quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A resposta certa e a maior distância da terra


Nessa última segunda-feira conheci um casal germânico, pais de um amigo. Devem ter aproximadamente uns setenta anos de idade e, por isso muitas são as histórias e experiências que servem às pessoas mais jovens, como eu; inclusive porque grande parte de suas vidas, viveram como missionários em tribos guaranis - próximas da fronteira do Brasil com o Paraguai. Tivemos apenas umas duas horas de conversa, mas o suficiente para ouvir duas coisas que me foram de grande importância.
A primeira coisa que ouvi foi:
"Temos o péssimo costume de responder às pessoas questões que elas não têm."

Como se não respondendo nada, ainda criássemos novas questões, pois respostas que não respondem às nossas perguntas podem vir a ser novos dilemas. De fato, isso não contribui muito com ninguém. Talvez as pessoas tenham perguntas mais simples, porém nossa falta de sensibilidade, foco e clareza não nos permite eficiência alguma. Lógico que escrevo a respeito do evangelho de Cristo e sobre nosso papel de colaboradores com o Pai.

Digo que o maior problema do homem é o pecado, pois ele nos tirou do convívio com Deus, não o dinheiro e nem mesmo a saúde. Um exemplo fácil de citar é o do paralítico que ouviu a seguinte frase de Jesus: "Filho, se anime, os teus pecados estão perdoados." (Mt9.2)
Imagino que se perguntássemos qual seria o grande problema da vida de tal homem, ninguém arriscaria dizer outra coisa se não a paralisia física. Enfim, todos querem ter saúde e dinheiro, o restante vem depois. Porém Jesus sabia que o grande problema do homem era o pecado, não a paralisia - sem bem que ambos casos foram fáceis para Jesus resolver. A pergunta simples era, em minha opinião, qual seria a solução para tal homem? A simples resposta de Jesus era o perdão - que reconciliou o homem com Deus.

Ouça as pessoas e verá que o problema não está na complexidade da vida, mas na simplicidade de sua morte espiritual devido ao pecado não reconhecido, confesso e perdoado.

A simplicidade do evangelho é que Jesus nasceu, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia. O que passar disso são respostas evasivas.


A segunda frase que ouvi foi em forma de pergunta:
"Tropical, você sabe qual a maior distância da terra?"
Sei lá! Uma volta nela mesma até chegar onde eu comecei - foi o meu pensamento antes que continuasse a frase/resposta.
"É a distância entre a mente e o coração."

Pura verdade!
Exemplo fácil é o que acontece com a gente. Já entendemos em nossa mente que devemos ter uma vida piedosa, cheia da compaixão que estava em Cristo; porém não sentimos nada ao olhar a situação alheia. Enxergamos as pessoas como se fossem ávores. Não choramos por nós mesmos e muito menos pelos que sofrem. Não ajudamos e, se tiver então que colocar a mão no bolso, até da memória apagamos o que aprendemos através da bíblia. Sabemos que deveríamos acumular tesouros nos céus, mas somos loucos pelas coisas da terra. Amamos apenas os que nos fazem o bem e jamais convidaríamos para nossas festas os que nada tem. Enfim, você poderá completar a lista das coisas que você já sabe, mas que não pratica.

A distância entre o cérebro e o coração pode demorar uma vida inteira para ser percorrida, mas com a ajuda que temos do Espírito Santo de Deus, poderá durar menos que alguns segundos. Não sei bem como isso acontece, mas creio que acontece.


Boas ondas,



Tropical





quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Jesus, o ungido! O que mais ele é?


Já fui acusado de reconhecer Jesus Cristo apenas como salvador, não como Senhor. Foi pelo fato de não concordar com um preceito que, pela pessoa com quem eu conversava, tinha uma opinião divergente e por isso considerava parte da santa doutrina bíblica. Tive que considerar a acusação avaliando todas as minhas reais motivações que estavam relacionadas ao assunto. Cheguei a conclusão, depois de mais uma série de pesquisas de estudos, conversas e confrontações, de que no caso em específico eu estava bem certo. Porém a auto avaliação me fez enxergar que realmente, dentro de certa ótica, poderia considerar que Jesus não estava como Senhor de toda minha vida, apenas em áreas mais fáceis de se sujeitar ou até mesmo por conveniência. Independente de pontos de vista que me serviriam de justificativas, pedi perdão a Deus, expus minhas dificuldades e limitações, além de dizer do meu real desejo em servi-lo. Sempre digo que não tenho medo de ser confrontado, acusado ou coisas do tipo. Busco sim, reavaliar cada caso e, se constatar o erro, concertar-me.


Mas sempre que me lembro deste episódio, consigo somar mais uma série de atributos na pessoa de Jesus, o ungido. Não somente o de salvador e senhor, mas também o de amigo e mestre, por exemplo. É nesse caso, o de mestre, que escreverei um pouco mais.


"Temos dissimulado com tanta persistência o poder do evangelho... que é desculpável que aqueles que o julgam por nós duvidem que ele seja mais eficaz e inspirador do que os patéticos palpites que adornam os escritos filosóficos." Canon B. F. Westcott


Se também reconhecemos a Jesus Cristo como mestre, por que é que temos seguido um caminho tão diferente ao dele? Porque a nossa mensagem apenas anuncia as bençãos de Deus em detrimento do compromisso de alunos que deveríamos ser? Por não o imitamos em simplicidade, mas sempre estamos buscando a glória dos homens, seus poderes e reinos? Por gostamos tanto de status - inclusive o eclesiástico?


"Aceitamos que a nossa religião efetivamente se afaste de Jesus como amigo e mestre, e da nossa existência cotidiana como santa vocação ou compromisso com Deus. Alguns trocam a vitalidade divina e a integridade pessoal pela conduta ritual; outros podem se contentar com uma série isolada de "experiências", em lugar da transformação do caráter." Dallas Willard (A conspiração divina)


Hoje, pela manhã, conversava com uma amiga de trabalho sobre as questões da graça e do perdão. Foi por causa de um e-mail que recebi. Era uma reportagem sobre a verdadeira história de um ex-sequestrador que fora transformado pelo amor de Deus, evidenciado através de sua própria vítima. "Síndrome de estocolmo!" - é um estado psicológico particular desenvolvido por pessoas que são vítimas de seqüestro. Essa foi a primeira coisa que ouvi dela.

Sem querer defender ou atacar os estudos que tentam decifrar a alma humana, fiquei chocado em ver o quanto algumas pessoas, através de um conhecimento meramente humano, sempre tentam anular toda e qualquer ação sobrenatural. Me parece que para cada atitude humana existe uma resposta científica ou psicológica. Com isso, tentam sempre - não sei se sistematicamente - anular qualquer ação de Deus no homem. Pergunto, porque é que sempre tem que ser a tal síndrome "x" ou "y" e não apenas a vida de Deus num ser humano, redimido pela morte e ressurreição de Cristo, que o faz ter atitudes de amor incondicional? Digo, assumam logo que não acreditam em Deus como o único criador de todas as coisas - como a essência da vida. Não tem compatibilidade dizerem que crêem num Deus que é soberano sem lhe atribuir poder, louvor e glória.


O pior dessa história é que isso também acontece no âmago da igreja. Pessoas que professam a fé em Jesus Cristo, não o reconhecem mais como mestre. Acreditamos sem questionar que as últimas pesquisas tem mais a nos ensinar sobre o amor e sexo, sobre finanças, sobre família e educação dos filhos, sobre relacionamento entre amigos e colegas de trabalho, do que o próprio Jesus nos ensina. Isso nos mostra em quem nós verdadeiramente depositamos nossa confiança.


"Perdemos totalmente a noção da diferença entre informação e sabedoria, e os nossos atos revelam isso." D. Willard


"Fica difícil, se não impossível, edificar uma cristologia plausível com base num Jesus ingênuo, equivocado, desafortunado ou ignorante." Tomas Oden


A extinta escola dominical, que nos anos setenta e oitenta ainda era comum nas igrejas mais tradicionais, deu lugar a novos tipos de seminários e ensinos de "como tocar o nosso negócio" ou "como conduzir a nossa carreira" em nome de Jesus Cristo (Cl3.17, 23). D. Willard ainda ressalta que "pouco se faz para ensinar as pessoas a fazer o que ele [Jesus] fez e pregou... quem sabe de um seminário ou curso teórico e prático oferecido no programa de educação cristã que verse sobre como amar os inimigos, abençoar aqueles que o amaldiçoam, fazer o bem aqueles que o odeiam e orar por aqueles que cospem em você e tornam a sua vida infeliz?" (cf. Mt5.44)


Apesar de saber o quanto nossa velha natureza tem nos atrapalhado em reconhecer Jesus Cristo em todos os aspectos que lhe são devidos, graças a Deus que pelo Espírito Santo hoje também podemos reconhecer o quanto estamos distantes de seu propósito - Cristo em nós. Temos tempo de nos arrependermos de nossos pecados para sermos colaboradores com Ele na proclamação do evangelho do reino celestial, não terreno.


Será que o evangelho que eu vivo, prego e ensino tem uma tendência natural de me fazer e também as pessoas a se tornarem alunos de Jesus em tempo integral?


Como já ouvi e escrevi, o verdadeiro avivamento se dará quando formos imitadores de Cristo, não somente estudiosos ou adoradores.


"Jesus é digno de ser aprendido, adorado e imitado". Ronny Vitoreli



Boas ondas,



Tropical