... (ou mentiroso).
Não conhecia essa versão do dito popular, mas achei bem interessante.
Sendo cego dos dois olhos, qualquer coisa que me dissessem, verdade ou mentira, faria total ou nenhum sentido. Como cego total, se me dessem um olho bom, seria satisfeito, pois já teria terra para reinar. Não enxergar nada e, derrepente enxergar com apenas um olho, é presente inigualável. Mas suponhamos que esse primeiro olho seja gratuito, mas que o segundo, necessário para uma visão plena, custasse ao meio cego, um preço altíssimo: abrir mão de toda imagem e conforto alcançados pelo primeiro olho. Considere que a imagem captada por apenas um olho é uma imagem incompleta.
Se em terra de cego, quem tem um olho é rei, tudo o que dissermos aos outros [cegos], será de total ou sem nenhum sentido. Porém poderemos entregar aos cegos aquilo que, de apenas um olho temos percebido e, como nos foi gratuito, ofereceremos o que de graça recebemos: um olho bom. Mas se a visão de um olho é uma visão parcial, não total, poderá ser também, em alguns casos, ser uma visão distorcida ou mentirosa.
Um olho bom pode ser o conhecimento de uma cultura sem o conhecimento da história. Pode ser a liturgia sem a essência. Pode ser a estrutura e a forma sem o conhecimento da vida que precede ambas. Pode ser o preceito sem o princípio. Pode ser o verbo sem a ação. Pode ser a teoria sem a prática. Pode ser a tradição sem a espontaneidade. Pode ser o culto sem o motivo. A festa sem o que celebrar. Pode ser o próprio homem sem a própria cruz. Pode ser uma velha aliança disfarçada de nova e o "Pai nosso" simples reza. Nesse sentido, tudo isso nos faz mentirosos.
Vamos supor que antes, quando ainda completamente cegos, nem isso nós tínhamos. Nos falavam tudo, porém nada fazia sentido. Com um olho bom, tudo passou a ter sentido, mas apenas por um lado; o lado do olho que recebeu a visão. Porém a visão completa tira da parcial o primeiro sentido. Pobre que não tem absolutamente nada, nada poderá ser-lhe tirado; mas pobre que tem alguma coisa, tudo lhe poderá ser arrancado. Enquanto totalmente cego, nada tinha a perder, mas agora, com uma vista, o medo tomou conta de mim… está bom assim; alcancei conforto que não tinha.
O homem contemporâneo, quando se tornou Igreja em Jesus Cristo, parece-me que um olho bom recebeu e gostou. Gostou tanto que outro olho bom seria demais. "Pra quê mais se já está bom assim?" Um segundo olho bom custaria o tudo o que já se conquistou pelo primeiro. Como que se um verdadeiro deficiente visual, ao deixar de sê-lo, todos benefícios também fossem arrancados - isenções de impostos, vagas reservadas e preferências em atendimentos. "Parece que dois olhos nos faz pessoas comuns, com responsabilidades e obrigações iguais a qualquer outro. Melhor um olho bom do que os dois olhos bons…"
Na visão total, o sentido real anularia o que é parcial. Homens não mais seriam como árvores.
Uma visão total anularia benefícios de um ser especial. Com visão plena - homens que eram considerados deficientes perderiam benefícios. Teríamos que carregar nossa própria cruz que está do lado direito, mas que não podíamos enxergar pelo fato do olho bom ser o esquerdo. A visão plena nos dá a capacidade de entender o verbo e a ação, a liturgia e o significado, a teoria e a prática, enfim, a praticar não somente a existência de Deus como também o relacionamento com o Papai do céu.
Dois olhos bons significa ter responsabilidades de um filho saudável. Significa lutar por transformação, não conformidade com o sistema desse mundo. Significa que "não será inútil lutar para marcar os sinais [do reino do céu]" - J. Ellul.
Ter uma visão plena é ser um homem totalmente livre num mundo cheio de alienação. Para ser um homem livre é preciso ter coragem e esperança - de que poderemos ser uma Igreja, melhor.
Na terra do Rei, ter apenas um olho bom, é ser deficiente.
Boas ondas,
Tropical
Sendo cego dos dois olhos, qualquer coisa que me dissessem, verdade ou mentira, faria total ou nenhum sentido. Como cego total, se me dessem um olho bom, seria satisfeito, pois já teria terra para reinar. Não enxergar nada e, derrepente enxergar com apenas um olho, é presente inigualável. Mas suponhamos que esse primeiro olho seja gratuito, mas que o segundo, necessário para uma visão plena, custasse ao meio cego, um preço altíssimo: abrir mão de toda imagem e conforto alcançados pelo primeiro olho. Considere que a imagem captada por apenas um olho é uma imagem incompleta.
Se em terra de cego, quem tem um olho é rei, tudo o que dissermos aos outros [cegos], será de total ou sem nenhum sentido. Porém poderemos entregar aos cegos aquilo que, de apenas um olho temos percebido e, como nos foi gratuito, ofereceremos o que de graça recebemos: um olho bom. Mas se a visão de um olho é uma visão parcial, não total, poderá ser também, em alguns casos, ser uma visão distorcida ou mentirosa.
Um olho bom pode ser o conhecimento de uma cultura sem o conhecimento da história. Pode ser a liturgia sem a essência. Pode ser a estrutura e a forma sem o conhecimento da vida que precede ambas. Pode ser o preceito sem o princípio. Pode ser o verbo sem a ação. Pode ser a teoria sem a prática. Pode ser a tradição sem a espontaneidade. Pode ser o culto sem o motivo. A festa sem o que celebrar. Pode ser o próprio homem sem a própria cruz. Pode ser uma velha aliança disfarçada de nova e o "Pai nosso" simples reza. Nesse sentido, tudo isso nos faz mentirosos.
Vamos supor que antes, quando ainda completamente cegos, nem isso nós tínhamos. Nos falavam tudo, porém nada fazia sentido. Com um olho bom, tudo passou a ter sentido, mas apenas por um lado; o lado do olho que recebeu a visão. Porém a visão completa tira da parcial o primeiro sentido. Pobre que não tem absolutamente nada, nada poderá ser-lhe tirado; mas pobre que tem alguma coisa, tudo lhe poderá ser arrancado. Enquanto totalmente cego, nada tinha a perder, mas agora, com uma vista, o medo tomou conta de mim… está bom assim; alcancei conforto que não tinha.
O homem contemporâneo, quando se tornou Igreja em Jesus Cristo, parece-me que um olho bom recebeu e gostou. Gostou tanto que outro olho bom seria demais. "Pra quê mais se já está bom assim?" Um segundo olho bom custaria o tudo o que já se conquistou pelo primeiro. Como que se um verdadeiro deficiente visual, ao deixar de sê-lo, todos benefícios também fossem arrancados - isenções de impostos, vagas reservadas e preferências em atendimentos. "Parece que dois olhos nos faz pessoas comuns, com responsabilidades e obrigações iguais a qualquer outro. Melhor um olho bom do que os dois olhos bons…"
Na visão total, o sentido real anularia o que é parcial. Homens não mais seriam como árvores.
Uma visão total anularia benefícios de um ser especial. Com visão plena - homens que eram considerados deficientes perderiam benefícios. Teríamos que carregar nossa própria cruz que está do lado direito, mas que não podíamos enxergar pelo fato do olho bom ser o esquerdo. A visão plena nos dá a capacidade de entender o verbo e a ação, a liturgia e o significado, a teoria e a prática, enfim, a praticar não somente a existência de Deus como também o relacionamento com o Papai do céu.
Dois olhos bons significa ter responsabilidades de um filho saudável. Significa lutar por transformação, não conformidade com o sistema desse mundo. Significa que "não será inútil lutar para marcar os sinais [do reino do céu]" - J. Ellul.
Ter uma visão plena é ser um homem totalmente livre num mundo cheio de alienação. Para ser um homem livre é preciso ter coragem e esperança - de que poderemos ser uma Igreja, melhor.
Na terra do Rei, ter apenas um olho bom, é ser deficiente.
Boas ondas,
Tropical

5 comentários:
Não quero um olho só de jeito nenhum, n quero e não vou me conformar, não quero e não vou deixar de lutar, e mais do que tudo quero sempre poder praticar e presença do Papaizinho do céu, pq sem isso nada tem sentido....abração, ow ce não tieme trezefantim?mmmmmmmmmmmmonstro
Oce nãotcheme 13fantin!
eu tiemo sim
Tropical tem um blog que parce ser meio loco, dum cara que tem um livro editado na mundo cristão, ve lá tempora-mores.blogspot.com
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