Se me perguntassem qual foi o grande propósito de Deus, responderia que foi o de nos tornar filhos através de Jesus Cristo. Agora então, poderemos chamá-lo de Pai. Mas também é fato que dentro dessa finalidade está a proclamação de seu reino aqui na terra, agora, entre os seus filhos. Se é verdade que numa época os hebreus desejaram ter um rei humano, é também verdade que Deus alertou-os a respeito das conseqüências dessa escolha. É verdade também que Deus, em Jesus Cristo, estabeleceu seu reino "aqui na terra como também nos céus, e dá a possibilidade de entrarmos nele. Jesus ensinava anunciando as boas novas do reino.
"Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus." Jesus, o Cristo
O reino dos céus é contrário ao reino daqui debaixo. Contrário aos reinos humanos e também ao reino de Mamom. Cada um desses impõe seus próprios valores, mas todos - exceto o dos céus - estão debaixo de um sistema maligno de trocas, de merecimentos, de poderes opressores, de méritos, de performance e competições. Sei de uma coisa, aqui embaixo não se lida muito bem com o dom nem com a graça - esta não é comum ao homem. Não se sabe dar nem receber, mas é preciso merecer. Diria com todas as convicções que, aqui embaixo impera o reino da desgraça que se opõe contra o reino do céu, em que tanto o dom quanto o favor são suas grandes características.
O grande problema é que nascemos e fomos ensinados dentro de um sistema de governo maligno. O problema é a dificuldade que temos para aprender a praticar o dom de Deus e anular as influências malignas dos reinos desgraçados. O problema é que temos dificuldades em buscar em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça. O problema é que as influências de reinos daqui debaixo permanecem dentro de muitas igrejas modernas (com "i" minúsculo) - ensinam que a riqueza e o poder são como uma aprovação da parte de Deus pela boa conduta humana - merecimento! O problema é que muitos ainda, mesmo depois de conhecer o dom de Deus, querem ficar ricos, querem chegar ao topo, querem ser reconhecidos pela performance, querem construir impérios sobre seus nomes. O problema é que não percebem a vida de Jesus Cristo, de seus discípulos; não percebem seus exemplos.
"No mundo em que vivemos, o mundo de Mamom, do dinheiro (onde tudo é pago e o comportamento normal é a venda com tudo o que isso comporta), é totalmente contrário ao mundo de Deus, onde tudo é gratuito e o comportamento normal é a gratuidade… Uma atitude grave é aceitarmos uma doutrina de méritos. O mérito que obtemos diante de Deus, através das obras e virtudes, é uma forma de pagar a Deus, de comprar seu favor… É preciso fazer o dinheiro se restringir ao seu papel como instrumento material [não mais divino]. Quando o dinheiro não passar mais de um simples objeto, quando ele perder a sua sedução, seu valor eminente, sua grandeza supra humana, então poderemos utilizá-lo como um móvel qualquer, como uma máquina qualquer." Jacques Ellul
Sei de uma coisa, que quando cremos em Jesus Cristo, nos submetemos a um novo governo, o do céu; e, neste sentido, devemos abandonar os valores dos demais reinos. À partir dai, é necessário que todos sejam transformados quanto a maneira de pensar. É necessário que saiamos da forma deste mundo decaído para experimentarmos a perfeita vontade do Pai. Dentre muitas coisas que precisamos aprender, uma é de extrema importância, a questão relação homem e dinheiro/riqueza. Jesus trata disso de maneira assustadora, pois personifica-o como outro deus denominado Mamom. Precisamos profanar este deus para destroná-lo. "Profanar o dinheiro", como também todo poder, é lhe retirar seu caráter sagrado. Precisamos entender o que significa ser livre em Cristo. Precisamos deixar com que a gratuidade entre em nossos corações.
Boas ondas,
Tropical

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