terça-feira, 30 de março de 2010

Páscoa ou janta?


A páscoa era uma festa instituída por Deus em comemoração da libertação de Israel do Egito e, em figura, uma antecipação do sacrifício expiatório de Jesus. Há mais de dois mil anos, o próprio Jesus, antes de sua crucificação, diz para seus discípulos que, desde aquele momento, não mais seria a páscoa que deveriam celebrar e, nem uma vez ao ano, mas todas as vezes que se juntassem para comer e beber [cear = comer a janta (deipnon)], deveriam fazer isso em memória dEle - do seu corpo que foi partido por nós e do seu sangue derramado que representa uma nova aliança - novo tempo. Vejam que demais! Ao fazermos isso com consciência, todos os dias em nossas principais refeições, anunciamos a morte de Jesus [anunciamos que Ele nos reconciliou com o Pai - nos deu o poder para nos tornarmos seus filhos], até o dia de sua volta [Jesus voltará].

Nossas refeições podem ser uma festa em memória do sacrifício de Cristo - que tem suficiente valor para nos reconciliar com Deus - e também um anúncio do futuro - de que Ele voltará.

Você entendeu? Aquela foi a última festa da páscoa, pois deu lugar a ceia de nosso Senhor - troca de festa. Melhor dizer que, foi a última festa de páscoa porque não mais seria uma festa, mas ele próprio [Jesus é nossa páscoa. A páscoa é uma pessoa]. Fazer dessa festa [que deveria/poderia ser todos os dias], que é tão intensa em seus verdadeiros significados, um ritual religioso ou, pior ainda, um mercado de ovos de chocolates; é banalizar ao máximo: ofendendo o nome de Cristo e desonrando nosso Papai que está nos céus. Pense nisso.




Boas ondas,


Tropical

quinta-feira, 25 de março de 2010

É apenas uma questão de escolha


Neste último domingo, 22 de marco de 2010, ao final de nossa reunião decidimos orar sobre coisas específicas. O que mais me chamou a atenção foi que todos pedidos tinham um ponto em comum: todos envolviam questões de necessidade para uma escolha ou decisão. Faz alguns anos que me envolvi em questões da fé e boa consciência. Também, em relação a isso, estava em jogo minha relação com pessoas e um lugar. Atingiria meu futuro próximo, minha família e alguns planos. Estava incomodado com toda a situação e precisava resolver o dilema.
Para não rescrever tudo novamente sobre esta questão das escolhas, resolvi então apresentar abaixo uma carta/e-mail que representa muito bem o desfecho desse antigo episódio. Mudarei apenas algumas poucas coisas - nomes, pessoas, lugares - pois não mais farão sentido para os que vão ler.


São Paulo, 26 de junho de 2007

… primeiramente gostaríamos de agradecer - eu e a Vivi - aquele bom final-de-semana que tivemos juntos, apesar da falta de ondas.

Realmente acredito que as coisas aconteçam no tempo certo. Acredito que certas coisas são necessárias para que possamos aprender com os próprios erros, ainda que fosse mais sábio aprender com os erros dos outros. Com isso quero dizer que errei no procedimento quanto a minha disposição em relação [ao lugar/pessoas]… Por isso te peço perdão.

Tenho que dizer que todas as vezes que conversamos sou surpreendido por sua sabedoria. Gosto muito de [ouvi-lo falar e também da sua maneira para discernir as coisas].

Acredito que naqueles dias em que estivemos juntos pude ouvir e falar um pouco das coisas que estavam em meu coração. Mas de maneira nenhuma tenho disposição para discutir assuntos teológicos com [você]. Respeito a sua posição em todos os sentidos e não me vejo muito no direito de lhe fazer tais confrontações. Confesso que gosto de discussões teológicas. Faria isso com alguns amigos - ex.: [Fulano, Ciclano] e etc - sem problema algum. Mas não com [você]. Então, também me perdoe por isso caso tenha parecido que quis [questioná-lo] em coisas desse tipo. [Até mesmo porque também creio que questões doutrinárias, preceitos e culturas podem ser considerados de caráter secundários].

Mesmo assim fiquei lhe devendo uma resposta quanto a minha disposição dentro de um todo. Então tentarei ser claro. Acredito numa visão (considerando isso mais como uma maneira de anunciar o Reino dos Céus do que como se fosse "algo novo" - [como algo relacionado ao governo do nosso Pai, que por acaso também é o único Deus]) como uma semente que Deus tenha plantado em meu coração. Isso tem a ver com [trabalho] e se tratando de mim o nome disso já é sabido por todos - AIRO. Porém não penso num tipo de trabalho / ministério paraeclesiástico - algo fora de uma igreja local e sem vínculo nenhum. [Hoje em dia considero a Igreja de Jesus Cristo muito antes de qualquer instituição religiosa e, paraeclesiástico, para mim, não mais significa fora de um lugar. Essa palavra já caiu em desuso, não faz mais sentido.]. Pois creio que na igreja de Jesus Cristo é onde se juntam [pessoas vocacionadas para cooperar com Deus para a] edificação do corpo. Quero dizer com isso que plantar igrejas é mais eficiente do que plantar ministérios paralelos.

Depois de ter conversado com a [você], na mesma semana tive também uma conversa animadora com o [Fulano]. Falamos de novos paradigmas, novos projetos, sonhos... enfim, de um novo tempo para [o lugar]. Tenho que confessar que fiquei muito animado com a conversa. Achei um tanto realista. Novamente cheguei a ter um vislumbre do que poderia ser junto com [o lugar].
Porém tenho me preocupado mais em ouvir a voz de Deus para tomada de decisões do que ouvir minha própria alma. Esse é o grande dilema. Como já disse, sei o que quero. Não sei onde, como e qual o lugar.

Sendo muito sincero, não teria problema algum ser [aqui] como também começar algo [em qualquer lugar]. Digo começar algo novo porque não tenho planos para ir em qualquer que seja outra denominação [não mesmo]. Pois ainda não conheço um lugar no qual me adaptaria tão bem. Como disse, gosto do nosso estilo de ser. Acho que isso é uma conseqüência do quanto a [você] já entendeu sobre a misericórdia e também a graça de Deus.

Estava disposto mesmo a ficar. Torci para que essa fosse a resposta de Deus. Pensei em tudo...


...

[O desfecho veio apenas depois pouco mais de um mês. Eu estava na Costa Rica, pegando onda, refletindo sobre os fatos e lendo um livro do J. I. Packer. Foi ai que se deu o desfecho: quando lia o capítulo "Deus, nosso guia" do livro "O conhecimento de Deus". Todo o texto que se segue é com base no que li].



São Paulo, 4 de agosto de 2007

Hoje eu entendo que para muitos cristãos a direção é um problema crônico. Não porque duvidem de que a direção divina seja um fato, mas porque têm certeza disso. Pois sabemos que Deus pode nos guiar e que prometeu nos guiar. Ele formou um "plano eterno" (lit. "um plano de séculos"), "na plenitude dos tempos" segundo o propósito "daquele que faz todas as coisas, segundo o propósito da sua vontade" (EF 3.11; 1.10,11). Além disso, na bíblia contêm promessas explícitas da direção divina por meio das quais podemos conhecer os planos de Deus para nós. "Eu o instruirei e o ensinarei no caminho que você deve seguir; eu o aconselharei e cuidarei de você", disse Deus a Davi (SL32.8). A direção de Deus também é o tema principal do salmo 25, onde lemos: "Bom e justo é o SENHOR, por isso mostra o caminho aos pecadores. Conduz os humildes na justiça e lhes ensinas o seu caminho [...] Quem é o homem que teme o SENHOR? Ele o instruirá no caminho que deve seguir" (vs 8, 9 e 12). Assim também em Provérbios 3.6: "Reconheça o SENHOR em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas". E no NT aparece a mesma expectativa de direção. A oração de Paulo pelos colossenses: "que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual", e a oração de Epafras: "para que continuem firmes em toda a vontade de Deus" (CL1.9; 4.12).

"Entendo que cristãos sinceros à procura de orientação muitas vezes se enganam a esse respeito. Geralmente isso acontece porque o conceito da natureza e do método da direção divina esteja errado. Procuram uma direção enganosa; desprezam a direção pronta, à mão, e se entregam a toda sorte de fantasias. [Tenho me preocupado muito com isso, pois não quero fantasiar um "futuro ministerial" que nada tenha a ver com a vontade de Deus]. O erro básico seria pensar que a direção é basicamente uma inspiração íntima do Espírito Santo sem a participação da palavra escrita". J.I.Packer

Tenho tentado entender a direção divina entre dois aspectos. Primeiro, pela aplicação direta de uma base bíblica procurando nas escrituras as possibilidades legais entre as opções elegíveis. Segundo, justamente porque as escrituras não podem determinar diretamente uma escolha (ex.: nenhum texto bíblico me disse para pedir em casamento a Viviane que hoje é a minha esposa ou o número de filhos que eu devo ter com ela), o fator inspiração e inclinação dados por Deus, pelo qual eu poderia me comprometer a um tipo de responsabilidade ou fazer uma escolha em detrimento de outras opções, me faria sentir em paz e tornar-me decisivo. Mesmo buscando nesses dois aspectos (base bíblica e inspiração dada por Deus), não quero determinar presumindo que toda direção para resolver problemas apresenta somente essas duas características.


"Nenhuma área da vida demonstra mais claramente a fragilidade da natureza humana, mesmo a dos já regenerados." J.I.Packer

Enfim, tenho buscado a direção de Deus para uma tomada de decisão muito importante. Quero honrar o Espírito Santo como meu guia sabendo que isso é honrar as sagradas escrituras, seu instrumento para nos guiar. Não se trata de indução interior desvinculada da Palavra, mas da pressão exercida na consciência pela representação do caráter e da vontade de Deus na Palavra, que o Espírito Santo nos ilumina para que entendamos a apliquemos à vida.

Então para não errar, tive muita disposição para pensar sobre o assunto. Tive disposição para pensar adiante e pesar as conseqüências de médio e longo prazo das alternativas no curso dessa ação. Tive disposição para aceitar conselhos. As escrituras enfatizam essa necessidade: "O caminho do insensato parece-lhe justo, mas o sábio ouve conselhos" (PV 12.15). Pois há sempre alguém que conhece a Bíblia, a natureza humana e nossas habilidades e limitações mais que nós mesmos, e ainda que não possamos aceitar seu conselho, alguma coisa boa tiraremos se pensarmos com cuidado o que disser-nos.
Tive disposição para suspeitar de mim mesmo. Pois não gostamos de ser realistas a nosso respeito e não nos conhecemos tão bem quanto pensamos. Podemos reconhecer racionalizações nos outros e não percebê-las em nós. Precisei me perguntar por que sinto que uma determinada atitude é certa e me obrigar a dar as razões disso. Expus o caso a pessoas em cujo julgamento confio para avaliar minhas razões. Tive disposição para descontar o magnetismo pessoal. Evitei considerar as pessoas que me tratam como um anjo, profeta, pregador, aceitando suas palavras como direção para si mesmos e seguindo cegamente minha liderança [também descontei o magnetismo pessoal de pessoas que me servem de boa referência quanto aos assuntos espirituais]. E por fim, tive disposição para esperar em Deus para me dar mais esclarecimentos sobre o futuro. Enquanto tive dúvida, não fiz nada, continuei esperando.

… Quero dizer com tudo isso que pelo que me parece não existem respostas simples. Entendo que não devo concluir que uma escolha certa signifique um caminho livre de problemas. Entendo assim, que mesmo errando o nosso Deus não apenas restaura, mas incorpora nossos erros e tolices ao seu plano e tira proveito deles. Isso faz parte da maravilha de sua graciosa soberania. O Jesus que restaurou Pedro depois da trai-lo e corrigiu seu curso mais de uma vez depois disso (AT 10; GL 2.11-14) é nosso salvador hoje e não mudou. Deus não só faz a ira do ser humano transformar-se em louvor, como também as desventuras do cristão.

Quero concluir assim, a direção, como todos os atos de bênção, sob a dispensação da graça, é um ato soberano. Deus não nos guia apenas para mostrar o caminho que devemos trilhar. Ele quer nos guiar também no sentido mais fundamental de assegurar que, aconteça o que acontecer, quaisquer que sejam os erros cometidos, chegaremos seguros ao lar. Haverá sem dúvidas escorregadelas e desvios, mas os braços eternos estão por baixo, seremos alcançados, salvos e restaurados. Essa é a promessa divina; isto mostra quanto ele é bom. Me parece então que o contexto exato para discutir direção é a confiança em Deus, que não nos deixará arruinar a alma.


Agora porém cheguei a uma definição.
Hoje tenho paz em Deus para sair [deste lugar].
Quero fazer isso.


… Jesus o primeiro e o último,
Cujo espírito nos guiará ao lar com segurança;
Nós o louvamos por tudo o que passou,
E confiamos nele por tudo o que há de vir.
Joseph Hart



Com temor,
Paulo David Muzel Jr - Tropical
Viviane Franzoti Muzel



[Espero que este texto possa ajudá-los em questões que envolvem as escolhas pessoais].


Boas ondas



Tropical

quarta-feira, 24 de março de 2010

Bíblico sim, mas não profético.



Resolvi escrever mais um pouco sobre o assunto “dízimo”. Muitos já sabem minha opinião em relação a este preceito (pois é assim que o considero), porém não são todos que buscam uma maior compreensão. Porém escreverei somente o que acho necessário. Além disso, todos deveriam fazer como os moradores da cidade de Beréia que: “... ouviam a mensagem com muito interesse. Todos os dias estudavam as Escrituras Sagradas para saber se o que Paulo dizia era mesmo verdade.” (At. 17.11). Todos deveriam ir a qualquer site de busca e pesquisar dobre o assunto – expandir o conhecimento ao invés de aceitar goela abaixo qualquer coisa que ouvem só pela conveniência ou comodismo.

"Nunca somos mais enganados do que quando pensamos que estamos vivendo para Deus, mas na verdade vivemos para suas bênçãos". Larry Crabb

Ouvi algumas vezes que as pessoas dão dízimos por obediência a palavra de Deus, mais especificamente ao tão famoso texto do livro de Malaquias. Eu ouso dizer que a maioria paga dízimos por medo ou interesse. Pois caso não o façam, o devorador não será repreendido, mas se entregam a décima parte de toda renda, as janelas dos céus serão abertas para que as bênçãos caiam sobre si – medo do devorador, inferno financeiro ou até mesmo do castigo de Deus por tão grande desobediência; interesse pelos resultados. Apesar disso, já ouvi de muitas pessoas que nunca pagaram o dízimo por medo, eu acredito. Porém, pergunto se continuariam tranqüilos caso deixassem de dizimar, se continuariam sem medo - do devorador, do castigo ou de Deus. Quem já deu alguma coisa a Deus para receber dele algum pagamento? Rm 11: 35-36


Lanço o seguinte desafio:
Quero que me respondam o que é o dízimo, quais as referências sobre o assunto, como ele foi instituído e com qual finalidade, de que forma ele era entregue, quem eram as pessoas que entregavam e quais eram os que se beneficiavam dele? E na nova aliança, quando é que o dízimo apareceu, quando foi que Jesus o pagou, como que ensinou sobre tal assunto, o que as cartas falam sobre ele, etc.? Se souberem responder essa leva de perguntas, farei outras para dar continuidade.

CREIO NO PRINCÍPIO DA CONTRIBUIÇÃO – QUEM PLANTA POUCO COLHE POUCO. EM CERTAS OCASIÕES, CONCORDO COM O SUSTENTO DE ALGUNS SANTOS [quando estes não têm condições] E A ARRECADAÇÃO FINANCEIRA QUE VIABILIZA UMA INSTITUIÇÃO LOCAL [desde que haja transparência]. MAS NÃO POSSO CONCORDAR COM UM PRECEITO TÃO ERRADO COMO A CONTRIBUIÇÃO OBRIGATÓRIA CHAMADA DÍZIMO. DIRIA QUE CHEGA A SER EM ALGUNS CASOS ISOLADOS, UMA GRANDE HERESIA – DESVIO.

“Que cada um contribua conforme resolveu no coração, não com tristeza, nem por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.” II Co 9:7
“Cristo nos libertou para que sejamos de fato LIVRES!” Ga 5:1
“... todos ficarão sabendo que vocês deram ofertas porque quiseram e não porque foram obrigados.” II Co 9:5b

E se alguém me disser que esses textos acima dizem respeito as ofertas e não para dízimos, por favor me mostrem então os textos que revelam a contribuição da igreja primitiva na forma de dízimos.


Um pouco do que penso
Que é muito difícil romper com uma cultura que, ao decorrer de anos, se torna algo petrificado. Penso que é difícil se desfazer de um preceito. Einstein disse que é muito mais difícil quebrar um paradigma do que explodir um átomo. Penso que muitos dos que entregam seus dízimos e os que pregam, não o fazem de sacanagem, mas crêem de verdade. Também não duvido das boas intenções, porém, faz sentido para mim o dito popular que alerta a respeito do lugar que está cheio das boas intenções. Penso que no dia em que as denominações assumirem que o dízimo não é uma obrigatoriedade e que, nem Deus castigará pessoas caso estes não dêem, logo muitos pararão de contribuir - uma realidade triste, mas necessária. Penso que teremos, como Igreja, um novo e grande desafio: sermos generosos, exercermos a gratuidade ou aprendermos a doar, a entregarmos ofertas por amor a Deus e ao próximo. Penso que muitos pastores terão que arrumar emprego por causa desse grande choque – como se Paulo, entre outros, depois que foram chamados e assumiram uma função diante da igreja do Senhor, nunca mais tivessem que trabalhar - nesse sentido, merecedores de honra. Penso que o assunto dízimo não é uma questão tão simples ou, como muitos dizem, "um assunto sem importância e, por isso deixe de se preocupar". Mas penso que este assunto é de extrema relevância, pois mexendo nisso, estaremos mexendo num fundamento de um sistema mundano que, infelizmente, também absorveu a igreja institucionalizada e, que por este motivo, precisamos resgatar valores do reino dos céus . O fato é, se mexermos nisso, muitos terão que procurar emprego, perderão regalias, e portas serão fechadas. Em minha opinião, é difícil escapar disso.


Diáconos
Somos cooperadores, co-pastores, co-sacerdortes e nada do que temos é nosso. Somos corpo - Cristo é a cabeça da Igreja. Somos mordomos do rei. O dinheiro que recebemos, a família que temos, as pessoas que estão ao nosso lado, nossos alunos, nossa casa, trabalho, enfim, tudo pertence a Deus – 100%. Será que poderemos dizer "nosso" - ?!
Daremos contas de tudo o que foi posto em nossas mãos e 10% não te isenta nem justificará sua vida diante do dono de todas as coisas.

Pior é que entregar o dízimo virou uma maneira de transferir responsabilidades. Quem dá o dízimo acha que a obrigação do sustento de missionários, os cuidados aos necessitados e toda assistência passa a ser da igreja local. Mas também, culpa desse ensino que diz ser "pecado administrar o próprio dízimo", pois isso quem faz é a própria instituição e seus líderes. Donde é que tiraram este ensinamento?


"Tomei o livrinho da mão do anjo, e o comi; e na minha boca era doce como mel; mas depois que o comi, o meu ventre ficou amargo (AP10.10)". Creio que nossa pregação é muito boa porém difícil de ser vivida.

Será que voltamos ao velho tempo e a casa do tesouro se tornou a instituição "x" ou "y" enquanto nosso lar está numa condição precária?

"Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos sujeitos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra. (RM7.6)" "Pois, com efeito, o mandamento anterior é revogado por causa da sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou), e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual nos aproximamos de Deus. (HB7.18-19)

Na velha aliança Deus havia escolhido uma tribo para que o servisse em tendas e depois no templo construído por Salomão. Eram os Levitas uma tribo sacerdotal. Hoje, pela morte e ressurreição de Jesus somos um Reino de Sacerdotes - o sacerdócio de Cristo é universal, não apenas uma classe de pessoas especiais. Deus nos fez habitação de Seu Espírito. Somos casa de Deus e templo do Espírito Santo. Somos a casa do tesouro e os sacerdotes que se entregaram 100%. Quando nos reunimos somos igreja e noiva de Cristo. Temos diferentes dons - tanto os de Jesus como os do Espírito Santo - para que sejamos aperfeiçoados (EF4.1-16). Temos a unidade conquistada por Jesus para seu "corpo" (JO17). Fomos feitos filhos de Deus (JO1.12) e agora podemos chamá-lo de Pai (MT6.9). Somos livres...

O papel de Jesus Cristo [dentre outras coisas], foi o de libertar pessoas.
O papel da Igreja também é de libertar, não sujeitar. Somente assim seremos uma nação [pelo sistema do reino do céu, não daqui debaixo].

P.S.: Leia também, neste blog: "O dízimo é para cristãos?"



Boas Ondas,



Tropical





sábado, 6 de março de 2010

"Os fins justificam os meios" - Nicolau Maquiavel


Esta tão famosa expressão, citada no título, é a grande sugestão do livro "O Príncipe" que Maquiavel escreveu no início do século XVI. Dizem que o livro é um dos tratados políticos mais importantes do pensamento humano e, que seu papel foi crucial para a construção do conceito de Estado que conhecemos.
Maquiavel, em sua obra, deixa claro que não importa o que o governante faça em seus domínios, desde que seja para manter-se em autoridade - esta é uma interpretação tradicional do pensamento maquiavélico. Para ele, um príncipe não deve medir esforços, mesmo que se utilizando de crueldade ou trapaça, para manter a integridade e o bem de seu povo [ou dele mesmo?].

"… sou de parecer de que é melhor ser ousado do que prudente, pois a fortuna (oportunidade) é mulher e, para conservá-la submissa, é necessário (...) contrariá-la. Vê-se, que prefere, não raramente, deixar-se vender pelos ousados do que pelos que agem friamente. Por isso é sempre amiga dos jovens, visto terem eles menos respeito e mais ferocidade e subjugarem-na com mais audácia".

Sempre que faço algum tipo de confrontação ao pensamento e prática da igreja contemporânea, ouço como reposta: "Mas tem um montão de gente se convertendo… as igrejas estão cheias… importante é que o evangelho está sendo pregado [será?]… que as pessoas estão quebrantadas, etc… Como se Deus não fosse suficiente em Cristo e pela revelação do Espírito Santo, alcançar pessoas independente de. Como se inchaço e volume fosse o grande sinal da aprovação de Deus em relação a conduta humana.

É como se me dissessem, "não importa se não fazem prestação contas, se não existe transparência, se prosperam a benefício das arrecadações, se criam doutrinas esquisitas, se dogmatizam a fé, se andam de anéis de ouro e rubi, se lideram arbitrariamente, se tiram proveitos da posição que ocupam, se só andam com os mais ricos, se não estão alinhados nem com a metade do sentimento que havia na Igreja primitiva… pois estão pregando e pessoas vêem aos montões para dentro de suas denominações, enfim, os fins justificam os meios.

Pergunto: realmente, os fins justificam os meios? Me desculpem pela pergunta maquiavélica. Pois assim como não importa o que o governante faça para manter a autoridade e domínio sobre seu povo, pelo jeito também não importa se usurpam de um poder para manter grandes máquinas religiosas. Não importa a crueldade que sobrepuja pessoas mau informadas, porém com fé; e nem importa se a trapaça financeira enriquece comandantes do topo de uma pirâmide - uma construção do Egito. Pouco importa se denominações estão virando potências econômicas que nada constroem.

Parece mesmo que ousadia sem prudência é a grande virtude, pois ela agarra a oportunidade - de ser grande, ficar rico, ter domínio… - para fazer submisso o povo fiel. Em favor disso, parece-me que o povo fiel também prefere se vender para os poderosos príncipes dessa pirâmide egípcia. Infelizmente.

Será mesmo que os fins justificam os meios? Será que nossas atitudes, por pior que sejam, poderá ser justificada pelos objetivos que temos?

Não seria melhor dizer que, "os fins determinam os meios". Nesse sentido, não existem justificativas para tantos abusos, mas sim, uma extrema vaidade pessoal, com um objetivo egocêntrico, envolvendo poder e domínio, que determinará a maneira que faremos as coisas agora. Pelo jeito o fim não justifica, mas determina. Então o fim, que imaginávamos ser algo bom, já não é tão bom assim, então também não poderá ser justificável, porém determinante para elaboração de um plano maquiavélico. Agora, o fim com o qual nos deparamos, nada tem a ver com o propósito/finalidade de Deus para seus filhos. Me parece que o fim é algo meramente humano, envolvendo domínios e poderes.



Boas ondas,


Tropical

quinta-feira, 4 de março de 2010

Reino da desgraça


Se me perguntassem qual foi o grande propósito de Deus, responderia que foi o de nos tornar filhos através de Jesus Cristo. Agora então, poderemos chamá-lo de Pai. Mas também é fato que dentro dessa finalidade está a proclamação de seu reino aqui na terra, agora, entre os seus filhos. Se é verdade que numa época os hebreus desejaram ter um rei humano, é também verdade que Deus alertou-os a respeito das conseqüências dessa escolha. É verdade também que Deus, em Jesus Cristo, estabeleceu seu reino "aqui na terra como também nos céus, e dá a possibilidade de entrarmos nele. Jesus ensinava anunciando as boas novas do reino.

"Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus." Jesus, o Cristo

O reino dos céus é contrário ao reino daqui debaixo. Contrário aos reinos humanos e também ao reino de Mamom. Cada um desses impõe seus próprios valores, mas todos - exceto o dos céus - estão debaixo de um sistema maligno de trocas, de merecimentos, de poderes opressores, de méritos, de performance e competições. Sei de uma coisa, aqui embaixo não se lida muito bem com o dom nem com a graça - esta não é comum ao homem. Não se sabe dar nem receber, mas é preciso merecer. Diria com todas as convicções que, aqui embaixo impera o reino da desgraça que se opõe contra o reino do céu, em que tanto o dom quanto o favor são suas grandes características.

O grande problema é que nascemos e fomos ensinados dentro de um sistema de governo maligno. O problema é a dificuldade que temos para aprender a praticar o dom de Deus e anular as influências malignas dos reinos desgraçados. O problema é que temos dificuldades em buscar em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça. O problema é que as influências de reinos daqui debaixo permanecem dentro de muitas igrejas modernas (com "i" minúsculo) - ensinam que a riqueza e o poder são como uma aprovação da parte de Deus pela boa conduta humana - merecimento! O problema é que muitos ainda, mesmo depois de conhecer o dom de Deus, querem ficar ricos, querem chegar ao topo, querem ser reconhecidos pela performance, querem construir impérios sobre seus nomes. O problema é que não percebem a vida de Jesus Cristo, de seus discípulos; não percebem seus exemplos.

"No mundo em que vivemos, o mundo de Mamom, do dinheiro (onde tudo é pago e o comportamento normal é a venda com tudo o que isso comporta), é totalmente contrário ao mundo de Deus, onde tudo é gratuito e o comportamento normal é a gratuidade… Uma atitude grave é aceitarmos uma doutrina de méritos. O mérito que obtemos diante de Deus, através das obras e virtudes, é uma forma de pagar a Deus, de comprar seu favor… É preciso fazer o dinheiro se restringir ao seu papel como instrumento material [não mais divino]. Quando o dinheiro não passar mais de um simples objeto, quando ele perder a sua sedução, seu valor eminente, sua grandeza supra humana, então poderemos utilizá-lo como um móvel qualquer, como uma máquina qualquer." Jacques Ellul

Sei de uma coisa, que quando cremos em Jesus Cristo, nos submetemos a um novo governo, o do céu; e, neste sentido, devemos abandonar os valores dos demais reinos. À partir dai, é necessário que todos sejam transformados quanto a maneira de pensar. É necessário que saiamos da forma deste mundo decaído para experimentarmos a perfeita vontade do Pai. Dentre muitas coisas que precisamos aprender, uma é de extrema importância, a questão relação homem e dinheiro/riqueza. Jesus trata disso de maneira assustadora, pois personifica-o como outro deus denominado Mamom. Precisamos profanar este deus para destroná-lo. "Profanar o dinheiro", como também todo poder, é lhe retirar seu caráter sagrado. Precisamos entender o que significa ser livre em Cristo. Precisamos deixar com que a gratuidade entre em nossos corações.




Boas ondas,

Tropical