale a pena ser vivida.


Tropical



PS.: Só alguns exemplos. Faça uma pesquisa bíblica e verá muito mais sobre o assunto. Surpreenda-se.


Deuteronômio 15:11

Sempre haverá pobres e necessitados no meio do povo, e por isso eu ordeno que vocês sejam generosos com todos eles.


Jó 5:15

Deus salva da morte os pobres; ele livra os necessitados das mãos dos poderosos.


Jó 31:16

Nunca deixei de ajudar os pobres, nem permiti que as viúvas chorassem de desespero.


Salmos 9:18

Os pobres não serão esquecidos para sempre, e os necessitados não perderão para sempre a esperança.


Salmos 35:10

Com todo o coração eu lhe direi: "Não há ninguém como tu, ó SENHOR! Tu proteges os fracos quando são atacados pelos fortes e livras os pobres e os necessitados das mãos dos exploradores.


Mateus 11:5

Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho.


Mateus 19:21

Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.


Lucas 4:18

O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos,


Lucas 6:20

Então, olhando ele para os seus discípulos, disse-lhes: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.


Lucas 14:13

Antes, ao dares um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos;

Lucas 14:21

Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.


Romanos 15:26

Porque aprouve à Macedônia e à Acaia levantar uma coleta em benefício dos pobres dentre os santos que vivem em Jerusalém.


II Coríntios 9:9

Como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre.

Gálatas 2:10

Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também me esforcei por fazer.


Tiago 2:5

Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do reino que ele prometeu aos que o amam?


II Coríntios 13:3

E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Aparência desprezada

Que Deus não vê como o homem vê, nós já sabemos - ou deveríamos saber que "o homem vê a aparência, mas o Ele vê o coração". Mas se sabemos disso, porque então continuamos com nossos critérios tão mundanos? Deveríamos ao menos tomar como exemplo o padrão de Jesus que está disposto em nossas mãos através da Bíblia.


Esse não é um problema moderno, mas o de um homem corrompido. Porém nosso mundo moderno tem contribuído demais com essa deformação. A sociedade atual se destaca na representação visual, o exterior. Nosso modelo de sucesso é o de um homem bem vestido, físico escultural, bom carro, ótimo profissional, financeiramente estável, boa casa, grande viagens internacionais, etc. Infelizmente esse modelo ultrapassou os portões das igrejas locais e têm ganhado muita força nessas últimas décadas. Infelizmente o púlpito, em muitos lugares, é o grande palco das vaidades. Homens, (sacerdotes anacrônicos), se vestem com ótimos ternos, gravatas douradas, sapatos finos, relógios caros e anéis de ouro com uma grande pedra de rubi para mostrar a qual classe de eleitos eles pertencem. Como se não bastasse tantos exageros, ainda fazem discursos apontando a prosperidade financeira como se fosse um selo de aprovação da parte de Deus em relação a fidelidade do homem em entregar seus dízimos e se associarem em alguma campanha ou desafio de fé - sempre envolvendo dinheiro. Colocam pessoas bens sucedidas para darem testemunhos de conquistas após aderirem a um desses pacotes espirituais (financeiros), com a intenção de alcançar alguns, bem intencionados, ambiciosos a mais. Assim o reino das aparências tem ganhado certo espaço.


Já disse muitas vezes o quanto me chama a atenção o número de igrejas locais que colocam em suas agendas a tal, famosa e cobiçada "Reunião dos Empresários" - cada qual inventando suas siglas, mas todas com um mesmo objetivo: sucesso profissional. Repito que ainda não vi nenhuma agenda com uma reunião oficial de moto-boys, domésticas, favelados, etc. Alguns me respondem, com a intenção de se defenderem, que esses têm as demais reuniões - campanhas de fé, milagres e família. Da mesma maneira outro tipo de campanha tem me chamado a atenção, as anuais: ano Apostólico de Elias, ano de Davi, de Isaque, José, Elias, etc. Mas nunca vi o ano do Samaritano, de Lázaro (o da parábola do rico e o pobre), de Zaqueu, etc. Pois é comum pregar sobre conquistas e prosperidade financeira, que enche os olhos de uma geração que foi ensinada e enxergar as aparências, mas é raro ouvir falar sobre vida piedosa que conduz o homem a uma vida abnegada, desprendida de representação visual.



["Jesus foi o primeiro líder mundial a inaugurar um reino com a função heróica para derrotados. Falou a uma audiência criada com histórias de ricos patriarcas, reis poderosos e heróis vitoriosos. Para surpresa daquele povo, ele, em vez desses, honrou as pessoas que tinham pouco valor no mundo visível: os pobres e mansos, os perseguidos e aqueles que choram, os rejeitados pela sociedade, os famintos e sedentos. Muitas vezes suas histórias retratavam as "pessoas erradas" como heróis: o prodígio, não o responsável; o bom samaritano, não o bom judeu; Lázaro, não o homem rico; o coletor de impostos, não o farizeu. Como disse Charles Spurgeon, pregador inglês: "Sua glória foi por de lado sua própria glória. A glória da igreja é quando ela põe de lado sua dignidade e respeitabilidade e considera, como sua glória, ajuntar os excluídos."

No terceiro século depois de Jesus, quando a igreja já tinha se espalhado pelo Império Romano, João Crisóstomo disse: "Admiramos a riqueza tanto quanto eles (os não cristãos) e até mais. Temos o mesmo medo da morte, o mesmo pavor da miséria, a mesma impaciência com a doença. Somos igualmente aficcionados da glória e do poder [...]. Então, como eles podem crer?"] - Philip Yancey [Rumores de outro mundo]



Hoje, claramente vejo dois mundos: o natural que valoriza as aparências e o espiritual, que valoriza o homem interior - o visível e o invisível. Para sobreviver a esse dilema, deveríamos nos lembrar de seguir o conselho de Paulo: "Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas" e "a ninguém mais consideramos do ponto de vista humano" (CL 3.2, ICO 1 e IICO 5.16). Temos que tomar cuidado com os valores que o mundo nos ensina - procurar as primeiras colocações, competir para chegar à frente, ser servido, insistir na moderação, auto-proteção, construir um ninho seguro, minimizar o risco - distorções que o Sermão do Monte contradiz de forma direta. As palavras de Jesus parecem revolucionárias justamente porque ainda não conseguimos enxergar além dessa vida. O máximo que conseguimos ver é o possível sucesso nos setenta anos que poderemos viver por aqui.



"Se o mundo é são, então Jesus é tão louco quanto o chapeleiro, e a Última Ceia é a festa do chá maluco. O mundo diz: Preocupe-se com sua própria vida; Jesus diz: Não existe esse negócio de sua própria vida. O mundo diz: Siga o caminho mais inteligente e seja um sucesso; Jesus diz: Siga-me e seja crucificado. O mundo diz: Dirija com cuidado - a vida que você salva pode ser a sua; Jesus diz: Quem procurar salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a achará. O mundo diz: Lei e ordem; Jesus diz: Amor. O mundo diz: Tome; Jesus diz: Entregue. Levando em conta o que o mundo considerara sanidade, Jesus é demente como um simplório. Qualquer um que pense poder segui-lo se ser um pouco louco trabalha mais por uma ilusão que pela cruz. "Nós somos loucos por causa de Cristo...", diz Paulo, diz a fé - a fé de que, em última análise, a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria do homem, a insanidade de Jesus mais sã que a implacável sanidade do mundo". - Freserick Buechner




Seguir a Cristo é carregar o próprio caixão.




Tropical