segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Em terra de cego, quem tem um olho é rei...


... (ou mentiroso).

Não conhecia essa versão do dito popular, mas achei bem interessante.
Sendo cego dos dois olhos, qualquer coisa que me dissessem, verdade ou mentira, faria total ou nenhum sentido. Como cego total, se me dessem um olho bom, seria satisfeito, pois já teria terra para reinar. Não enxergar nada e, derrepente enxergar com apenas um olho, é presente inigualável. Mas suponhamos que esse primeiro olho seja gratuito, mas que o segundo, necessário para uma visão plena, custasse ao meio cego, um preço altíssimo: abrir mão de toda imagem e conforto alcançados pelo primeiro olho. Considere que a imagem captada por apenas um olho é uma imagem incompleta.
Se em terra de cego, quem tem um olho é rei, tudo o que dissermos aos outros [cegos], será de total ou sem nenhum sentido. Porém poderemos entregar aos cegos aquilo que, de apenas um olho temos percebido e, como nos foi gratuito, ofereceremos o que de graça recebemos: um olho bom. Mas se a visão de um olho é uma visão parcial, não total, poderá ser também, em alguns casos, ser uma visão distorcida ou mentirosa.

Um olho bom pode ser o conhecimento de uma cultura sem o conhecimento da história. Pode ser a liturgia sem a essência. Pode ser a estrutura e a forma sem o conhecimento da vida que precede ambas. Pode ser o preceito sem o princípio. Pode ser o verbo sem a ação. Pode ser a teoria sem a prática. Pode ser a tradição sem a espontaneidade. Pode ser o culto sem o motivo. A festa sem o que celebrar. Pode ser o próprio homem sem a própria cruz. Pode ser uma velha aliança disfarçada de nova e o "Pai nosso" simples reza. Nesse sentido, tudo isso nos faz mentirosos.

Vamos supor que antes, quando ainda completamente cegos, nem isso nós tínhamos. Nos falavam tudo, porém nada fazia sentido. Com um olho bom, tudo passou a ter sentido, mas apenas por um lado; o lado do olho que recebeu a visão. Porém a visão completa tira da parcial o primeiro sentido. Pobre que não tem absolutamente nada, nada poderá ser-lhe tirado; mas pobre que tem alguma coisa, tudo lhe poderá ser arrancado. Enquanto totalmente cego, nada tinha a perder, mas agora, com uma vista, o medo tomou conta de mim… está bom assim; alcancei conforto que não tinha.

O homem contemporâneo, quando se tornou Igreja em Jesus Cristo, parece-me que um olho bom recebeu e gostou. Gostou tanto que outro olho bom seria demais. "Pra quê mais se já está bom assim?" Um segundo olho bom custaria o tudo o que já se conquistou pelo primeiro. Como que se um verdadeiro deficiente visual, ao deixar de sê-lo, todos benefícios também fossem arrancados - isenções de impostos, vagas reservadas e preferências em atendimentos. "Parece que dois olhos nos faz pessoas comuns, com responsabilidades e obrigações iguais a qualquer outro. Melhor um olho bom do que os dois olhos bons…"

Na visão total, o sentido real anularia o que é parcial. Homens não mais seriam como árvores.
Uma visão total anularia benefícios de um ser especial. Com visão plena - homens que eram considerados deficientes perderiam benefícios. Teríamos que carregar nossa própria cruz que está do lado direito, mas que não podíamos enxergar pelo fato do olho bom ser o esquerdo. A visão plena nos dá a capacidade de entender o verbo e a ação, a liturgia e o significado, a teoria e a prática, enfim, a praticar não somente a existência de Deus como também o relacionamento com o Papai do céu.

Dois olhos bons significa ter responsabilidades de um filho saudável. Significa lutar por transformação, não conformidade com o sistema desse mundo. Significa que "não será inútil lutar para marcar os sinais [do reino do céu]" - J. Ellul.

Ter uma visão plena é ser um homem totalmente livre num mundo cheio de alienação. Para ser um homem livre é preciso ter coragem e esperança - de que poderemos ser uma Igreja, melhor.

Na terra do Rei, ter apenas um olho bom, é ser deficiente.




Boas ondas,

Tropical

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Homens árvores


Já faz quase três anos que abandonei as denominações eclesiásticas. São vários os motivos que me levaram a uma difícil decisão dessas - difícil porque era (e ainda é), um paradigma cultural. Hoje eu consigo enxergar que a quebra desse modelo, que eram como grades de uma cela, além de me colocar do lado de fora, também me deu uma nova vida no meu relacionamento com o Pai - passei a enxergá-lo de perto, não de dentro dessas grades, e conseqüentemente a conhecê-lo melhor. A serra que usei para cortar essas duras grades de ferro foi trazida a mim entre duas fatias de um pão: o cenário da igreja moderna e a bíblia por ela mesma. Cheguei a conclusão: não seria mais um tirano e muito menos administrador do sistema que está em vigor. Cortei as grades do sistema religioso! Porém ainda estou aprendendo a viver do lado de fora.
Além de tudo, não poderia trair minha própria consciência para me tornar um refém do sistema. Óbvio que tem muita gente bem intencionada, sincera e temente a Deus, mas essa é uma outra questão.

Acho que já escrevi o suficiente sobre este assunto. Se quiser saber mais, leia meus textos anteriores, pesquise sobre a história da igreja dos primeiros séculos. Pesquise na bíblia qual era o modelo eclesiástico e o compare com o atual modelo da igreja - que se tornou instituições denominadas de acordo com seus próprios dogmas. Pesquise a igreja dos últimos tempos, do século XX e também a igreja moderna, veja como foram seus avivamentos e também o fim de cada um deles - os motivos, as lutas, etc. Leia a Bíblia, direito!

A síntese de toda minha proposta é esta:
"Resolvi atacar a forma, para tentar resgatar a essência." Levarei as duas fatias do pão para que cada um construa sua própria cerra. Se bem que, isso só será possível se o Pai estiver na situação, se o filho realmente nos libertar, e se o Espírito Santo nos capacitar, de verdade.

Não sou contra a forma em si, mas tudo o que é tradicionalismo, formalismo e legalismo ganhou muito peso, o suficiente para achatar o real sentido de cada palavra pregada. Sou totalmente contra preceitos que são meramente (des)humanos. Sou contra o abuso dos homens que se colocam como alto clero, liderança, coberturas, etc. Homens que tomam dinheiro para pregar a Palavra de Deus… Por favor, comparem com o padrão bíblico, com a igreja primitiva. Estude o contexto numa visão geral. Parece-me que quase tudo está corrompido. A igreja moderna tem se tornado irrelevante em meio a sociedade. Ela arrecada muito e constrói pouco, não ensina, não devolve, não faz prestação de contas, não ama, não teme…

"Nosso cristianismo é particularmente superficial porque a imagem que fazemos de Cristo é superficial. Ficamos cada vez mais empobrecidos pelas rasas e insatisfatórias concepções que temos a respeito dele. Hoje, algumas pessoas falam de Cristo como se ele fosse uma espécie de remédio injetável que pudéssemos aplicar em nós mesmos e viajar para o mundo da fantasia quando nos sentíssemos deprimidos. A igreja contemporânea parece ter uma compreensão estreita da grande as de Jesus Cristo…" - John Stott

Sonhei que homens eram como árvores plantadas, que suas cabeças eram como raízes de baixo da terra, que seus corpos dançavam conforme o vento ou a chuva ditassem o ritmo, porém, como suas cabeças estavam presas debaixo da terra, não podiam sair do lugar - todos estavam presos e não podiam ser levados para dançarem livres. Dançavam sim, mas não livremente.

Compreendi que é necessário que todos tirem suas cabeças de baixo da terra, para começar a ouvir com clareza o som do vento e a enxergar a ação da chuva. Vejo que realmente todos dançam, mas sem sair do lugar, sem enxergar o que deveria ser nítido e sem ouvir o som do vento em toda sua força, pelo fato de suas cabeças estarem presas ao chão, na terra… Uma terra empobrecida pelo pecado.

Se homens se tornarem filhos de Deus em Jesus Cristo, eles precisarão arrancar suas cabeças dessa terra. Precisam se deixar ser arrancados pelo vento do Espírito Santo; para voarem bem alto e, do céu enxergarem a terra. Assim, nessa nova dimensão, haverá um novo entendimento da situação, do caos, da religiosidade, etc. O vento soprará sem sabermos da onde ele vem e nem pra onde ele vai. Seremos igual ao vento. Estaremos nele. Este é meu sonho.


vlw, boas ondas


Tropical





sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Formas


O culto vem antes da forma.
A paixão vem antes da forma.
O barulho vem antes da forma.
A festa vem antes da forma.
O relacionamento vem antes da forma. Enfim:
A vida precede a forma.
A forma é uma conseqüência - pode aparecer das idéias, bem intencionadas, mas nem sempre corretas, às vezes bem incorretas; pela falta de conhecimento, da sua própria experiência ou da experiência dos outros; da cultura, da vida. Existem muitas formas, pouco criativas e muitas emprestadas - (im)prestáveis. Não me oponho a elas por que tenho o prazer em deformações, mas porque a deformação passou a ser a forma correta, como um fim em si mesma em detrimento da essência. Nesse sentido a forma precisa ser reavaliada, repensada, questionada. A forma se tornou velha e ultrapassada, assassinou o único propósito. Uma forma velha não pode receber vinho novo, senão arrebenta. Sei que a forma não é a coisa mais importante, pois vem depois, é um resultado. Mas se o resultado ficou esquisito é porque a forma foi estragada pelos velhos costumes de uma natureza caída. Agora, ela não pode receber vinho novo. Então devemos jogar fora a forma ou reavaliar o que a (de)formou? Acho que foi a velha maneira de pensar - deve ter um pouco mais de seis mil anos. Precisamos uma nova maneira de pensar. Isso não é daqui, vem de cima, do alto, de dentro para fora, de Um de fora desse mundo para dentro de nós. Quando a maneira de pensar for transformada, a forma será uma conseqüência saudável. Experimentaremos o que é bom, perfeito e agradável. Dai a forma, que já não mais será um sistema, mas um recipiente, poderá receber o vinho novo. Todos beberão e ficarão satisfeitos. A alegria tomará o lugar da liturgia, da letargia e da tradição envelhecida. Não quero desrespeitar a história, mas continuá-la. Seremos libertadores do mesmo jeito que fomos alcançados por Jesus Cristo - o dono do odre e do vinho. Beberemos em vários tipos de copos. Seremos recipientes. Porém o vinho só poderá ser um - o bom vinho da da festa das bodas de um casamento. Esse vinho não pode ser despejado em velhas e corrompidas formas.


Boas ondas,

Tropical


Enviado de meu iPod

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Romano demais

Dentro de nossas igrejas, de quem são as cadeiras cativas e as primeiras fileiras dos auditórios? Quem são os abençoados com copos d'água, melhores lugares das mesas, lenços para enxugar o suor, vagas de estacionamento previamente guardadas, manobrista, carregadores de malas, créditos em livrarias e cantinas da própria igreja local? Quem são os que requerem maior honra e prestígio para si? Quem são os que recebem para pregar a Palavra de Deus? Quem são os tiram ofertas sem dar contas? Quem são os que dão ordens e reivindicam obediência cega? Quem são os detentores de poder amaldiçoador a rebeldes de suas ordens? Quem são os que se denominam cobertura ou pai espiritual? De quem são os dedos com anéis de ouro e pedras rubis? Quem são os que gostam de dar "carteiradas" do tipo: "Eu sou o [título/cargo] Fulano de Tal."-?

Esse modelo de liderança já está tão difundido em nossa cultura que já atingiu os guetos eclesiásticos. Que este tipo de liderança, de cima para baixo, seja um modelo comum entre os que não tem a fé em Jesus Cristo, entre os que desconhecem os princípios de um governo celestial, tudo bem; mas aceitá-lo entre os que se dizem cidadãos de um reino celestial, não dá para aceitar e ficar quieto. Também é bem óbvio que não são todos que pensam e agem dessa maneira, porém já está claro que tal modelo de liderança já ganhou muitos adeptos em tempos modernos.

Um bom exemplo de que todos fazem isso, tantos os que se acham alguma coisa, como os que se acham pessoas comuns, mas também alimentam o paradigma; aconteceu a pouco tempo quando fui convidado para celebrar uma cerimônia de casamento. No dia da festa, cheguei ao local e, sem nenhuma pretensão, tentei descobrir como estava a organização - se havia alguém responsável por toda a dinâmica da festa: entrada de padrinhos, noivos, daminhas, músicas, etc. Porém não me deram muita atenção. Acho que pensavam: "Quem é esse curioso?" Contudo, a parte interessante dessa história, aconteceu logo depois do fim da celebração. Pessoas que haviam me tratado com certa desconsideração, vieram para me pedir desculpas "pois eu não sabia que o senhor era o pastor…" Em poucos minutos ganhei mais prestígio do que nunca havia ganho em toda minha vida. Não me detive a nenhuma dessas pessoas e, ao invés de aceitar as desculpas, disse que deveriam me tratar com respeito e atenção, independente de quem sou. Logo a pronta resposta foi: "Que é isso pastor. Honra a quem honra" e o blá, blá, blá de sempre. Enfim, conversei bastante naquela noite. Tentei deixar bem claro que devemos tratar todas as pessoas com igual respeito, mas porém, se entre nós houvesse alguém digno de maior honra, esse tal não era eu.

Palavras de nosso Senhor Jesus Cristo:
“Vocês sabem que os governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. Mateus 20. 25-29

Estaremos agindo como verdadeiros loucos se estivermos atrás desse tipo de honra - a honra de ser servido por sermos líderes: de célula, de departamentos, como pastores, etc. Deveríamos servir. Esses tais que deveriam dar o copo d'água, carregar malas, receber as pessoas e deixar os melhores lugares para elas, convidar para suas festas os que não podem lhe dar nada em troca, fazer questão de pagar o café, servir à mesa em dia comemoração, buscar gente sem importância nenhuma, enfim: servir!

Voltando ao texto do evangelho de Mateus.
A palavra grega para autoridade é exousia. Em todo o NT você jamais encontrará tal palavra num contexto onde um crente em Cristo tem exousia (poder de autoridade ou direito de exercer poder) sobre outros crentes. A palavra grega para "exercem poder" é katexousiazo. Kata, significa "para baixo". Exousiazo, significa "exercer autoridade sobre". Então katexousiazo significa autoridade de cima para baixo - liderança hierárquica. Jesus está condenando esse modelo entre os que são seus. De acordo com Jesus, os gentios é que exercem autoridade de cima para baixo. Eles governam, dominam e controlam pessoas, "não deve ser assim entre vocês".



"Jesus Cristo, quando veio para este mundo, foi a pessoa mais livre que tocou este planeta. Seu trabalho principal foi libertar pessoas. Ele é o grande libertador. No seus dias ele libertou as mulheres. As mulheres o seguiram aonde ele foi. E quando ele morreu na cruz, elas estavam lá com ele. Quando ele ressuscitou, foram as mulheres que o viram primeiro. Jesus tinha uma visão muito exaltada dos seus seguidores. Ele tinha uma visão exaltada das mulheres num tempo em que elas eram oprimidas e suprimidas. Ele era um libertador. Existe algo em Jesus que torna as pessoas livres de verdade. Jesus diz: "quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo". A marca de um servo de Deus é que ele venha libertar pessoas. Não governá-las. Não controlá-las. Mas libertá-las. O papel mais importante de uma igreja, é o de libertar pessoas. E este é o ministério de Jesus." Frank Viola - Conversa franca com pastores


Boas ondas,



Tropical









Enviado de meu iPod

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Referências - heróis de mentirina...


Até hoje, em relação as coisas que aprendi, devo em grande parte às pessoas que sempre me questionaram. Além dessas pessoas, também creio que Deus usa a matéria-prima das contradições da vida para me revelar através de um espelho de prata e puro vidro, porém desejo que a que luz dEle seja refletida com mais intensidade do que a minha própria. Reconheço a luz e a voz do Pai, mas ainda sou bem capaz de me distrair para cometer mais um engano. Se eu quiser entender a humanidade, basta me olhar no espelho. Sei de uma coisa: que sempre serei carente de misericórdia e graça.
...

Não sabemos de tudo e, em relação as coisas que achamos que já sabemos, temos muito mais a aprender se nos dispusermos com humildade verdadeira - convivendo com os amigos e praticando a piedade.
Aprendi que para afirmarmos verdadeiro conhecimento sobre qualquer assunto, antes precisaremos responder bem às questões paradoxais e, se mesmo assim essas contradições não forem tão suficientes para desmontar uma idéia, elas apenas ganharão maior força. Um dia me disseram que Deus não existia pelo fato do caos em que o nosso mundo está. Então busquei saber qual era a causa dessa situação e encontrei muito mais coerência no que a bíblia diz sobre o mundo em que vivemos do que em argumentações ateístas. Conheço muitos outros pontos que tentam anular Deus, mas que me servem de maior estrutura para minha convicção na fé que recebi d'Ele.


Gosto de ser confrontado.
O estilo de vida que escolhi para viver nesses últimos anos - fora dos altos muros dos guetos denominacionais de uma igreja local - tem gerado muitas confrontações por parte de alguns amigos e diferentes pessoas.

Posso dizer que já respondi a muitas questões em meio a grandes confrontos de idéias teóricas e teorias práticas. Aprendi muito com amigos e inimigos, solidários ou aversivos. Aprendi a me auto-confrontar e a ser confrontado pelo Espírito Santo de Deus. Por conseqüência disto meus santos referenciais são as pessoas comuns, de rotinas ordinárias e corações verdadeiros; não mais as pessoas intocáveis e irreais. Antes era induzido por histórias duma novela religiosa em que as personagens só apareciam em cena, mas seus donos, nunca pegos fora do papel ou da representação - eu também quis ser artista heroi, mas abandonei meu papel antes de assinar o contrato que me prenderia como um refém. Fora Jesus Cristo, nunca passou pela minha cabeça que humanos pudessem ser perfeitos, mas que homens sinceros cresciam para chegar ao tamanho de Cristo. Percebi que a santidade de muitos ex-exemplos era apenas um papel e, que ao invés de adultos, eram anãos fantasiados de gigantes.


Existe uma tendência natural e uma idéia errada de que as pessoas referenciais são aquelas de que conhecemos somente as virtudes, conseqüentemente pessoas distantes, às vezes reais, outras vezes apenas artistas ou heróis que voam alto demais para serem próximos. Quero dizer que gostamos das intocáveis pessoas distantes, daqueles que não temos convivência e amizade. Será que se nos aproximássemos mais de nossos referenciais eles continuariam sendo exemplos? Temos a facilidade para anular as qualidades das pessoas relacionáveis pelos poucos defeitos que elas têm em comparação ao herói voador. Lógico que todos têm defeitos, mas sempre existirá um que nós não aceitaremos. É este defeito que tem poder para anular as outras coisas boas e nos distanciar dos amigos que podem nos ensinar ou aprender algo mais. Contudo quero apenas dizer que valorizo meus amigos de perto. Os amigos que são pessoas comuns, com limitações e lutas, dilemas, vacilos e cara de dia-a-dia, mas cheios de sonhos que alimentam minha esperança e me faz voar com asas emprestadas. Valorizo amigos cheios de inconformidades que me ajudam a transformar e querer reformar, amigos que têm pecados que me ensinam a perdoar e perdoam para me ensinar a arrepender. Vejo que o Espírito Santo trabalha entre irmãos comuns e amigos sinceros mais do que em supermans e smallvilles - pois nesse contexto o salvador da pequenópolis é o herói de mentirinha.

Meus amigos anãos se tornam, a cada dia, verdadeiros gigantes na fé, mas eles mesmos não percebem.



Boas ondas,

Tropical