segunda-feira, 28 de junho de 2010

Deveríamos orar em nosso próprio nome


Ontem foi dia de festa brasileira - seleção do Brasil contra a da Costa do Marfim. Devido a isso, mexemos na rotina de nossas reuniões para assistirmos ao jogo com tranqüilidade. Fiquei livre para o resto da noite e, por este motivo, fui visitar meu novo amigo, Enzo. Ele já havia me feito o convite durante a semana, pois um antigo amigo, que eu não via há mais de doze anos, falaria àquele grupo da Igreja que se reúne com ele. O nome desse antigo amigo é Ubirajara Crespo, o Bira. Posso dizer que tive o privilégio de ouvi-lo compartilhar parte de suas experiências. Ele falou sobre oração. Gostei demais do que ouvi e, por isso gostaria de também escrever um pouco, apenas um pouco sobre o assunto, usando algumas palavras do próprio Bira, porém com acréscimos meus e à minha maneira.

Já descobri o quanto de uma cultura comum pode me atrapalhar na minha relação com Deus devido ao comprometimento da pura verdade - em essência. Por conta disso tenho observado como um perito de mim mesmo às minúcias da religiosidade que sutilmente me foram ensinadas para, cada vez mais, me levar para longe da essência de Cristo - Onde poderá ser revelado o único propósito de Deus.

Orar em nome de Jesus.
Nada mais é do que falar em nome dEle. Mas como é que isso, sendo algo tão óbvio, pôde fugir para tão longe de seu real significado? Como é que isso pôde se tornar uma chave mágica, com poderes de varinha de fadas, para atender aos mais incabíveis pedidos pessoais que só correspondem aos anseios humanos? Como é que essa pequena sentença se tornou algo tão contraditório ao que realmente é a vontade do Pai? Eu respondo, pela falta do crescimento que deveríamos ter como filhos de Deus - nem meu filho de três aninhos é tão imaturo assim. Pedimos e pedimos - em nome de Jesus - mas não recebemos nada, pois tudo o que queremos corresponde somente aos nossos interesses. Deus nada tem a ver com isso…

Temos que crescer um pouco mais para entender que orar em nome de Jesus não significa colocar a frase "em nome de Jesus" no final de toda oração para validar a mesma. Significa que somos procuradores do Pai celestial e, deveríamos orar o desejo dEle. Orar em nome de Jesus sem que seja a vontade dele é pura meninice, caso contrário, é estelionato mesmo. Deveríamos entender que orar em nome de Jesus é falar em nome dEle, não em nosso próprio nome. Que o significado disso é falar somente ao que corresponde ao propósito dEle e não o nosso. Então, que tal colocarmos nosso próprio nome no final da conversa com o Pai quando apenas falarmos de nossa própria vontade? Ou, como se fosse uma assinatura que encerra uma carta, diríamos: "Pai, me dá um lindo carro importado. Assinado, Fulano de Tal…" Ao meu ver, isso seria mais maduro. Imagino o quanto seria esquisito se daqui algum tempo um de meus filhos falasse para sua própria namorada: "vamos morar na China em nome do Paulo", caso isto nada tivesse a ver comigo.

Gostaria de ser um pouco mais amigo de Deus para falar em nome de Jesus, para não continuar falsificando assinaturas.

Nossa oração deve ter o mesmo destino que sua própria origem - deve começar e terminar no coração do Pai. Porém de maneira equivocada, nossa oração tem saído de nós e terminado em nós mesmos. Mais ainda, para quebrar outro preceito humano de pura religiosidade, oração no espírito não e oração em línguas, mas a oração que procede do Pai, até poderá ser em línguas. O homem não pode colocar um cabresto em Deus. Nunca poderá ser que, pelo simples fato de terminarmos nossas orações com a famosa frase que Deus nos atenderá. Orar em nome de Jesus não é e nem nunca será uma chave mágica para validar nossos interesses e vaidades.
Querer endossar nossas vontades, colocando o nome de Jesus no final de nossas orações, é usar o nome de Deus em vão. Tomemos cuidado.


Boas ondas.



Tropical

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Coisa que pensa.



Interessante a resposta de algumas pessoas, que questionadas a respeito de uma idéia, opinião ou pensamento, quando estão debaixo de uma instituição X. Para facilitar, daqui pra frente chamarei a instituição X de "Coisa").

Alguns defenderiam a idéia de que à partir do momento em que alguém está dentro de alguma Coisa, seria natural que as idéias pessoais e particulares sejam as mesmas do estatuto/doutrina da Coisa. Logo se questionados poderiam responder: "A Coisa pensa assim."

Duvido que alguém, depois de conhecer todos os pontos de doutrina ou do estatuto de uma Coisa qualquer, concordará com 100% das regras. Outra coisa é que se a Coisa toma o lugar do homem - no que diz respeito a opiniões, ao ponto de restringir pensamentos e idéias - essa coisa passa também a ser mais importante que o próprio homem. A Coisa ganha força e o homem se torna seu prisioneiro.

O homem que é um ser pensador e a Coisa não deve pensar, pois não tem cérebro nem vida. Mas neste mundo moderno aconteceu uma grotesca deformidade: a Coisa voltou a pensar por que o homem perdeu a cabeça. Então o pensativo se tornou em coisa, mas a Coisa que era apenas uma estrutura virou pensadora. Ela tomou o lugar do pensador para anular a razão e proibir o pensamento. Hoje ela grita: "Morte ao pensador/homem!"

Digo, morram as Coisas e vivam os homens. Votem os pensadores para usar estruturas para que pessoas sejam valorizadas.



Boas ondas.



Tropical




P.S.: Há apenas dois legados duradouros que podemos aspirar deixar aos nossos filhos: raízes e asas”. A frase, cunhada há mais de meio século pelo jornalista americano Hodding Carter, ganhador de um pulitzer em 1946.