segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O almoço é de graça


Realmente a graça não é nada comum ao homem natural. Somos motivados pelas recompensas e trabalhamos por salários e, por melhor que seja seu chefe ou a empresa onde você trabalha, só lhe pagam pelo serviço que você fez, não pelo que não fez. Damos presentes para quem antes nos deram, mas se os que ganharam nossos presentes não nos retribuírem numa próxima oportunidade, provavelmente não ganharão nenhum outro. Convidamos para nossas festas as pessoas que nos convidaram anteriormente, mas terá que haver reciprocidade, senão ficarão de fora na seguinte. Amamos os que nos amam. Os padrinhos de casamentos geralmente são os que melhor podem nos presentear. Amigos continuarão amigos enquanto a troca for de igual para igual, enquanto a retribuição for da mesma proporção. Não gostamos de pessoas que pisam em nossos calos e os amigos que fizerem isso, não durarão por muito tempo. Enfim, somos todos bem interessados no que poderemos ganhar e avaliamos bem se qualquer pessoa merece mesmo o que queremos dar. Já ouvi um velho ditado: "Não existe almoço de graça" - no mínimo diremos que da próxima vez, nós é que pagaremos a conta, só para não ficarmos devendo nada. Sempre existiu, da parte do ser humano, algum interesse que está por trás de cada boa ação. Ricos atletas que doam boas quantias de dinheiro para instituições de caridade, não abrem mão das deduções de seus impostos, como também não deixam de chamar algum veículo de mídia para registrar e anunciar ao mundo suas boas ações. Boas ofertas nos dão o direito de testemunharmos de cima de um púlpito. Homens bons se acham merecedores de sua salvação, melhor, nunca se acharam perdidos. A mão direita que ajuda o necessitado não se priva em contar o que fez para a mão esquerda, esperando assim o merecido reconhecimento. Posso dizer que até quando o somos piedosos, fazemos isso para auto promoção. Realmente a graça não é comum ao homem natural - tanto para se dar como também para se ganhar.


Geralmente ouço pessoas dizerem que não é justo que Deus poupe um grande pecador, como se também dissessem que todo mal precisa ser punido - "É muito fácil para vocês cristãos (evangélicos, crentes, seja qual for o rótulo), aceitarem o sacrifício de Jesus. Fica fácil não assumirem as próprias responsabilidades, mas coloca-las nas costas de Jesus". As pessoas que pensam assim querem dizer que o homem precisa pagar pelo mal que fez. Elas não acham que um assassino possa ser perdoado por Deus pelo sacrifício de Jesus Cristo. Nesse sentido eu pergunto para quem então é que Jesus morreu? Pelos bons?

Geralmente se toleram pecados que causam pouco dano a consciência e, nesse sentido, o pecado também está apenas pela moral que cada indivíduo tem. Geralmente, quem pensa assim, sempre se acha vítima e jamais aceitará ser colocado na mesma categoria de assassinos, ladrões e prostitutas; afinal nunca chegaram tão longe assim. Pois a graça em nada é comum ao homem natural - precisa merecer para receber. Porém, a grande incompatibilidade das pessoas que pensam dessa maneira é a de que também não acreditam em condenação eterna - não existe inferno. Nesse caso a idéia se inverte: "Ninguém pode merecer um castigo desses. Deus não seria tão injusto assim."

Caramba! Primeiro não querem que Deus seja gracioso, depois não querem que Deus condene pessoas pelo fato de não terem aceitado o concerto com Ele através de Cristo. Realmente não faz sentido. Ou Deus é gracioso demais ou Ele é severo demais. Querem um deus esperto como o homem natural para não dar presente tão precioso para quem não presta, mas também querem um Deus com a piedade do homem natural para não condenar tão severamente, mesmo que o pecado seja contra a eternidade. Acho melhor dizer auto piedade, pois estão temendo pelas próprias vidas. O contra ponto é que se acham bons demais para serem colocados na categoria de injustos - "Não precisamos de perdão, pois nada fizemos de tão ruim."


Num certo ponto, quando dizem que todo mau precisa ser punido, estão certos. Deus estabeleceu princípios que regem sobre toda natureza criada. Um homem que comete adultério pagará pela escolha que fez em sua própria vida. Só quem viveu ou acompanhou uma situação dessas, conhece o caos que se segue a cada escolha ruim que se fez. O homem colherá um fruto da espécie da semente que plantou, seja ela boa ou má. Um homem que é viciado em pornografia, quer seja ele crente ou não, colherá um péssimo relacionamento com a sua própria esposa e ainda ficará comprometido em suas amizades. O que planta para a carne colhe a própria morte, mas o que planta para o espírito, colhe a vida eterna. Nesse aspecto ninguém ficará impune.


Porém o grande rei Davi nos dá um bom exemplo da dimensão que o pecado alcança. Depois de cometer um grande erro (adultério e homicídio), disse algo que desvenda todo mistério: "Contra ti somente pequei e fiz o que é errado aos teus olhos." O pecado de Davi não somente atingiu pessoas, mas também ultrapassou a dimensão natural para atingir o próprio Deus.


O homem nunca poderá pecar somente contra si mesmo e também não poderá pecar somente contra alguma outra pessoa, mas todo pecado é contra Deus, pois desobedece o segundo grande mandamento de amar ao seu próximo como a si mesmo; infringindo assim a lei do amor de Deus. Todo pecado que o homem comete é contra Deus, sendo assim, pecamos contra o Pai de toda a eternidade. Quando não reconhecemos nossos pecados e não nos arrependemos deles, rejeitamos o sacrifício de Jesus Cristo, dizendo, de certa maneira, que não reconhecemos/aceitamos seu concerto quanto ao que diz respeito da inimizade dEle com o homem. Nesse sentido nosso pecado está relacionado com a eternidade. O homem que procede dessa maneira rejeita o próprio criador acusando-o de mentiroso por dizer que o sacrifício de Jesus não é necessário e nem suficiente. O homem que não crê no único filho de Deus que tira o pecado do mundo permanece nas trevas de sua própria capacidade limitada, pois não passará da sepultura.


Estou escrevendo isso como resposta aos que pensam que não é justa a graça de Deus manifesta em Cristo e que isenta desde o menor até o maior de todos os pecadores da mesma maneira que condena o homem que não se arrepende e não aceita a Jesus Cristo como senhor e salvador. Deus viu a incapacidade humana de se reconciliar com ele, e nesse sentido Ele nos colocou todos num mesmo nível - não existe melhor e nem pior. Nos colocou num mesmo nível ao ponto de fazer da sua graça suficiente a todos os quantos crerem em sua salvação através do sacrifício de um único homem: Jesus Cristo.

À mesa de Jesus se sentam todos os pecadores que reconhecem quem realmente são. Se eu dissesse assassinos, prostitutas ou ladrões, muitos não se identificariam com a facilidade com que Jesus nos identificou somente pelo sentimento que se esconde por trás de cada intenção. Por isso tenho que dizer que orgulhosos, individualistas, auto suficientes, preguiçosos, gulosos, vaidosos, invejosos, fofoqueiros, chefes, ricos ou pobres, briguentos, impacientes, impiedosos, separados, pegadores, os que falam palavrões, amantes de si mesmos, mesquinhos, gananciosos, usurpadores, acusadores, corintianos e principalmente os que não se acham nada disso. Estão todos convidados a se sentarem à mesa. É de graça, pois você não poderia pagar mesmo.



abs


Boas ondas,


Tropical









quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Que morra o homem natural!


Apesar de saber que todos somos iguais, que somos de carne e osso e de que a nossa primeira natureza é descendência de Adão - corrompidos -; sempre me pergunto: no que somos diferentes dos outros? Pois estou considerando apenas dois tipos de pessoas: os que não reconhecem seus próprios pecados e os que reconhecem seus pecados e crêem em Jesus Cristo como único senhor e salvador - nesse caso a primeira e velha natureza deveria ceder lugar a uma nova natureza - o ser natural é morto para dar lugar a pessoa de Cristo. O convertido é um novo homem chamado de filho de Deus, pois nascera de novo - antes fora criado apenas a imagem e semelhança de Deus, mas depois fora gerado pelo Espírito Santo para se tornar filho.


Como disse Lewis, todo cristianismo se resume nisso: seremos reabsorvidos em Cristo. Nada além disso.


Isso quer dizer que o propósito de Deus é o de nos fazer iguais a Cristo. Fazer com que nossa natureza seja reabsorvida nele. Que Ele seja evidenciado através de nós. Que o nome dele seja santificado e glorificado em nós. Ele quer que o velho homem seja morto. Nada além disso.


Em que somos diferentes da antiga natureza?

Hoje em dia só ouço falar de prosperidade e curas milagrosas. O que mudou, se antes também queria as mesmas coisas? Qual seria o problema disso, uma vez que também é bíblico? Vou contar uma história para dar um exemplo melhor:

Há poucas semanas estava conversando com uma amiga quando, de repente, tocou o bip do celular dela - "Toca todos os dias nesse horário, para me lembrar de orar pela paz em Jerusalém. Está escrito que devemos orar pela paz de Jerusalém para que tenhamos prosperidade." Na verdade essa minha amiga é uma mulher de Deus; ela faz parte do grupo dos que reconhecem seus pecados, mas o que ela me disse é a evidência de como não devemos proceder.


Três erros.

O primeiro é textual. Está escrito: "Orai pela paz em Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam." SL122.6

Nesse caso a oração e a prosperidade é uma conseqüência do amor, não o contrário.

O segundo erro é o de motivo. Pois orar pela paz visando a prosperidade, é no mínimo contestável quanto a verdadeira motivação. Como os dizimistas que, esperançosos, aguardam as incontáveis bênçãos caírem das janelas celestiais (Dízimo: tremendo de um preceito. Contribuição: um princípio tremendo).

O terceiro erro é o de tempo. Orar por Jerusalém?! Seria correto desde que estivéssemos vivendo no tempo do rei Davi, na velha aliança, em que Jerusalém era a cidade santa, o palco das grandes festas e o lugar de adoração para os judeus, mas depois que Jesus destituiu o templo de pedra (que era o lugar onde Deus se fazia presente entre seu povo), para nos fazer habitação do seu espírito, depois que ele disse a mulher samaritana que não há lugar santo, mas que o Pai quer filhos que o adorem em espírito e em verdade; pergunto: deveríamos orar por Jerusalém - um lugar? Onde está a cidade santa? Onde está o trono de Deus? Deixem isso pra lá...


Hoje em dia só se ouve falar de prosperidade financeira e o sucesso pessoal. Como se o céu (cidade perfeita) nos valesse muito mais do que o próprio Senhor. Como se amassem mais as riquezas do Pai do que ele próprio. Ouvimos falar demais das antigas histórias dos reis de Israel, de suas conquistas e riquezas, mas muito pouco dos exemplos de Jesus Cristo ou de seus discípulos. Se ouve muito sobre o sucesso relacionado ao mundo contemporâneo - multiplicação de bens, sobre a beleza das aparências e posses - mas pouco se ouve sobre caráter, piedade, compaixão e divisão de bens (a não ser para se doar "aqui"). Me parece que, infelizmente, os preceitos da velha aliança estão em vigor nos dias em que a Igreja poderia desfrutar dos benefícios da graça. Os princípios não mudaram, mas os preceitos sim. Sabemos que somos filhos de Deus pelo sangue da nova aliança. Também não posso deixar de fora o fenômeno surgimento de novos ministérios de elites sociais como se fossem clubes de afinidades. Ministério de empresários, de surfistas, de motociclistas, de universitários, etc. Nada contra, desde que não se tornem grupos de classes e elites, mas que saibam exercitar a piedade e compaixão que resulte em ajuda aos que estão passando por necessidades.


Mas enquanto ouço sobre prosperidade financeira e sucesso pessoal, me confronto pela vida que Jesus e seus discípulos tiveram. Me confronto pela história da Igreja neo testamentária e pelos que marcaram a história no decorrer desses dois milênios. Me confronto pelas minhas motivações relacionadas a minha velha natureza e nova identidade em Cristo. Sempre me pergunto se deveriam haver diferenças entre as minhas ambições e a dos homens que não reconhecem a Cristo. Pelo que me parece, todos querem ter sucesso e serem reconhecidos pelos homens, mas quanto aos que querem buscar justificativas, tentam dizer que prosperidade e sucesso é um sinal de aprovação da parte de Deus pela boa conduta; como se Ele devesse ao homem. Porém, por mais que me falem sobre esse tipo de evangelho, não acho na história bíblica nenhuma base apoiada pela conduta de Jesus e dos seus amigos.


Deus quer que o velho homem seja morto, que não sobre nada dele, mas que Cristo seja formado em nós.



Que morra o homem natural para nascer o que é espiritual!



Boas ondas...


Tropical





quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Trapezista ou trapézio?

Trapezista ou trapézio?


Tenho alguns amigos que não conseguem fazer diferença entre a Igreja e igreja, a invisível da instituição. Até entendo, pois as duas são bem compostas - como também está misturado o joio e o trigo - crescem juntas, ocupam os mesmos espaços e quase sempre andam pelos mesmos lugares. Diria que a segunda (instituição legal) é uma conseqüência, quase que necessária, da primeira (povo de Deus). Tem muita gente que é Igreja, quase todos, e está praticando a fé em alguma denominação qualquer. Por isso eu entendo que alguns não conseguem fazer uma divisão/distinção como a que eu tenho feito nesses últimos anos. Independente de grandes e boas intenções, da sinceridade das pessoas e da vontade de fazer a coisa certa, vejo que denominar um pequeno grupo da Igreja nem sempre poderá ser benéfico (em alguns casos, sim). Normalmente se estabelecerá uma doutrina local, de acordo com diferentes interpretações e cultura, que será um pouco ou muito diferente de uma outra denominação, chegando até a ser a causa de grandes divisões da igreja devido ao conjunto de regras que fora estabelecido.


Ao contrário do que muitos pensam, gosto das estruturas, mas não estou de acordo com a realidade atual que é o resultado da tanta "liberdade" que resulta em "cada um abre a sua própria igreja" de acordo com que bem entendem, sem nenhum compromisso com os princípios bíblicos. Penso que se a igreja denominacional está doente, é porque sua composição também está - seus formadores. Sei que existem algumas boas, poucas, mas saudáveis. Enfim, será que sempre terá que ser assim? Será que não poderemos fazer alguma coisa para mudar esse quadro? Se podemos, por onde então deveremos começar? Independente de lideranças, não somos todos responsáveis? E que legado deixaremos para os novos filhos?


Alguns anos atrás conversava sobre este assunto com um amigo, o Guilherme. Às vezes compartilhamos alguns sonhos que dizem respeito ao futuro da igreja. Foi ai que ele me contou a simples história do trapezista. Ele me perguntou o que seria necessário para que um trapezista largasse o trapézio para agarrar o outro. Essa eu acertei em cheio: "ele só precisa ver o outro trapézio chegando." É óbvio. Então ele me disse que também deveria ser assim com a igreja. "Se nós quizermos que a igreja avance para um novo tempo, precisamos ser este trapézio que vem de encontro; que dará segurança para que larguem o que estão segurando. Ou seja, precisamos ser a mudança que queremos ver. Se formos este renovo de Deus, seremos este trapézio que chega ao encontro, não para suprir conveniências. Somente assim é que esta nova geração se lançará para aquilo que é correto. Largando o velho trapézio da religiosidade cultural e da falta de relacionamentos profundos."


Em outras palavras, imagino que ele queria dizer que ainda não somos o que pregamos. Nossa pregação está muito teórica e pouco prática. Precisamos ter o sentimento que havia em Cristo Jesus. Precisamos amar uns aos outros. Precisamos, andar com Deus e amar de fato.



A estrada em que caminham as pessoas direitas é como a luz da aurora, que brilha cada vez mais até ser dia perfeito. (PV 4:18)



Faz mais de dois mil anos que o reino do Céu foi inaugurado na terra; mais um dia se passou; estamos mais maduros que ontem; temos que nos empenhar cada vez mais para desfazer o caos através da proclamação das Boas Novas do reino do Céu e, ainda poderemos dizer que o dia do Senhor fica mais próximo. Demorei para acreditar nisso, mas hoje penso dessa maneira. Antes, apesar de querer, não conseguia acreditar que veria as mudanças que demonstrassem um verdadeiro progresso em direção ao grande Dia do Senhor. Acreditava que tudo acabaria num caos maior ainda - acho que uns realmente caminham nessa direção se não aceitarem/crerem no concerto que Deus nos providenciou em Cristo. Mas mesmo para os que crêem, este avanço parece tão lento que é mais fácil desanimar e abrir mão de um ideal do que lutar pelo que é certo. Parece tão lento que às vezes temos a impressão de que retrocedemos, pois o mundo avança em descobertas de novas tecnologias, e o máximo que chegamos a ser, "é ser da última moda". Enquanto o mundo se preocupa com as gerações emergentes, mau conseguimos ser contemporâneos, apesar da mensagem do evangelho ser de fato a grande novidade de Deus para qualquer grupo de pessoas; quer sejam ultrapassados, modernos ou pós-modernos.


Repetimos que cristianismo não é uma religião e sim relacionamento com Deus. Então deveríamos, por andar com o Pai, servir como verdadeiras referências - como uma cidade edificada sobre o monte, como sal com sabor, como lâmpada acesa ou um trapézio que chega ao encontro - para um mundo (ou uma igreja) tão distante da vida verdadeira. Mas temos nos tornado apenas uma subcultura - de gueto. Me parece, às vezes, que o relacionamento com Deus corresponde apenas a ritos e dogmas, por esse motivo não somos mais que pessoas religiosas. Está escrito que ninguém pode amar a Deus, a quem não vê, se não amar seu irmão a quem vê (IJO4.20). O relacionamento com Deus está, de maneira sobrenatural, exemplificado na maneira que lidamos com as pessoas. Infelizmente a igreja vive a excêntrica teoria da conspiração, como se o mundo e o inferno, representado por todas as situações e pessoas que nos cercam, estivessem, de maneira secreta, nos perseguindo a todo o tempo para nos destruir. Óbvio que o mundo e o diabo são inimigos de Deus e se opõem à sua vontade, que nossas maiores batalhas são as espirituais, porém nosso papel como Igreja é o de arrancar as pessoas que ainda se encontram sob esse domínio maligno. Temos que amar as pessoas, não condená-las ao inferno como se fôssemos severos juízes. Não há conspiração, sim um caos que precisa ser arrancado.



"Concluímos que repetidas advertências não serão suficientes para afastar a ameaça do tradicionalismo. Precisamos ser vigilantes. Devemos, diariamente, rogar a Deus por Sua proteção. O que é tradicional ganha força daquilo que é familiar. Tememos mudanças. Consagramos o comum. Porém, o familiar naturalmente se torna árido, perde sua vitalidade... A história da Igreja confirma nossa conclusão. Faltando perseguição e líderes consagrados e comprometidos com a Palavra, a Igreja não tem força própria para se reformar. Jesus a comparou a uma figueira que, ainda que tivesse aparência, idade e tamanho para produzir fruto, nada de valor tinha para oferecer a seu dono (LC13.6-9). O viticultor, perdendo a paciência, manda cortar a figueira. Só o fruto satisfará o Senhor da Igreja (v.9). Por isso, Lutero sabiamente reconheceu que a Igreja necessita de uma reforma constante." Russell Shedd - Lei, graça e santificação -



Tenho certeza que é necessário uma reforma. A igreja deve ser renovada (pessoas renovadas = Igreja de Cristo = instituição saudável), ou será fiscada pelo tradicionalismo religioso, pelo formalismo morto e também pelo legalismo hipócrita - que é o composto do mundanismo secular. Só para se ter uma idéia, nesses últimos 38 anos, desde o meu nascimento freqüentei igreja e não sai dela. Minha família é de tradição protestante e por isso minha escola bíblica foi na Metodista. Naqueles tempos a igreja já se dividia em dois principais rótulos: tradicional e pentecostal. Já havia alguns que desejavam ver o equilíbrio entre eles. Então da esperança surgiu um chamado "movimento neo-pentecostal", mas infelizmente, hoje posso constatar que nossas instituições só pioraram. Temos ai um grande paradoxo.


Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa renovação da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele. (RM12.2)

Está muito claro para mim que desde Adão a história de Deus é contada de geração em geração que vai se renovando. Dessa maneira o propósito de Deus tem se cumprido. Propósito = finalidade = vida de Deus em nós e através de nós.

Nós somos a presente geração na qual Deus quer cumprir seu propósito de escrever sua história através de nossas vidas até que o dia se torne perfeito (PV 4:18) - de fato Jesus é o dia perfeito. A pessoa (Igreja) que vive somente de culto em culto, de campanhas em campanhas, não poderá dizer que tem a verdadeira vida. Tem que haver comunhão além preceito. Igreja não pode ser definida/resumida ao culto formal ou um conjunto de regras e tabus. Entendo que o verdadeiro culto acontece desde o momento em que me levanto da cama até a hora de voltar para ela. O culto a Deus é uma vida integral e completa, onde a celebração a Deus junto com os irmãos em Cristo também está inserida.


Porque, assim como em um só corpo temos muitas partes, e todas elas têm funções diferentes, assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo por estarmos unidos com Cristo. E todos estamos unidos uns com os outros como partes diferentes de um só corpo (RM12.4-5). Ou seja, temos que amar uns aos outros como irmãos em Cristo e nos esforçarmos para tratarmos uns aos outros com respeito (RM12.10). O corpo precisa ter comunhão - relacionamentos profundos e não superficiais.

Então pensem quando damos graças a Deus na Ceia do Senhor... todos que bebemos do cálice estamos tomando parte no sangue de Cristo. E, quando partimos e comemos o pão, estamos tomando parte no corpo de Cristo. Prestem a atenção, todos comemos um mesmo pão, que é um só; e por isso somos um só corpo. Entenderam? (ICO10.16-17).


Realmente creio que o verdadeiro avivamento é o caráter de Cristo formado em nós. Pois se as pessoas enchergarem em nós o próprio Cristo; meu irmão, o que isso poderia causar? Vocês devem conseguir imaginar.


A IGREJA (NÓS) PRECISA IR PARA ISSO. POR ISSO PRECISEI ESCREVER. PARA QUE ENTENDESSEM O QUE É IGREJA, GERAÇÃO, HISTÓRIA E OUTRAS COISAS.


Por isso tenho esperança de que poderei viver e ver essa geração impactando o mundo, quero dizer, nossos vizinhos e amigos; o mundo porque a Igreja está espalhada pela terra. Precisamos aprender a viver de acordo com o sentimento de Cristo (FL2.5). Nós precisamos desse renovo de Deus para não entrarmos em nenhum tradicionalismo religioso - isso seria um veneno mortífero. Precisamos desenvolver um relacionamento verdadeiro e profundo com Deus - por isso que Ele nos enviou o Espírito Santo para morar em nós.



Quero ser trapézio.



Deus nos dê graça.


Tropical