Já faz quase três anos que abandonei as denominações eclesiásticas. São vários os motivos que me levaram a uma difícil decisão dessas - difícil porque era (e ainda é), um paradigma cultural. Hoje eu consigo enxergar que a quebra desse modelo, que eram como grades de uma cela, além de me colocar do lado de fora, também me deu uma nova vida no meu relacionamento com o Pai - passei a enxergá-lo de perto, não de dentro dessas grades, e conseqüentemente a conhecê-lo melhor. A serra que usei para cortar essas duras grades de ferro foi trazida a mim entre duas fatias de um pão: o cenário da igreja moderna e a bíblia por ela mesma. Cheguei a conclusão: não seria mais um tirano e muito menos administrador do sistema que está em vigor. Cortei as grades do sistema religioso! Porém ainda estou aprendendo a viver do lado de fora.
Além de tudo, não poderia trair minha própria consciência para me tornar um refém do sistema. Óbvio que tem muita gente bem intencionada, sincera e temente a Deus, mas essa é uma outra questão.
Acho que já escrevi o suficiente sobre este assunto. Se quiser saber mais, leia meus textos anteriores, pesquise sobre a história da igreja dos primeiros séculos. Pesquise na bíblia qual era o modelo eclesiástico e o compare com o atual modelo da igreja - que se tornou instituições denominadas de acordo com seus próprios dogmas. Pesquise a igreja dos últimos tempos, do século XX e também a igreja moderna, veja como foram seus avivamentos e também o fim de cada um deles - os motivos, as lutas, etc. Leia a Bíblia, direito!
A síntese de toda minha proposta é esta:
"Resolvi atacar a forma, para tentar resgatar a essência." Levarei as duas fatias do pão para que cada um construa sua própria cerra. Se bem que, isso só será possível se o Pai estiver na situação, se o filho realmente nos libertar, e se o Espírito Santo nos capacitar, de verdade.
Não sou contra a forma em si, mas tudo o que é tradicionalismo, formalismo e legalismo ganhou muito peso, o suficiente para achatar o real sentido de cada palavra pregada. Sou totalmente contra preceitos que são meramente (des)humanos. Sou contra o abuso dos homens que se colocam como alto clero, liderança, coberturas, etc. Homens que tomam dinheiro para pregar a Palavra de Deus… Por favor, comparem com o padrão bíblico, com a igreja primitiva. Estude o contexto numa visão geral. Parece-me que quase tudo está corrompido. A igreja moderna tem se tornado irrelevante em meio a sociedade. Ela arrecada muito e constrói pouco, não ensina, não devolve, não faz prestação de contas, não ama, não teme…
"Nosso cristianismo é particularmente superficial porque a imagem que fazemos de Cristo é superficial. Ficamos cada vez mais empobrecidos pelas rasas e insatisfatórias concepções que temos a respeito dele. Hoje, algumas pessoas falam de Cristo como se ele fosse uma espécie de remédio injetável que pudéssemos aplicar em nós mesmos e viajar para o mundo da fantasia quando nos sentíssemos deprimidos. A igreja contemporânea parece ter uma compreensão estreita da grande as de Jesus Cristo…" - John Stott
Sonhei que homens eram como árvores plantadas, que suas cabeças eram como raízes de baixo da terra, que seus corpos dançavam conforme o vento ou a chuva ditassem o ritmo, porém, como suas cabeças estavam presas debaixo da terra, não podiam sair do lugar - todos estavam presos e não podiam ser levados para dançarem livres. Dançavam sim, mas não livremente.
Compreendi que é necessário que todos tirem suas cabeças de baixo da terra, para começar a ouvir com clareza o som do vento e a enxergar a ação da chuva. Vejo que realmente todos dançam, mas sem sair do lugar, sem enxergar o que deveria ser nítido e sem ouvir o som do vento em toda sua força, pelo fato de suas cabeças estarem presas ao chão, na terra… Uma terra empobrecida pelo pecado.
Se homens se tornarem filhos de Deus em Jesus Cristo, eles precisarão arrancar suas cabeças dessa terra. Precisam se deixar ser arrancados pelo vento do Espírito Santo; para voarem bem alto e, do céu enxergarem a terra. Assim, nessa nova dimensão, haverá um novo entendimento da situação, do caos, da religiosidade, etc. O vento soprará sem sabermos da onde ele vem e nem pra onde ele vai. Seremos igual ao vento. Estaremos nele. Este é meu sonho.
vlw, boas ondas
Tropical

4 comentários:
Cara, você está propondo a reforma da reforma, você é um protestante do protestantismo. Mas como prestar culto sem congregar e congregar sem que esta congregação se torne uma denominação?
Fala ae Gus,a resposta é bem simples, desde que se entenda que, para congregar, não precisamos de uma pequena multidão, mas poderemos fazer entre duas pessoas - em casa, no escritório, no café, etc. O culto é a nossa própria vida, não os de domingos. vlw
OK, "onde estiver dois ou mais reunidos alí eu estarei", mas nesse contexto quem seria o sacerdote que a blíbia determina que devemos ter? Acho que a transformação nas denominações está na mudança de postura de quem as lidera. A igreja em células é viável mas muitos temem perder o poder, no entanto, deve haver liderança. É um paradoxo.
Primeiro que o sacerdócio de Cristo é universal e nunca, nunca na nova aliança o termo sacerdote foi atribuído ao indivíduo, ou seja, somos um povo/reino de sacerdotes - tanto eu qto vc, independente da vocação ou dom. A tribo de sacerdotes (leví), foi destituída para dar lugar a uma pessoa, q nem foi descendente de Levi, mas de Judá - estes não prestavam serviços sagrados. Então, nosso sumo sacerdote, de um tabernáculo celestial, não terreno, é Cristo e todos os que são nEle, são co-sacerdotes.
Outra coisa, modelo de liderança - de cima para baixo, é modelo pagão ou de governos humanos, não é um padrão do reino do céu. Em tal reino - o do céu - o maior é o menor, é quem serve, é ombro a ombro, não de cima para baixo. Leia o texto "Romano demais". Nele eu explico com fundamento bíblico e textual.
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